Base de Temer ameaça rachar

A eleição para presidente da Câmara gerou insatisfações de partidos aliados, que ameaçam atrapalhar os planos do governo

O clima esquentou na base após Rodrigo Maia afirmar que o DEM e o PSDB serão os condutores das reformas de TemerO clima esquentou na base após Rodrigo Maia afirmar que o DEM e o PSDB serão os condutores das reformas de Temer - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ano legislativo começa nesta semana com o governo de Michel Temer enfrentando arestas decorrentes da eleição que, na última quinta-feira, reconduziu Rodrigo Maia (DEM-RJ) para mais dois anos no comando da Câmara dos Deputados. Apesar do êxito, pois o Planalto apoiou Maia nos bastidores, partidos governistas que foram derrotados e o PMDB, sigla do próprio Temer, demonstram insatisfação. Os alvos da ala contrariada são Maia e o PSDB.

O primeiro derrotou o "centrão", união de siglas governistas médias, que rachou na disputa e agora tende a se dissolver. O segundo assumiu a articulação política da gestão Temer, com a posse de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) na Secretaria de Governo, ampliando as reclamações do PMDB de que o partido tem pouco espaço na Esplanada dos Ministérios.
O clima esquentou após Maia declarar, na última sexta-feira, que DEM e PSDB serão os condutores e garantidores das reformas de Temer. No mesmo dia, ele também disse que o presidente precisa arbitrar a briga por cargos dentro de seu partido.

A menção aos peemedebistas levou deputados da sigla a fazerem críticas inflamadas contra o presidente da Câmara. "Foi uma declaração no mínimo infeliz. O PMDB sabe cuidar de seus próprios problemas, não precisamos de conselho externo", disse o deputado Baleia Rossi (SP), líder da bancada.
Parlamentares de outros partidos também reclamaram da suposta hegemonia de PSDB e DEM. "Tenho certeza de que o presidente Rodrigo Maia não quis dizer isso, porque as reformas só passarão com o voto de mais de 308 deputados. Esses deputados irão liderar as reformas", diz Rogério Rosso (PSD), do grupo derrotado por Maia.
Já o presidente da Câmara e integrantes do Planalto afirmam não acreditar que as insatisfações tenham reflexo na votação das reformas. A da Previdência, que altera a Constituição, precisa do apoio de pelo menos 60% dos deputados para ser aprovada.
O governo diz que em menos de uma semana irá aparar as arestas com o que restou do "centrão" - basicamente, Jovair Arantes (PTB-GO), que recebeu 105 votos na disputa pela presidência da Câmara (Maia teve 293). O petebista, que já recebeu um telefonema de Temer, diz ter sido vítima de "atropelamento fora do comum", na eleição, por parte de integrantes do Palácio do Planalto. Integrante do "centrão", o PP pode ficar com a liderança do governo na Câmara. Maia afirmou acreditar que os problemas serão rapidamente resolvidos. "Todos os partidos vão estar representados de forma efetiva", colocou o novo presidente da Câmara.

 

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