Ataques ao Inpe ocorreram também na gestão Lula, diz Galvão

Asunto foi mote de telefonema com Marina Silva

Ex-Pres. do Inep, Ricardo GalvãoEx-Pres. do Inep, Ricardo Galvão - Foto: Rodolfo Moreira/Futura Press/Folhapress

O assunto foi mote de uma conversa recente de cerca de 50 minutos entre o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, e a ex-ministra Marina Silva. Galvão foi demitido do governo após fazer alerta sobre desmatamento que desagradou o presidente Jair Bolsonaro. Marina é a porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, que protocolou no STF pedido de impeachment do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. "Foi muito interassante essa conversa", definiu Ricardo Galvão em entrevista ao programa Folha Política, da Rádio Folha FM 96,7. E advertiu: "Nós precisamos separar essa questão de preservação da Amazônia, esse movimento agora, de ideologias políticas". Galvão, então, diz que o mesmo ataque que o Inpe está sofrendo agora, "mas não de forma tão intensa", ocorreu no governo Lula. Ele explica o seguinte: em 2008, o Inpe mostrara que, do crescente desmatamento da Amazônia, 50% tinha se dado no Mato Grosso. "O, então, governador Blairo Maggi acusou o Inpe da mesma coisa, de que os dados eram mentirosos, de que nós estávamos trabalhando para orgãos estrangeiros, qualquer coisa desse tipo", detalha Galvão. A diferença daquele momento para o atual, segundo ele, é que, ali, "Marina Silva atuou fortemente", compara. O ex-diretor do Inpe relata que a ex-ministra do Meio Ambiente pediu uma reunião com o, então, presidente Lula, com o, então, governador Blairo Maggi e com o, então, diretor do Inpe, Gilberto Câmara. "Foi uma discussão grande", sublinha Galvão. E realça: "O presidente Lula até perguntou se, talvez, o serviço não deveria ser retirado do Inpe e, por insistência da ministra Marina Silva, fizeram um sobrevoo sobre as regiões nas quais o Inpe estava indicando ter desmatamento e todos os argumentos do Blairo Maggi caíram por terra". Esse episódio foi citado por Marina no diálogo para argumentar que o governo poderia ter tomado atitude similar no momento atual. "Nos primeiros dados que estávamos dando sobre aumento de desmatamento, fizesse um sobrevoo. Não é caro fazer isso. Então, não fizeram e continuaram atacando", registra Galvão. A conversa recente com Marina Silva ao telefone girou em torno dessas reflexões. Sobre a preservação da Amazônia, Ricardo defende: "Nós temos que responder sempre com intensidade, independente de quem está no governo".

"Isso é infantilidade"
"Se temos da ordem de 7.500 focos na dimensão da Amazônia com a intensidade dos focos, essas ONGs teriam que gastar recursos enormes para ir aos locais botar fogo". A avaliação é de Roberto Galvão em relação ao presidente Jair Bolsonaro ter dito que ONGs podem estar por trás das queimadas. "Isso é simplesmente uma infantilidade do governo enorme", critica Galvão.
Sintomas > Nas hostes socialistas, crescem os rumores de que o secretário da Casa Civil, Nilton Mota, estaria cada vez mais dando sinais de que pode deixar a função. Correligionários observaram que ele não foi ao Todos por Pernambuco, uns dizem que foi por motivo de Saúde, outros que a ausência seria parte do processo de adeus.
"Procura-se" > Há quem aposte que Nilton já teria comunicado a saída do cargo. Aliados já dão conta da ausência dele na articulação política. "Vai ser preciso por uma placa de procura-se", brinca um parlamentar bem-humorado.
Atenção à causa > O secretário de Desenvolvimento Social, Sileno Guedes, comanda, até a próxima quarta, a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência. Entre os principais pontos da programação, está o Seminário Estadual da Pessoa com Deficiência, que ocorre na terça. “Maior inclusão, respeito às diferenças e uma sociedade com possibilidades para todos é o que buscamos com a realização da Semana", enfatiza o secretário.

 

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