Alvo da operação que investiga esquema de mineração ilegal em Minas foi assessor de Rodrigo Pacheco
Atuação de Felipe Lombardi na equipe de Pacheco aconteceu anos antes dos supostos crimes
Um dos alvos da Operação Rejeito, preso pela Polícia Federal (PF), atuou como assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Sua atuação aconteceu antes de ele supostamente integrar o grupo criminoso que conseguia autorizações ilegais para exploração de minério em Minas.
Segundo a PF, Felipe Lombardi Martins era o "operador financeiro" da organização e definido como "homem da mala".
A Operação Rejeito investiga como empresários, políticos, lobistas e integrantes de agências estaduais e federais articularam ilegalmente para liberarem autorizações de mineração em locais onde a atividade não poderia acontecer, como locais tombados e de proteção ambiental.
Além disso, o grupo, que poderia obter lucros de até R$ 18 bilhões, segundo a PF, utilizava dezenas de empresa de fachada para lavar o dinheiro.
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O "operador financeiro" desse grupo, diz a PF, seria Felipe Lombardi Martins. De acordo com a investigação, ele era o "responsável pela triangulação de valores, controle de aportes, saques em espécie e entrega de propinas". O inquérito, ao qual O Globo teve acesso, o identifica como o “homem da mala” da organização.
Sua atuação foi considerada "central na lavagem de dinheiro e na ocultação patrimonial", diz a investigação, que destacou ainda que ele realizava "encontros pessoais com servidores públicos para repasse de valores ilícitos".
Os crimes teriam acontecido nos últimos anos. Antes disso, entre 2019 e 2021, Felipe Martins foi assessor do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. A aproximação entre os dois aconteceu por intermédio de João Alberto Lages, ex-deputado estadual pelo MDB e apontado pela PF como um dos líderes do grupo criminoso.
Em 2014, Lages concorreu às eleições em uma dobradinha com Pacheco. Ambos eram do MDB e, enquanto o primeiro tentava a vaga como deputado estadual, o atual senador era candidato a deputado federal. Naquele pleito, Pacheco foi o maior doador da campanha de Lages: R$67 mil, declarados à Justiça Eleitoral.
Procurado, o senador Rodrigo Pacheco confirmou a relação, e disse que se deu de forma republicana, como correligionários, e anterior ao período investigado pela Operação Rejeito:
“Conheço João Alberto Lages, desde 2014, em razão da militância político-partidária. Desenvolvemos uma amizade nesse período, quando ele também se tornou deputado. Conheci Felipe Lombardi na mesma época, por meio da sua relação com o ex-deputado e, por um período, ele trabalhou na minha equipe do Senado, até se desligar para se dedicar à atividade privada, cuja natureza não tive conhecimento”, respondeu o senador, em nota.

