Auxiliares descartam contato de Lula e Trump após EUA classificar CV e PCC como terroristas
Ministro diz que governo foi surpreendido por decisão e que contato não seria justificado neste momento
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartam, neste momento, uma conversa direta entre o petista e o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, após a decisão do país americano em classificar PCC e CV como organizações terroristas. Um ministro argumenta que Lula e Trump estiveram juntos há um mês, e que o governo brasileiro foi pego de surpresa pela decisão. Numa avaliação inicial, não justificaria, por ora, que o presidente buscasse o homólogo americano para conversar.
De acordo com aliados de Lula, é preciso cautela nos próximos passos, para evitar que o conflito escale e resulte em novas sanções do governo americano, a exemplo das tarifas sobre os produtos brasileiros. A situação será avaliada de perto e um contato mais adiante entre as duas autoridades pode ser considerado, dizem aliados. O presidente solicitou, na semana passada, levantamentos a ministros de pastas estratégicas para subsidiar as próximas ações, entre eles Dario Durigan (Fazenda) e Wellington César Lima e Silva (Ministério da Justiça e Segurança Pública).
Um interlocutor do chefe do Executivo diz que as negociações devem ser conduzidas, principalmente, pelo Itamaraty. Durigan afirmou nesta segunda-feira que deve entrar em contato com autoridades dos EUA ainda nesta semana para esclarecer essa decisão.
"Nós não vamos deixar de fazer esforços, essa semana eu devo entrar em contato com as autoridades dos Estados Unidos para esclarecer o que está acontecendo. O presidente Lula foi o primeiro a dizer que precisamos aumentar o combate deste tipo de organização criminosa, agora a gente vai colocar isso em risco agora? A troco de quê?", afirmou o ministro da Fazenda em entrevista à rádio CBN.
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A decisão do governo americano foi anunciada na semana passada, dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, ter se reunido com Trump.
O governo brasileiro teme os impactos dessa decisão para a economia brasileira, sobretudo no setor do agronegócio, e na própria soberania brasileira. Neste contexto, também entra a preocupação com o Pix, já que a ferramenta tem sido alvo de questionamentos por americanos.
O receio é relacionado a uma possível alegação por parte de autoridades americanas de que esse tipo de transação facilita a circulação de dinheiro do crime organizado, o que poderia servir de argumento para eventuais sanções a bancos e demais instituições financeiras por onde transitam recursos via Pix.

