Ataque a grupo com 2,4 milhões de mulheres contra Bolsonaro é investigado

Elas utilizavam o espaço para discussão política e, também, articular um protesto nacional contra o deputado federal. Marcado para às 14h do próximo dia 29 em várias capitais brasileiras, o ato do Recife terá concentração na Praça do Derby

Mulheres contra Bolsonaro Mulheres contra Bolsonaro  - Foto: Reprodução/Facebook

Atacada durante boa parte da sexta-feira e tomada por hackers na noite deste sábado (16), a página de Facebook "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro", criada por eleitoras que rejeitam o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), é alvo de uma batalha ideológica e digital. Restaurada no início da tarde deste domingo (17), logo foi derrubada novamente.

O grupo, que havia sido criado há duas semanas e reuniu mais de 2,4 milhões de mulheres como participantes, teve o nome mudado no ataque para "Mulheres com Bolsonaro #17", as administradoras foram excluídas e a foto de capa da página foi alterada para uma foto de Jair Bolsonaro com uma bandeira do Brasil, gerando indignação e reação por parte de mulheres de todo o Brasil.

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Elas utilizavam o espaço para discussão política e, também, articular um protesto nacional contra o deputado federal. Marcado para às 14h do próximo dia 29 em várias capitais brasileiras, o ato do Recife terá concentração na Praça do Derby.

Eventos em todo o Brasil


Ataque é investigado
Uma das administradoras que teve os dados hackeados registrou um Boletim de Ocorrência na delegacia de Vitória da Conquista, cidade do sudoeste baiano. O caso será investigado pelo Grupo Especializado de Repressão a Crimes por Meios Eletrônicos da Polícia Civil da Bahia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, ainda não há informações sobre a autoria do ataque.

Em nota, o Facebook informou que suspendeu o grupo da rede social online após o ataque dos hackers. "O grupo foi temporariamente removido após detectarmos atividade suspeita. Estamos trabalhando para esclarecer o que aconteceu e restaurar o grupo às administradoras".

Repercussão
Durante todo o fim de semana milhares de pessoas protestaram contra o ataque nas redes sociais, levando a hashtag #MulheresContraOBolsonaro para os trending topics -assuntos mais comentados- mundial do Twitter. Também foram usadas as hashtags #EleNão e #EleNunca nos protestos nas redes sociais contra Bolsonaro.

Um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), desqualificou a criação do grupo contra o candidato. Ele disse que a página inicialmente era de teor cômico e teve seu nome alterado para a crítica ao presidenciável. No entanto a informação foi desmentida pelo próprio porta-voz do Facebook, que atestou o fato de ela ter sido iniciada no dia 30 de agosto.

A presidenciável Marina Silva (Rede) foi uma das que manifestaram solidariedade às mulheres do grupo contra Bolsonaro.  "O ciberataque contra o grupo é uma demonstração de como ditaduras operam. Qualquer ato autoritário é inaceitável, venha de onde vier, seja contra quem for. Toda minha solidariedade ao grupo. Que essa covardia seja investigada e punida", afirmou Marina.

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