Assim fica difícil impor sacrifícios à população

Caso Cabral PMDB tendência de atropelar interesses públicos

Luciano Siqueira, do PCdoB, é vice-prefeito do RecifeLuciano Siqueira, do PCdoB, é vice-prefeito do Recife - Foto: Folha de Pernambuco

Em menos de 24 horas, foram dois ex-governadores presos no Rio de Janeiro. As ações da Polícia Federal se deram, exatamente, no Estado, onde o atual chefe do Executivo, Luiz Fernando Pezão, trabalha para aprovar um antipático conjunto de medidas. Entre as propostas do pacote fiscal do gestor, está o aumento de contribuições previdenciárias de servidores e, inclusive, de aposentados, além de cortes de programas como o Aluguel Social e restaurantes populares. Enquanto a população amarga os sacrifícios, Sérgio Cabral foi apanhado pela PF, assim como Anthony Garotinho, por adoção de uma prática nefasta e comum aos dois episódios: a corrupção. No caso de Cabral, com um "plus": a ostentação. Nas palavras do juiz Sérgio Moro, "(...) por conta da gestão governamental aparentemente comprometida por corrupção e inépcia, impõe-se, à população daquele Estado, tamanhos sacrifícios, com aumento de tributos, corte de salários e de investimentos públicos e sociais. Uma versão criminosa de governantes ricos e governados pobres". Assim, ele justificou a necessidade da prisão de Cabral, aliando, a esses, ainda, outros argumentos. Difícil é convencer servidores e contribuintes do Rio de Janeiro a aceitar o chamado "pacote de maldades" de Pezão, de quem, aliás, Sérgio Cabral é padrinho político. E, agora, será ainda mais complicado.

Caso Cabral PMDB tendência de atropelar interesses públicos 

Tirando a temperatura
Ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos avalia que "a situação do Rio preocupa". Reflete: "O termômetro de tudo é o Rio de Janeiro. Foi assim na ditadura militar. O golpe explodiu no Rio de Janeiro. Essas coisas ocorrendo no Rio chamam atenção - prisões para lá e para cá e o Rio nesse estado de calamidade".
Sem surpresa > Dissidente do PMDB, Jarbas considera o partido no Rio de Janeiro como algo sempre peculiar. "O PMDB são vários. Tem um do Rio de Janeiro, que é isso aí que a gente sempre vê. Nunca causa novidades não", alfineta.
Tô sabendo > Desde a última segunda-feira, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, já sabia que o parecer da Casa com veto à reeleição para presidência iria vazar. Falou, naquele dia mesmo, com Jarbas Vasconcelos, que estava em Marrakesh, por telefone.

Digital 1 - Parlamentares avaliam que a apresentação do parecer que oferece limite à reeleição de presidente da Câmara foi algo arquitetado ainda sob orientação de Eduardo Cunha, a despeito de ele estar preso.

Digital 2 > Deputados, nas coxias, calculam que ele ainda lidera do presídio. E que o documento, requisitado em julho, também foi produzido por solicitação dele. Cunha tinha renunciado, mas ainda dominava a estrutura, dizem.
Urnas > Na Assembleia Legislativa, não se bota fé mais que Sérgio Leite possa assumir o mandato. Predomina, por lá, o entendimento de que haverá novas eleições em Ipojuca, o que inviabilizaria a saída de Pedro Serafim Neto da Alepe.
Olho na vaga > A oposição na Casa de Joaquim Nabuco quer preservar os espaços que já domina na Mesa Diretora. A terceira secretaria, hoje ocupada por Romário Dias, está na mira. O deputado deixou a oposição e, hoje, integra a ala governista, no PSD.

Experiência > O Encontro da Advocacia Pública de Pernambuco, que ocorre hoje, traz o ex-ministro José Eduardo Cardozo para falar sobre os limites éticos na defesa de um gestor. Na mesma mesa, estará o ex-presidente da OAB-PE, Pedro Henrique Reynaldo Alves. O encontro será às 17h30, na Escola Superior de Advocacia, no bairro de Santo Antônio.

 

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