Antônio Campos anuncia desembarque do PSB

Campos deixa legenda e se filiará a novo partido em março. “Vou buscar algo inovador e que faça diferença na política", disse

Antônio CamposAntônio Campos - Foto: Flávio Japa/Folha de Pernambuco

O que era esperado há meses, se consumou: o advogado Antônio Campos confirmou, no domingo (12), que deixará o PSB e que se associará a uma nova agremiação em março. A decisão foi informada por Campos ao presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, na última quinta-feira, em Brasília. Na ocasião, Campos desabafou que o ambiente em Pernambuco é hostil e que se sentiu traído nas eleições do ano passado, quando foi candidato à Prefeitura de Olinda.

“Decidi sair do PSB para um projeto inovador”, afirmou Campos, que não quis antecipar qual será o novo partido, mas que garante: a filiação acontecerá em março. Questionado sobre o que teria motivado a se desfiliar, neste momento, alegou que com a deflagração da Agenda 40 - no último sábado - e do desgaste da sua relação com o Palácio, não se vê mais possibilitado em assumir compromissos programáticos com os antigos correligionários locais.

Ele também falou do uso da imagem do avô, Miguel Arraes - pelos socialistas pernambucanos -, e do espaço que vem sendo ocupado pelo senador Fernando Bezerra Coelho que, segundo afirma, tem pretensões - veladas - de ser candidato a governador de Pernambuco em 2018. Confira.

O senhor já comunicou a sua saída do PSB ao presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. Quando assinará sua desfiliação? E a qual legenda se filiará?
Comuniquei ao presidente Carlos Siqueira e combinei desfiliar em março, até porque sou presidente da Comissão Nacional de Ética do PSB. Não é qualquer saída... A legenda anunciarei em março, pois deverão estar presentes personagens da política nacional.

O processo de afastamento entre o senhor e lideranças do partido, em Pernambuco, já era conhecido. O senhor já havia denunciado dificuldades com inúmeros membros da executiva estadual, Mas o que o motivou a fazer isso agora?
Estar fora da Agenda 40 e sair de um projeto que se desconfigurou e no qual não acredito. Vou buscar algo inovador e que faça diferença na política.

O senhor conta com o apoio da sua mãe, Ana Arraes, que já foi explicitado em diversas ocasiões. Conta, também, com o aval da executiva nacional e de governadores do partido, em outros estados. Pretende manter o diálogo com eles?

Tenho uma boa relação com a executiva nacional, recebi, inclusive, um apelo para ficar ou aguardar mais. Porém, minha saída está decidida. Em Pernambuco, existe um clima hostil.

O PSB de Pernambuco vem insistindo em destacar o não alinhamento com o governo Temer. Como o senhor avalia esta posição?
Dúbia. Não tem uma posição clara, (o senador) Fernando Bezerra Coelho, vendo esse vácuo, assumiu a liderança do PSB no Congresso Nacional. Ele é candidatíssimo a governador de Pernambuco, se não se complicar nas investigações da Operação Lava Jato. Vem dizendo (Fernando Bezerra Coelho), sem cerimônia sua intenção, nos bastidores, pelo PSB ou PSD de Gilberto Kassab (ministro de Ciência e Tecnologia).

O senhor acredita que Fernando Bezerra Coelho pode postular ao cargo, em 2018, passando por cima do projeto de reeleição de Paulo Câmara? Ele, FBC, realmente tem excelente trânsito no governo Temer....Mas o que se fala seria na eleição de 2022...
O ano de 2017 e os desdobramentos da Lava Jato e outras investigações serão determinantes para 2018. Aguardemos o processo.

O senhor é presidente do Instituto Miguel Arraes. E alega que parte dos Arraes vão exigir critérios na adoção do nome e do legado do ex-governador. Como se dará isso?

Arraes é um nome público. Foi um grande político e ajudou muito o PSB, mas questionarei o uso do legado Arraes pelo grupo Paulo Câmara ou outro, se a conotação for de apropriação. Arraes não estaria nesse palanque montado pelo grupo de Paulo. Não estaria com muitos dos atuais aliados do governador, com Jarbas Vasconcelos.

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