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Bancada do PSDB na Câmara dos Vereadores de São Paulo deve sofrer debandada na janela partidária

Segundo levantamento do Globo, partido deve perder pelo menos metade de seus representantes

Plenário da Câmara Municipal de São Paulo; PSDB tem a maior bancada ao lado do PTPlenário da Câmara Municipal de São Paulo; PSDB tem a maior bancada ao lado do PT - Foto: Acervo da CMSP

O PSDB deve perder o posto de maior bancada de vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, posição que mantém desde 2020, ao lado do PT — ambos elegeram oito representantes na última eleição municipal. Segundo levantamento do Globo, pelo menos metade dos vereadores tucanos planejam deixar a legenda durante a janela partidária, período no qual políticos com mandatos eletivos podem mudar de sigla sem perder seus mandatos. A janela ocorrerá entre 7 de março e 5 de abril.

Entre os motivos citados pelos vereadores para deixar o partido estão a falta de comunicação com a direção partidária, a ausência de uma chapa de vereadores e a incerteza sobre os rumos do PSDB na capital. A bancada deseja apoiar o prefeito Ricardo Nunes (MDB), pré-candidato à reeleição, porém, o partido ainda não definiu se irá apoiar a candidatura do emedebista, lançar um candidato próprio ou se aliar à deputada federal e pré-candidata do PSB, Tabata Amaral.

Diante da crescente insatisfação, vereadores já estão em negociação para se filiarem a outras legendas que compõem a base do prefeito. As opções mais cogitadas são o próprio MDB, do qual Nunes faz parte, o PSD, liderado por Gilberto Kassab, e o União Brasil, partido presidido por Milton Leite, presidente da Câmara, e que atualmente conta com sete cadeiras na Casa.

O Globo questionou todos os oito vereadores da bancada sobre a permanência no partido. Cinco deles responderam e, destes, quatro admitiram que pretendem deixar a sigla: João Jorge, Fabio Riva, Sandra Santana e Aurélio Nomura. Xexéu Tripoli é o único que, por enquanto, rejeita essa possibilidade.

"Existe uma janela para trocar de legenda. Vou esperar até o último momento para saber como o partido vai montar a chapa de vereador" diz o tucano, para quem o único motivo que justificaria o desembarque é a falta de organização nas eleições. "Não preciso tomar uma decisão agora".

Na lista dos que estão prontos para abandonar o partido está o líder do governo na Câmara Municipal, Fabio Riva, que estuda migrar para o MDB durante a janela partidária. Segundo ele, até o momento, o PSDB não se organizou para a eleição municipal de outubro. Riva destaca que, faltando menos de oito meses para a disputa, sequer foi formada a chapa de vereadores — ou seja, não há definição sobre quais serão os seus candidatos ao Legislativo da maior cidade do país.

"Ninguém tem conhecimento da lista dos eventuais candidatos. Essa construção sempre começa um ano anos da eleição, quando a direção procura os vereadores e tenta trazer novos quadros" afirma Riva, que cita outras insatisfações. "Não há nenhuma interlocução da direção do partido com a bancada de vereadores. Tem uma eleição batendo na porta e ninguém nos procura. Estamos entendendo que o próprio partido não nos quer. Além disso, nós não sabemos o que o partido está pensando. A bancada quer apoiar o prefeito, mas o PSDB não fez nenhum gesto" completa.

Vice-presidente da Câmara Municipal, posição de destaque, João Jorge diz que não fica no PSDB sob nenhuma hipótese. Ele analisa o convite de três legendas: MDB, PSD, União Brasil. Ao GLOBO, o vereador, que é tucano há 32 anos, disse que o partido está "sem rumo, projeto ou perspectiva".

"Ninguém monta a chapa. Isso inviabiliza qualquer chance eleitoral dos vereadores. O PSDB nunca chegou a uma eleição numa situação tão ruim. Cogitar trazer de volta o Andrea Matarazzo, que foi um fiasco em 2020, é prova disso. O partido precisa se reciclar, fazer uma fusão com outra legenda. Corre o risco de não conseguir fazer uma cadeira sequer em São Paulo. É lamentável" diz João Jorge, que também critica a demora para definir sobre o apoio à reeleição de Ricardo Nunes.

Sandra Santana, que em 29 anos de vida pública foi filiada apenas ao PSDB, disse que deixará a legenda "triste". Assim como outros colegas da Câmara, sua escolha foi influenciada pela incerteza em relação aos rumos da eleição em São Paulo, mas não apenas isso: a falta de diálogo com a direção do partido também teve um peso significativo.

"Se tivemos dois encontros com o presidente do diretório municipal nos últimos três anos foi muito" conta a vereadora.

Em seu sétimo mandato mandato na Casa, Aurélio Nomura também diz que a tendência, hoje, é se desfiliar do PSDB. Além de endossar as críticas feitas pelos colegas, ele lembra que a legenda está sem um presidente no diretório municipal. Orlando Faria, que havia assumido interinamente, deixou o comando da sigla em janeiro para integrar a coordenação política da pré-campanha de Tabata.

"Não temos presidente, estamos sem qualquer comunicação com a (executiva) Nacional. Enquanto isso, os outros partidos estão trabalhando em candidaturas" avalia Nomura.

Os vereadores tucanos Rute Costa e Gilson Barreto não quiseram se manifestar. A primeira, segundo apurou O Globo, recebeu convite para voltar ao PSD ou se filiar ao PL. Já Carlos Bezerra Jr. — que é secretário de Ricardo Nunes, mas vai retomar o mandato em abril — não respondeu à reportagem. Segundo aliados, ele foi aconselhado pelo prefeito a seguir no PSDB.

Vantagem para Tabata
A campanha de Tabata Amaral encara com otimismo a debandada da bancada do PSDB na Câmara Municipal. Para seus aliados, os vereadores que deixarão o partido estão mais alinhados com o prefeito Ricardo Nunes. Sem eles, a resistência ao nome da deputada federal tenderia a diminuir.

Orlando Faria, que lidera a articulação para trazer o PSDB para a chapa de Tabata, argumenta que o partido não tem a ganhar ao se aliar a Ricardo Nunes, que deve ter o PL como seu parceiro de vice. Ele já conseguiu trazer para a campanha de Tabata membros ligados à gestão Bruno Covas, como Luiz Alvaro, que ocupou os cargos de secretário de Relações Internacionais e presidente da SPTuris durante o mandato do tucano, e Vivian Satiro, que foi secretária de Planejamento e Entregas do ex-prefeito.

"Se quiser ser protagonista em São Paulo, o PSDB precisa lançar um candidato próprio ou estar numa posição de destaque. Com o Nunes isso é impossível. Mas com a Tabata há espaço para uma parceria com protagonismo" diz Faria.

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