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Após suspensão das prévias do PSDB, Doria, Leite e Virgílio pedem retomada rápida da votação

Em consequência dos problemas na ferramenta, milhares de filiados não haviam conseguido votar até o fim do dia

Eduardo Leite, João Doria e Arthur Virgílio disputam indicação do PSDB Eduardo Leite, João Doria e Arthur Virgílio disputam indicação do PSDB  - Foto: Reprodução/Facebook/ Governo do Estado de São Paulo/ Pedro França/Agência Senado

 A escolha do candidato do PSDB à Presidência da República, prevista para este domingo, reuniu alguns elementos que marcaram a disputa interna desde o início: divergências entre os candidatos, falhas no aplicativo usado para computar os votos e ausência de um vencedor.

Em consequência dos problemas na ferramenta, milhares de filiados não haviam conseguido votar até o fim do dia, quando o presidente da legenda, Bruno Araújo, anunciou a suspensão do processo de escolha do nome que vai representar o partido nas eleições de 2022. À noite, os candidatos apenas concluíram que o processo deve ser retomado o mais rapidamente possível, porém não estipularam uma data.

A suspensão das prévias foi anunciada após uma reunião tensa, realizada na sede do PSDB, em Brasília, com a presença dos três candidatos, João Doria, governador de São Paulo; Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul; e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.



Houve bate-boca entre o chefe do Executivo paulista e o ex-deputado João Almeida, aliado de Leite. Doria o acusou de ser o responsável pela instabilidade no aplicativo. Almeida se indignou e, dedo em riste, chamou o interlocutor de “sórdido e cínico”. Na sequência, Almeida, Doria e Virgílio abandonaram a sala.

"O Doria deu um pito nele", resumiu Arthur Vírglio, que se queixou do encontro: "Fizeram uma reunião para não decidir nada."

Após a temperatura subir, Araújo pediu para que só os candidatos e os ex-presidentes da sigla permanecessem no local, e foi obedecido.

A discordância se deu em torno da melhor saída para solucionar a ineficiência da ferramenta, única alternativa à grande maioria dos filiados. Apenas os nomes mais importantes do partidos, detentores de cargos eletivos, podiam votar presencialmente nas urnas eletrônicas instaladas em Brasília. Doria e Virgílio eram favoráveis à extensão do prazo de votação até o dia 28, domingo que vem. A dupla soltou uma nota oficial para marcar posição.

Em conversa com jornalistas, Doria foi mais incisivo: "É preciso ter uma única palavra e uma atitude. Não é possível falar uma coisa e dez minutos depois outra, e quinze minutos depois outra. Só há uma atitude: que as prévias sejam concluídas no próximo domingo."

Virgílio, por sua vez, atacou o deputado Aécio Neves (MG), que estaria trabalhando em favor de Leite. "Eu considero o PSDB um caminhão de maçãs boas, mas tem uma que está estragando as outras: Aécio Neves", disse.

Já Eduardo Leite defendeu que as prévias fossem concluídas até amanhã. Para ele, se a eleição ficar para o próximo final de semana, o resultado seria “ilegítimo”.

"Não é razoável pedir o adiamento em uma semana. Queremos a sua conclusão até a terça-feira. Depois disso, estaremos diante de um novo processo, que vai ensejar a reabertura de uma nova campanha [...]. Dilatar esse prazo para até domingo que vem é uma alteração muito mais violenta que vai acabar gerando questionamentos", argumentou.

A palavra final foi dada por Araújo. Por meio de um comunicado, ele oficializou a suspensão e afirmou os votos registrados serão computados. “O PSDB definirá nova data para reabertura do processo de votação para que todos os filiados que não puderam votar neste domingo possam”, dizia o texto da nota.

O aplicativo em questão apresentou falhas já no final da semana passada, quando começou a ser baixado pelo filiados. Ontem, ainda no início da tarde, sem perspectiva de sanar a situação, o PSDB anunciou o adiamento do fim da votação, das 15h para 18h. Como a instabilidade persistiu, optou-se pela suspensão.

No primeiro momento, usuários relataram que a dificuldade se dava no reconhecimento facial. Suspeitava-se de que se tratava de uma consequência da falta de licenças de programas necessários para garantir esse funcionalidade da ferramenta. Responsável pela elaboração do aplicativo, a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, contudo, negou essa versão. A instituição não explicou, entretanto, por que o produto não funcionou como deveria.

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