Dom, 06 de Setembro

Logo Folha de Pernambuco
Política

Apoio de Lula não é imprescindível, diz prefeito do PSB

O gestor de João Pessoa, Léo Bezerra, é o entrevistado da semana no podcast "Direto de Brasília", apresentado pelo jornalista Magno Martins

"Em João Pessoa, o presidente Lula ganhou a última eleição por cerca de mil votos", disse Bezerra (D)"Em João Pessoa, o presidente Lula ganhou a última eleição por cerca de mil votos", disse Bezerra (D) - Foto: Reprodução Youtube Folha de Pernambuco

A figura do presidente Lula (PT) não seria imprescindível na disputa para o Governo da Paraíba. Essa é a avaliação do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), aliado do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), atual pré-candidato ao Executivo estadual. Em entrevista ao podcast "Direto de Brasília", o socialista lembrou que Lula não teve uma grande vantagem de votos na capital paraibana em 2022, o que não tornaria seu apoio decisivo para uma eleição tão embolada quanto a daquele estado.

"Eu não poderia dizer que é imprescindível. Isso vai depender do PT. O ex-prefeito Cícero Lucena já colocou o seu nome. Independentemente de ter ou não o apoio do PT, a campanha dele já está na rua. Então fica difícil mensurar", afirmou Léo. "Em João Pessoa, o presidente Lula ganhou a última eleição por cerca de mil votos. E aí o peso vai depender das ações do governo federal, do investimento que ele vem fazendo em toda a Paraíba. Nos resta aguardar a decisão do presidente e de seu partido", completou.

A declaração do gestor veio um dia após o presidente gravar um vídeo declarando apoio ao ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, pré-candidato ao Governo de Pernambuco. Na Paraíba, Lula declarou apoio apenas ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que concorrerá à reeleição.

"Estamos aguardando a decisão do PT. São coisas do cenário político mesmo. Eu vi um vídeo nos últimos dias do presidente Lula falando do seu apoio ao senador Veneziano. Estamos aguardando qual vai ser a decisão nacional, respeitando cada partido. Mas a pré-campanha do prefeito Cícero já está nas ruas, não só em João Pessoa, mas em toda a Paraíba", ressaltou Léo Bezerra.

Além de Cícero, estão no páreo o governador Lucas Ribeiro (PP), que disputará a reeleição, e o senador Efraim Filho (PL). Ribeiro era o vice do ex-governador João Azevedo (PSB), que se desincompatibilizou em abril para concorrer ao Senado Federal. O prefeito de João Pessoa apoia o correligionário para a Casa Alta, mas não a reeleição do atual governador.

A situação, inclusive, tem gerado desconforto para o socialista, que tem se sentido "escanteado" pelo próprio partido. "Estou um pouco incomodado dentro do PSB. Não estou conseguindo entender. Primeiro me pedem para sair da presidência do partido, depois os vereadores começam a fazer oposição à nossa gestão, mesmo eu sendo do PSB. Meu nome é tratado como oposição. Só espero que eu não seja expulso mais uma vez do partido. Já fui expulso uma vez do PSB e foram dias traumáticos, e para voltar fui convencido pelo ex-governador João Azevedo e voltei com ele. Eu saí com ele para o Cidadania e voltei com ele para o PSB. E agora confesso que estou me sentindo escanteado. O PSB quer meu voto para senador, com João Azevêdo, mas não quer me dar o apoio em João Pessoa", desabafou Léo Bezerra.

Apesar da situação, o prefeito diz que não planeja levar a questão para João Campos. "Estou esperando uma conversa com o ex-governador João Azevêdo, que é um amigo, e tenho certeza de que ele vai me ouvir, e aí vamos tomar a melhor decisão. Mas é isso, o partido tem um prefeito, é oposição a esse prefeito e quer o voto desse prefeito para o candidato a senador. Ninguém consegue entender isso", resumiu.

"Estou aguentando tudo isso em respeito a João Azevêdo. Tenho que dizer muita coisa a ele, e sei que tenho muita coisa para ouvir dele. Sei de tudo que ele fez por mim, mas não está sendo justo o que estou passando nos últimos dias. Não recebi uma ligação de ninguém do partido me dando apoio em momento algum, pelo contrário. Estou desconfortável dentro do meu partido e estou aguentando tudo isso não em respeito ao partido, mas em respeito a João. Estou esperando essa conversa para, de maneira madura, a gente chegar a um denominador comum, se dá certo partirmos juntos ou não. Agora, nossa amizade é inabalável", concluiu o prefeito.

Veja também

Newsletter