Alcolumbre cria mais despesas para o Governo
Numa manobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), o Governo Lula encerrou a semana com mais um abacaxi: a ampliação dos gastos públicos com as chamadas pautas-bombas
Numa manobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), o Governo Lula encerrou a semana com mais um abacaxi: a ampliação dos gastos públicos com as chamadas pautas-bombas. Isso com dois objetivos, ambos condenáveis: fazer demagogia eleitoral e constranger o presidente Lula. O que se diz em Brasília é que o senador Davi Alcolumbre, por rancor, continua tentando atirar em Lula. Pelo que se viu, ele errou o alvo e acertou o Brasil.
Os senadores da oposição estão acusando o governo de gastador e fazendo o elogio da austeridade. Ao mesmo tempo, criam mais despesas. Quando criticam a gestão atual têm razão em vários pontos, mas as pautas que avançam no Senado desequilibram o país.
Nove medidas que tramitam no Senado e na Câmara estão contratando um gasto extra de R$ 111 bilhões por ano, segundo nota do governo. Na última semana, o Senado aprovou a renegociação da dívida rural no plenário. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra do governo Bolsonaro, justificou a gastança dizendo que era para "um setor que carrega o Brasil nas costas".
O agronegócio não carrega o Brasil, mas é importante. Esta dívida rural, que pode ser renegociada, havia sido contratada com juros subsidiados. Dar novo desconto em cima de dinheiro já incentivado é transferir mais renda para o agronegócio. Pela proposta, a dívida rural passará a ter taxas ainda menores, além do perdão de juros e multas por atraso.
O custo seria coberto pelo Fundo Social formado com receitas do pré-sal. O governo fala no valor de R$ 140 bilhões em 13 anos. Outras propostas andaram em comissões. Uma delas prevê um salto no piso de médicos e dentistas. Sai de R$ 3.600 para R$ 13.600 e dá outras vantagens. A alta pesa nas contas dos governos federal, estaduais e municipais.
Um trecho estabelece que estados e municípios poderão transferir alguns custos para a União. Senadores que são contra a redução da jornada, defendendo a livre negociação entre patrões e empregados, votam a favor de um projeto que fixa com quantos minutos de trabalho o profissional tem que fazer uma pausa.
O projeto que favorece os agentes comunitários de saúde e de combate às endemias vai no sentido inverso ao que o país tem de ir. Antecipa a aposentadoria desses servidores, quando todo o esforço do país tem sido o de adiar as aposentadorias.

