Ao convocar André, Kassab sinaliza sentir o abalo com PSB

Quem esteve com o dirigente assegura que apoio financeiro não faltará

Kassab e Geraldo Julio Kassab e Geraldo Julio  - Foto: Léo Malafaia // Arthur Mota

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ontem, diante de lideranças nacionais do PSD presentes, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, não arrodeou. Cravou o seguinte: "No Recife, contamos, a partir de hoje, com a pré-candidatura de André de Paula". Quem esteve com Kassab nesses dois dias de passagem dele pela Capital pernambucana afirma que apoio financeiro e partidário a André de Paula não vai faltar, se o deputado federal resolver levar adiante essa pré-candidatura. Kassab, à frente do fundo partidário da sigla, pode ser determinante nesse projeto. O PSD nasceu em meio a uma aliança sólida com o PSB, sob a benção, do, então, governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O partido de Kassab deu guarida a vários aliados de Campos, que, por alguma razão política ou eleitoral, não poderiam se filiar ao PSB. Kassab, assim, ajudou a montar a estrutura daquilo que seria a base da candidatura presidencial de Eduardo, em 2014. Eduardo, por sua vez, acatou sugestão de Kassab de considerar dar uma força ao projeto eleitoral de André de Paula, presidente do partido no Estado. Havia quem dissesse que, naquele momento, os dois partidos eram quase que uma coisa só. Hoje, Kassab sinaliza que a sólida aliança de outrora acabou abalado. Ao passar pelo Recife para inaugurar a preparação do partido para 2020, como a coluna antecipou que ocorreria, o dirigente nacional do PSD viu o prefeito Geraldo Julio fazer um gesto. O gestor tinha algumas alternativas para estar com o dirigente. Optou por ir à sede do PSD. Conversaram, na última quinta-feira, por cerca de 40 minutos. Na presença de aliados, o assunto acabou focado na esfera nacional. Passou pela relação sólida da sigla com Eduardo Campos e se estendeu um pouco ainda no estacionamento, até aonde Kassab acompanhou Geraldo. O prefeito socialista contou com o apoio do PSD desde sua primeira eleição em 2012 e, agora, tem a missão de fazer o sucessor, em 2020, em meio ao desafio de diluir a mágoa do PSD com o PSB.

 

Bom no ruim
Em jantar que ofereceu, na última quinta, a Gilberto Kassab e a aliados, André de Paula foi ao microfone externar a gratidão pelo presidente do PSD. Fez o seguinte registro: "Houve um momento em que imaginei que teria que sair da vida pública. Meu grupo político, que era liderado pelo senador Marco Maciel, passou por momento de muita dificuldade". André citou Roberto Magalhães, Joaquim Francisco, entre os que deixaram a vida pública naquele momento.
Sou grato! > André, então, lembrou que era oposição federal, estadual e municipal e precisava de um amigo que lhe desse a mão. "Encontrei esse amigo, foi o presidente Gilberto Kassab". E, então, emendou: "Você foi uma benção que Deus colocou na minha vida".
O fato > Kassab esteve pessoalmente em Pernambuco, naquela ocasião, para conversar com Eduardo Campos e explicar que não poderia dar apoio formal nacionalmente ao PSB. Mas acertou que o partido ficaria com ele no Estado, caso ele desse "conforto" eleitoral a André. “Se você ligar para mim e disser que está eleito, o partido está com ele", recordou André, narrando fala de Kassab.
Somos todos...> Só na Assembleia Legislativa de Pernambuco, quatro deputados tiveram seus celulares invadidos nos últimos dias: Joaquim Lira, Doriel Barros, Jô Cavalcanti, Sivaldo Albino e Paulo Dutra.
...hackeados > Charles Ribeiro, braço direito de André de Paula, recebeu pedido de transferência de R$ 20 mil, oriundo do celular de Joaquim, mas percebeu que havia algo errado. Na tarde de ontem, a assessoria do deputado federal João Campos informou que o celular de divulgação do mandato também fora hackeado. 

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