Auditoria contratada pela Caixa sugere investigar presidente do banco

A equipe de investigação sugere que seja averiguada a suposta atuação de Gilberto Occhi "visando à obtenção de propinas por parte de políticos do PP

Sede da Caixa Econômica Federal em BrasíliaSede da Caixa Econômica Federal em Brasília - Foto: Divulgação

Uma investigação independente contratada pela Caixa Econômica Federal recomendou que o banco dê continuidade à apuração sobre suspeitas de que o presidente da instituição, Gilberto Occhi, tenha pedido propina para repassar a seu partido, o PP. O trabalho foi produzido pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto, a pedido de um comitê independente da Caixa.

Leia tembém
Meirelles: conselho da Caixa decidirá sobre saída definitiva de vice-presidentes
Temer decide afastar vice-presidentes da Caixa por 15 dias
BC sugere afastamento de vices da Caixa por suspeita de corrupção


A equipe de investigação sugere que seja averiguada a suposta atuação de Occhi "visando à obtenção de propinas por parte de políticos do PP, no período em que ele ocupou a VIGOV (Vice-presidência de Governo), entre setembro de 2013 e maio de 2014". As acusações têm como base depoimentos prestados pelo corretor Lúcio Funaro à 10ª Vara Federal.

Funaro, que firmou acordo de delação com a Justiça, afirmou que Occhi tinha uma "meta de propina" para repassar ao PP. "Qualquer verba da Caixa para sair, tudo quanto é verba do governo, tinha que passar pela diretoria dele. Tinha que passar na vice-presidência dele", disse Funaro, em relação à atuação de Occhi. "E ele tinha uma meta, que não sei de quanto era. Meta de propina", disse o delator.

A apuração paralela foi encomendada pelo comitê independente da Caixa ao escritório de advocacia Pinheiro Neto à empresa de investigação privada Kroll e à auditoria PwC. O documento expôs os vínculos da atual cúpula com políticos investigados e mostrou como tem funcionado o balcão de favores do banco.

O material corrobora suspeitas do MPF (Ministério Público Federal) que pediu em dezembro do ano passado que o governo afastasse todos os vice-presidentes para que a escolha passe a ser feita por critérios técnicos. O presidente Michel Temer decidiu nesta terça-feira (16) afastar quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa devido a suspeitas de corrupção e outras irregularidades. A decisão do Palácio do Planalto ocorreu depois a Folha revelar que o Banco Central recomendou o afastamento, corroborando pedido anterior do MPF.

Por meio de nota, a Caixa afirmou que, sobre a fala de Funaro, "não há nenhum elemento que ligue o presidente da CAIXA, Gilberto Occhi a qualquer irregularidade. Além disso, é importante lembrar que inexiste qualquer menção ao nome do presidente nos documentos existentes na investigação do MPF".

Veja também

Bolsonaro evita ataques, mas STF mantém ritmo de derrotas ao governo
Política

Bolsonaro evita ataques, mas STF mantém ritmo de derrotas ao governo

Convidado para chefiar missão no Líbano, Temer precisa de autorização para sair do país
EX-PRESIDENTE

Convidado para chefiar missão no Líbano, Temer precisa de autorização para sair do país