Avesso a comida crua, Bolsonaro evita culinária local em viagem ao Japão

Após uma caminhada pela rua considerada o coração da cultura pop japonesa, o presidente foi parar em hamburgueria de origem americana

Jair Bolsonaro, presidente do BrasilJair Bolsonaro, presidente do Brasil - Foto: José Dias / PR

O presidente Jair Bolsonaro ironizou a Folha de S. Paulo e divulgou fotografia preparando macarrão instantâneo em seu quarto de hotel no Japão.

Na quarta-feira (23), a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem sobre o presidente ter recorrido à comida pré-cozida em sua viagem ao continente asiático.

"Parabéns à Folha de São Paulo. Essa matéria não é Fake News", escreveu o presidente nas redes sociais, divulgando fotografia na qual cozinha o alimento instantâneo.

Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro faz recorrentes ataques à Folha de S. Paulo por reportagens do jornal, entre elas da servidora fantasma de seu gabinete como deputado federal e o o esquema de candidaturas laranja do PSL em Minas Gerais.

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Avesso a comida crua, o presidente faz questão de estar sempre munido de pacotes de macarrão instantâneo em seus périplos internacionais.

O item, que não costuma faltar nas dezenas de bagagens transportadas pela comitiva do presidente, tornou-se indispensável na viagem de dez dias que ele faz pela Ásia.

Segundo assessores presidenciais, os sabores pizza e churrasco são seus favoritos.

Na segunda-feira (21), primeiro dia da viagem a Tóquio, uma das cidades com maior número de restaurantes premiados no mundo, Bolsonaro brincou que não comeria carne no país devido às restrições à entrada da proteína brasileira no Japão, que tem preferência pela australiana.

Após uma caminhada pela rua considerada o coração da cultura pop japonesa, no entanto, o presidente não teve saída. Sem comer sushi ou sashimi, foi parar em hamburgueria de origem americana.

"Peixe só se for frito", disse. "Não gosto da comida à base de peixe, sem ser peixe frito ou ensopado." Na terça-feira (22), Bolsonaro foi convidado de honra em banquete oferecido pelo novo imperador japonês, Naruhito, para o qual foram cerca de 2.000 pessoas, entre monarcas e outras autoridades estrangeiras.

Com cardápio real baseado em peixes e moluscos, não deu outra. Ele acabou recorrendo ao macarrão instantâneo, que foi preparado por um auxiliar presidencial no próprio hotel em que a comitiva brasileira está hospedada.

"Não comi nada ontem. Eu acho que comi 5% do que pintou na mesa ali. E não tinha baiacu ou tambaqui", disse. "Nós fizemos ontem ali [macarrão instantâneo]. O cozinheiro é cada dia um, às vezes sou eu também."

Sem falar inglês, o presidente brincou que, no banquete imperial, conversou com autoridades que falam português e espanhol, como o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, e a rainha da Holanda, Máxima Cerruti, que nasceu na Argentina.

Nesta quinta-feira (24) (noite de quarta-feira no Brasil), o presidente confirmou que pouco comeu em outro jantar, desta vez um banquete oferecido pelo premiê japonês, Shinzo Abe. Ele havia afirmado que recorreria ao macarrão instantâneo, mas disse que acabou se alimentando de carne com batatas fritas.

"Com fome, eu como qualquer coisa. Mas enquanto tiver miojo lamen, fico no macarrão aqui", disse.

Antes do jantar, Bolsonaro tinha avisado que estava preparado para o caso de não gostar do cardápio oferecido.

"Trouxe de novo [macarrão instantâneo ao Japão]. Se você quiser jantar comigo hoje", disse o presidente, fazendo um convite à Folha de S. Paulo.

Horas depois, no entanto, um assessor do Palácio do Planalto informou que, devido à agenda apertada, Bolsonaro teve de desmarcar o "jantar informal", mas que haverá "outras oportunidades".

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