Após confusão, audiência sobre o Pacto pela Vida é suspensa na Alepe

Cerca de 60 organizações e movimentos sociais participaram da audiência pública

Edilson Silva, deputado do PSOLEdilson Silva, deputado do PSOL - Foto: Maria Nilo/Site Roberta Jungmann

Após discussões entre deputados estaduais, foi suspensa, na manhã desta quinta-feira (25), a audiência sobre o Pacto pela Vida na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no bairro da Boa Vista, na área Central do Recife.

Cerca de 60 organizações e movimentos sociais, que integram o Fórum Popular de Segurança Pública, levaram ao local cem cruzes para representar as 2.037 mortes que ocorreram, nos últimos quatro meses, em Pernambuco. Eles participavam da reunião, convocada pela oposição, quando, por volta das 11h30, a reunião foi cancelada pelo presidente da Casa, Guilherme Uchôa (PDT).

Os movimentos sociais não concordaram com o fato de que uma liderança deles não ter assento na mesa. "Eles disseram que não tinha cadeira para o representante do movimento social sentar. A sociedade precisa ser representada", comentou a deputada Priscila Krause (DEM), que chegou a pedir um minuto de silêncio pelas vítimas de homicídios em Pernambuco.

A oposição também não concordou que apenas o secretário de Planejamento e Gestão, Márcio Stefanni, falaria pela mesa.

A coordenadora do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), Edna Jatobá, liderou a saída dos movimentos populares do plenário. "A sociedade civil não teve respeito. A gente reivindicou lugar na mesa e participação social. A gente sequer teve voz na mesa. Isso é golpe", comentou Edna.

O líder da Oposição, deputado Silvio Costa Filho (PRB) condenou o fim do debate.

“Nós lamentamos, mas não vamos encerrar esse debate. Vamos convocar nova audiência pública. Hoje foi uma operação para calar a oposição e a sociedade, mas isso não vai ficar assim”, afirmou Silvio Filho, que informou que, nesta tarde, será encaminhado, ao presidente da Casa, um pedido para uma nova audiência, em caráter de urgência.

Já o presidente da Comissão de Justiça e Direitos Humanos, Edilson Silva (PSOL), disse que “a Oposição só vai topar voltar ao debate se, realmente, houver audiência e não golpe”.

O deputado governista Romário Dias (PSD) fez referência aos confrontos ocorridos na última quarta-feira (24) em Brasília, o que provocou mais confusão.  

A audiência contou com a presença dos secretários Angelo Gioia (Defesa Social), Pedro Eurico (Justiça), o procurador-geral do Estado, César Caúla; o procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu; o comandante da Polícia Militar, Cel. Vanildo Neves; e o chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle do Amaral.

O sociólogo José Luiz Ratton, idealizador do Pacto pela Vida, também participaria da audiência, mas não foi visto pela reportagem.

Ao final da sessão, o deputado Edilson Silva ainda fez um pequeno discurso para as pessoas que compareceram à audiência.

"A sociedade quer participar, precisa estar junta, de mãos dadas. A segurança pública não vai ser resolvida só com o Governo, mas com a participação pública. O que vimos, aqui, foi um gesto de quem não está nem aí".

O deputado Silvio Costa Filho também lamentou o ocorrido, “Não é só um desrespeito à bancada da oposição, mas ao povo de Pernambuco e aos movimentos sociais. Esse governo é arrogante, intransigente e está sendo investigado pela PF”.

Silvio Filho ainda afirmou que o governo deveria ter humildade em ouvir a sociedade sobre a segurança pública, "mas eles querem atropelar todos nós”.

O deputado também criticou os parlamentares, que pedem voto aos eleitores, porém “na hora de chamar o povo pra debater eles tentam abafar uma audiência dessa”.

“Não vamos aceitar que eles calem o povo de Pernambuco. Eles têm a máquina, jogam com malandragem e com um jogo pesado. Vamos para o enfrentamento e não vamos cair o jogo deles”, completou o deputado.

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