Aliados de Lula defendem que PT lidere embate contra redução da maioridade penal
PEC foi aprovada na CCJ da Câmara com o apoio da oposição e do Centrão
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm defendido que o PT lidere o embate contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para preservar o presidente do tema às vésperas da eleição.
O texto foi aprovado nesta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados 44 votos a 18. O Palácio do Planalto recomendou votação contrária, mas o tema é visto como delicado para Lula no momento em que o governo tenta uma postura mais firme em temas de segurança pública.
Lula tem feito falas reiteradas de combate ao crime organizado e defendido o endurecimento de penas para crimes, para afastar a imagem de tolerância a criminosos, usada pela direita pra desgastá-lo.
Alas da gestão petista argumentam que o governo não deve gastar energia com isso neste momento, sob pena de virar alvo da oposição e criar munição para ataques vindo do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial.
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Também apontam que há riscos políticos em atuar para interditar esse debate no Congresso, uma vez que parte da sociedade vê com bons olhos a ampliação da penalização. A proposta do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) estabelece que “a maioridade é atingida aos dezesseis anos”, idade a partir da qual a pessoa passaria a ser considerada penalmente imputável — é capaz de entender a ilicitude de sua conduta.
Se o tema seguir avançando na Câmara, a defesa que vem sendo feita internamente é de que o PT tome a frente no embate político junto aos partidos de esquerda que integram a base do governo. Historicamente, a legenda de Lula se posiciona contra a redução da maioridade penal por acreditar que a alteração não resolve a violência e fortalece organizações criminosas.
Até que a regra passe a valer, há um longo caminho legislativo para o texto percorrer no Congresso. Ao ser aprovada na CCJ na Câmara, a proposta foi considerada adequada constitucionalmente para seguir tramitando. Agora, o próximo passo será encaminhar o texto para uma comissão especial, que ficará responsável por discutir o mérito do texto. O novo colegiado poderá promover audiências públicas, ouvir especialistas e discutir alterações à proposta antes da elaboração de um parecer. É na comissão também que os deputados podem apresentar emendas ao texto, o que pode modificar ou aperfeiçoar sua redação.
A instalação da comissão depende de uma decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que ainda não definiu quando dará início ao processo. Motta, no entanto, ainda não deu sinais de quando deve instalar a comissão, mas a expectativa de parlamentares da oposição é que seja ainda neste semestre.

