Sex, 06 de Fevereiro

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Política

Ameaça ao debate eleitoral

Uso de rôbos para influenciar a pré-campanha presidencial foi detectado por pesquisa da FGV

Um levantamento inédito da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) comprova a ação de robôs na pré-campanha presidencial. Ao todo, foram coletados 5.415.492 tuítes entre 22 de junho e 23 de julho. As interações motivadas pela ação de perfis automatizados (robôs) corresponderam a 22,17% dos tuítes de perfis ligados ao campo da esquerda, que compõem tradicionalmente a base do ex-presidente Lula (PT); 21,96% dos perfis ligados ao campo conservador, alinhados ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL); 16,18% dos perfis ligados ao campo de centro (não alinhados a nenhum dos polos tradicionais), e 3,99% dos perfis ligados ao grupo de centro-esquerda (sem predomínio de nenhum ator político em particular).

"Com esse cenário, as redes vão ter um papel muito importante de hiperdimensionamento, diferente do que vimos historicamente. Vemos nesta análise extremos bastante operantes no que se refere ao uso de robôs. Não sabemos como isso vai se traduzir no processo eleitoral, mas estamos preparados para fazer alinhamentos entre o debate político nas redes e as propostas dos candidatos da forma mais republicana possível", afirma o diretor da FGV DAPP, professor Marco Ruediger.

Os dados foram apresentados no lançamento, ontem, da Sala de Democracia Digital - #observa2018, projeto da FGV que fará um acompanhamento diário do debate público nas redes sociais durante as eleições de 2018 e das tentativas de interferências no processo democrático por meio de práticas de desinformação, como a utilização de robôs para difusão de fake news.

Para o diretor da Escola de Direito de São Paulo (FGV Direito SP), Oscar Vilhena, esta é a eleição mais deficiente, do ponto de vista da teoria democrática desde a redemocratização de 1988, que mais favorece os candidatos que estão no poder, na divisão tanto dos recursos do fundo eleitoral quanto do tempo de televisão. "Nós corremos o risco de ter um monólogo na televisão e um outro debate nas redes sociais. Esse é o drama. Aqueles candidatos que não têm tempo, vão esquecer a televisão e vão fazer um debate paralelo nas redes sociais. E a presença dos robôs nas duas pontas do debate só vai aumentar a polarização de um debate que já é polarizado por natureza".

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