Assessor de Temer diz que fake news é problema para a democracia

Michel Temer afirmou ser "vítima de notícias falsas" e citou o boato de que seria satanista, propagado durante as eleições de 2010.

Michel TemerMichel Temer - Foto: Beto Barata/PR

O secretário de comunicação do governo Michel Temer (MDB), Márcio Freitas, afirmou nesta terça-feira (8) que as fake news são "um problema que estamos vivendo na nossa democracia". "Nas últimas eleições o Brasil teve campanhas organizadas para difundir fake news. Isso é antidemocrático, isso é um problema que estamos vivendo na nossa democracia", disse ele em debate na Câmara dos Deputados na 12ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão.

Freitas defendeu que é necessário que haja informação qualificada nas eleições. "A gente está vivendo uma eleição que é fundamental para o futuro do país, e se a gente não tiver informação credenciada, correta, que tenha um filtro cuidadoso, criterioso, a gente vai ter sérios problemas."

Em janeiro, o presidente Michel Temer, que tem se colocado como pré-candidato à reeleição, afirmou ser "vítima de notícias falsas" e citou o boato de que seria satanista, propagado durante as eleições de 2010.

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Para o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Carlos Horbach, que também falou durante a conferência, o tribunal caminha numa "linha tênue entre a defesa e a integridade das eleições e a preservação da liberdade de expressão". Segundo ele, é preciso cuidado ao classificar notícias como fake news durante o processo eleitoral para evitar a blindagem de candidatos. "Eu acho que a gente não pode aceitar o discurso de taxar toda e qualquer crítica, toda e qualquer notícia que seja desfavorável como fake news", afirmou.

Participaram da conferência, que teve como tema "A importância da educação midiática na formação da cidadania e no combate às notícias falsas" o ministro da Transparência, Wagner Rosário, e o ex-ministro da Educação e deputado Mendonça Filho (DEM-PE). Representantes do MEC (Ministério da Educação), de faculdades e de entidades como o Instituto Palavra Aberta e a Unesco também compareceram, além de deputados e senadores.

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