Após confusão do IOF, governo tenta mostrar coesão

Para desfazer mal-estar gerado em torno de um possível aumento de imposto, Bolsonaro aproveitou a cerimônia de posse de presidentes de estatais para fazer um aceno público a Guedes

Presidente Jair Bolsonaro e parte de sua equipe de governoPresidente Jair Bolsonaro e parte de sua equipe de governo - Foto: Evaristo Sá/AFP

Em seu primeiro encontro público após um bate-cabeça no quarto dia de governo, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentaram dar ar de normalidade e de afinamento entre as equipes política e econômica.

Para desfazer mal-estar gerado em torno de um possível aumento de imposto, Bolsonaro aproveitou a cerimônia de posse de presidentes de estatais para fazer um aceno público a Guedes, agradecendo a ele por ter confiado em seu projeto de poder. O clima entre as equipes econômica e política azedou na sexta-feira (4), depois que Bolsonaro teve uma afirmação desmentida pelo Secretário da Receita, Marcos Cintra, que é subordinado a Guedes.

Leia também:
Sob Bolsonaro, BB e Caixa vão buscar sócios
Bolsonaro faz retrato oficial com faixa presidencial

Em evento no Palácio do Planalto que deu posse a presidentes dos bancos públicos, Bolsonaro fez um breve discurso em tom elogioso a Guedes, rememorando a forma como os dois se conheceram, antes do início da campanha.

O presidente ressaltou que não entende de economia e disse que, em contrapartida, entende mais de política. No fim da semana, Bolsonaro assistiu a desencontros de informações após ele afirmou ter assinado um decreto para aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Segundo ele, a medida serviria para compensar o aumento de gastos com a renovação de incentivos fiscais para as regiões Norte e Nordeste, assinada por ele na véspera. Cintra negou e teve a declaração endossada pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que afirmou que Bolsonaro havia se enganado.

Guedes, que estava fora de Brasília, manteve silêncio sobre o episódio e cancelou os compromissos públicos. O presidente e o ministro da Economia tiveram um encontro reservado na manhã desta segunda-feira (7), antes da cerimônia que deu posse a Rubem Novaes (Banco do Brasil), Joaquim Levy (BNDES) e Pedro Guimarães (Caixa Econômica Federal).

No evento, Bolsonaro adotou um tom de descontração e disse que o evento estava bastante disputado por envolver "os homens do dinheiro". "O evento está bastante concorrido porque são os homens do dinheiro que estão aqui, mas dessa vez é o dinheiro do bem", afirmou.

Foi quando lembrou da forma como conheceu o ministro da Economia. "E eu fui fortalecendo ao lado dele, algo que parecia que não ia acontecer pela tradição da política brasileira, na verdade, ela se concretizou", disse, relembrando a vitória nas urnas. O presidente destacou o "namoro no bom sentido".

Ao fim do evento, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, negou divergências entre Guedes e Bolsonaro e afirmou que eles haviam conversado. "Não teve rusga nem carrinho por trás nem tesoura voadora, não teve nada. Hoje de manhã, se encontrarem. Best friends [melhores amigos]. Não tem essa história", afirmou o ministro.

Além da divergência envolvendo o IOF, incomodaram também integrantes da equipe econômica as afirmações feitas por Bolsonaro sobre reforma da Previdência em entrevista ao SBT. Guedes defende uma mudança mais robusta nas aposentadorias e o emprego de um modelo de capitalização.

É esperada para esta semana uma conversa entre o presidente e ministro para tratar do projeto que modifica as regras da aposentadoria. A ideia é apresentar o texto ao Congresso Nacional em fevereiro, quando deputados e senadores eleitos tomam posse para seus mandatos.

Outro gesto conciliador adotado pela equipe do presidente foi feito entre Guedes e Onyx, que desceram a rampa presidencial lado a lado. "Todo mundo acha que tem uma discussão entre nós, uma briga. Nós somos uma equipe muito, muito sintonizada", disse Guedes.

A imagem dos dois à mesa foi divulgada pela assessoria da Casa Civil para dar ares de normalidade à relação de ambos, que já deram declarações desencontradas sobre medidas econômicas desde o período da campanha eleitoral.

Veja também

Vereador quer assistência psicológica nas escolas municipais do Recife
BLOG DA FOLHA

Vereador quer assistência psicológica nas escolas municipais do Recife

Mandatos coletivos avançam, mas ainda sob resistência; Juntas (PSOL-PE) é exemplo
Política

Mandatos coletivos avançam, mas ainda sob resistência; Juntas (PSOL-PE) é exemplo