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Investigação

Após operação da PF, deputado diz que vai demitir assessor na próxima terça-feira

Afonso Motta se reuniu com o presidente da Câmara e disse que foi oferecida assistência jurídica a ele

Deputado Afonso Motta conversou com o servidor ontem à noite, logo após ter participado de uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo MottaDeputado Afonso Motta conversou com o servidor ontem à noite, logo após ter participado de uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta - Foto: Divulgação/Câmara

O deputado Afonso Motta (PDT-RS), cujo assessor foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga cobrança de propina no uso de emendas parlamentares, declarou que vai demitir o auxiliar na próxima terça-feira.

O pedetista conversou com o servidor ontem à noite, logo após ter participado de uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

– Eu vou exonerá-lo. Eu só não podia naquela hora (ontem) precisar a sua exoneração porque não tinha falado com ele. É uma pessoa que trabalha comigo há 15 anos. Aconteceu tudo que aconteceu, cheguei do voo e fui direto falar com o presidente da Câmara e não tinha nem conversado com ele – disse ao Globo.

De acordo com o deputado do PDT, ele preferiu conversar com o assessor antes de tomar a decisão para “respeitar o direito de defesa”.

– Eu voltei para o Rio Grande do Sul hoje de manhã cedo, estou aqui, segunda-feira volto para Brasília e terça-feira vou exonerá-lo.

Ele era responsável pela coordenação do meu gabinete, tenho que ver mais alguma coisa que eu tenho que fazer em relação ao desvinculamento dele do gabinete e da Câmara por via de consequência.

A PF realizou ontem uma operação para apurar suspeitas de desvios em emendas parlamentares destinadas a hospitais do Rio Grande do Sul. As verbas foram repassadas pelo deputado Afonso Motta, que não é alvo de buscas.

O chefe de gabinete do deputado, Lino Rogério da Silva Furtado, é investigado no caso e foi alvo das buscas realizadas pela PF.

Policiais já apreenderam mais de R$ 250 mil com os alvos, sendo que R$ 10 mil estavam com o assessor do deputado.

De acordo com a PF, os supostos crimes em investigação são desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva. A operação foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Afonso Motta negou relação com o caso.

– Não sou investigado, o próprio ministro Flávio Dino fez questão de ressaltar isso.

O deputado disse ainda que a conversa com Hugo Motta foi para o presidente da Câmara prestar solidariedade em relação ao caso e falar que a Câmara está à disposição para dar assistência jurídica.

– Ele (Hugo Motta) se colocou à minha inteira disposição, da mesma forma o diretor jurídico da Câmara, e vamos assim acompanhar os fatos – disse.

O parlamentar declarou que a reunião serviu também para “esclarecimentos e troca de ideias”.

– Foi só uma conversa de solidariedade e de avaliação da ocorrência. Ele comentou comigo algumas passagens do despacho do ministro Flávio Dino, foi exclusivamente isso. Depois eu saí dali, com conhecimento maior dos fatos. Pura e simplesmente foi uma reunião de esclarecimento, de troca de ideias.

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