Ao convocar André, Kassab sinaliza sentir o abalo com PSB
Quem esteve com o dirigente assegura que apoio financeiro não faltará
Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ontem, diante de lideranças nacionais do PSD presentes, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, não arrodeou. Cravou o seguinte: "No Recife, contamos, a partir de hoje, com a pré-candidatura de André de Paula". Quem esteve com Kassab nesses dois dias de passagem dele pela Capital pernambucana afirma que apoio financeiro e partidário a André de Paula não vai faltar, se o deputado federal resolver levar adiante essa pré-candidatura. Kassab, à frente do fundo partidário da sigla, pode ser determinante nesse projeto. O PSD nasceu em meio a uma aliança sólida com o PSB, sob a benção, do, então, governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O partido de Kassab deu guarida a vários aliados de Campos, que, por alguma razão política ou eleitoral, não poderiam se filiar ao PSB. Kassab, assim, ajudou a montar a estrutura daquilo que seria a base da candidatura presidencial de Eduardo, em 2014. Eduardo, por sua vez, acatou sugestão de Kassab de considerar dar uma força ao projeto eleitoral de André de Paula, presidente do partido no Estado. Havia quem dissesse que, naquele momento, os dois partidos eram quase que uma coisa só. Hoje, Kassab sinaliza que a sólida aliança de outrora acabou abalado. Ao passar pelo Recife para inaugurar a preparação do partido para 2020, como a coluna antecipou que ocorreria, o dirigente nacional do PSD viu o prefeito Geraldo Julio fazer um gesto. O gestor tinha algumas alternativas para estar com o dirigente. Optou por ir à sede do PSD. Conversaram, na última quinta-feira, por cerca de 40 minutos. Na presença de aliados, o assunto acabou focado na esfera nacional. Passou pela relação sólida da sigla com Eduardo Campos e se estendeu um pouco ainda no estacionamento, até aonde Kassab acompanhou Geraldo. O prefeito socialista contou com o apoio do PSD desde sua primeira eleição em 2012 e, agora, tem a missão de fazer o sucessor, em 2020, em meio ao desafio de diluir a mágoa do PSD com o PSB.

