Arena de Pernambuco tem missão ainda mais difícil com inquérito no STF

Custo político da obra é apenas uma das suas mazelas. O problema é conseguir tornar a Arena rentável

FEPECT realiza encontro de ex-residentes de comunidades terapêuticasFEPECT realiza encontro de ex-residentes de comunidades terapêuticas - Foto: Lucas Pizato/Divulgação

Apesar de abalar o alto escalão político pernambucano, o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) é só mais uma das dores de cabeça que a Arena de Pernambuco traz ao Estado. Afinal, o empreendimento já custou R$ 543 milhões aos cofres públicos durante a gestão malsucedida da Odebrecht. E o Estado ainda precisou assumir uma dívida de R$ 246,8 milhões nos próximos 15 anos para rescindir este contrato. Não bastasse isso, herdou também a missão de encontrar um meio rentável para o empreendimento.

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E esta tarefa tem sido mais difícil que o pensado. Ao anunciar o distrato com a Odebrecht, em junho, o Estado esperava encontrar a nova gestora privada da Arena ainda neste ano. Porém, ao assumir a gestão do empreendimento, percebeu que era preciso fazer um novo estudo de viabilidade financeira para decidir a melhor forma de administrar o estádio. E o edital que daria início a este processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas, que firmou um Termo de Ajuste de Gestão para ficar de olho na condução do empreendimento e evitar novos prejuízos. Com isso, ficou para 2017 ou até 2018 o plano de entregar o empreendimento às mãos privadas .

“Achar uma saída viável para a Arena é possível, mas depende de muitas variáveis: da investigação da PF e do novo modelo de gestão”, explica o conselheiro do TCE Dirceu Rodolfo, que, mesmo assim, credita como negativa a herança da Arena. “Foi bom ter a Copa, mas tínhamos outras prioridades. E a Arena, de certa forma, não pegou. O futebol pernambucano podia prescindir dela”, argumenta Dirceu.

O advogado André Mussalém diz ainda que o custo atual foi assumido pelo Estado lá atrás, na construção do empreendimento. "Não se fez investimento no entorno da Arena e nem será feito, porque não há recursos estadual e federal para concluir o projeto. Com esse cenário, dificilmente o empreendimento trará eventos de grande repercussão financeira para a região", acredita. Ele diz ainda não ser possível prever o custo futuro da Arena, mas lembra que, até em países desenvolvidos, estádios da Copa do Mundo viraram “elefantes brancos”.

Projetec, a parceira de muitas obras

Identificada através de um relatório da Polícia Federal, como suspeita de participação no superfaturamento e irregularidades da Arena Pernambuco, a Projetec - Projetos Tecnicos Ltda. já foi investigada por suspeita de estar em desacordo “com os critérios de eficiência e de economicidade", conforme auditoria do Tribunal de Contas da União , de 2012.

Fundada em 1966, a organização tem, desde 1990, entre os sócios, o engenheiro João Recena, correligionário e aliado político de socialistas importantes do PSB. Recena e o ex-governador Eduardo Campos foram secretários da gestão de Miguel Arraes (1995/1998) ocupando, respectivamente o Planejamento e a secretaria da Fazenda.

A corporação já conquistou diversos contratos com o Governo de Pernambuco e junto às pastas no âmbito nacional, muitos deles - questionados pela suspeita de favorecimento político negado pelas partes -, foram firmados na gestão de Campos e do, à época Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

A empresa - sócia ou proprietária de outros 27 empreendimentos- continua atuando no Estado. Ela faz, por exemplo, a fiscalização da construção do plenário e do anexo da Assembleia Legislativa. O contrato, orçado em R$ 1.894.756,79, com data final para abril de 2014, hoje, com os aditivos, chegou a R$ 2.293.942,87 e tem previsão para encerrar em janeiro. Procurado, João Recena não foi encontrado para esclarecer as acusações da PF .

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