Base de Temer comandará País

Resultado das urnas no segundo turno traz alívio para governo: aliados vão liderar mais de 70% da população

Deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE)Deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE) - Foto: Chico Ferreira/Divulgação

 

Os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff e hoje formam a base do governo de Michel Temer vão comandar a grande maioria da população do País. Algo em torno de 74%, se levado em conta a população de 153 milhões que, a partir do próximo dia 1 de janeiro, passará a ser geridas por prefeitos cujas legendas têm assento na Esplanada.

Mas na visão de auxiliares do Palácio do Planalto, o resultado é importante, principalmente, porque dá ao presidente o “respaldo necessário” na condução do Brasil para um “caminho de pacificação”, conforme afirmou o secretário do Programa de Parceria de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.
“O resultado das eleições dão ao presidente Temer o retrato de uma sociedade que quer a pacificação.O Brasil vive um ambiente de muita intolerância, sobretudo política. Nunca tivemos um ambiente assim antes como vivemos agora”, afirmou Moreira Franco, durante palestra para empresários, em São Paulo.
O Planalto comemorou o resultado do segundo turno, realizado no último domingo, que consolidou a base do governo - mais de 70% do eleitorado do País é governado por partidos aliados de Temer.
Esse fortalecimento é importante para o governo federal em um momento em que ele busca aprovar medidas sensíveis no Congresso, como a PEC do teto de gastos e a reforma da Previdência. O PT foi o grande derrotado da votação nos municípios. O partido não conseguiu eleger nenhum candidato nem mesmo na região do ABCD, seu berço político.
Dos 57 municípios onde houve segundo turno, siglas aliadas ao governo elegeram 46 prefeitos - sendo 12 em capitais. Ao todo, contando o resultado do primeiro turno, foram 4.446 eleitos. A conta inclui PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB, PR, DEM, PTB, PPS, PRB e PV.
Ônus
O Palácio do Planalto comemora a consolidação da ampla base, mas deixa claro que espera dos aliados disposição em “dividir o ônus” para enfrentar a crise. “A pior coisa do mundo é aliado fraco. Aliado forte ajuda a carregar o ônus de enfrentar a crise”, afirmou o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).
Auxiliares de Temer admitem que os prefeitos devem aproveitar que fazem parte da base para pressionar o governo federal por socorro financeiro, visto que diversos municípios enfrentam situação fiscal difícil. Os ministros, porém, afirmam que os aliados “têm responsabilidade fiscal” e “sabem os limites” do governo.
“Os adversários também pediriam (dinheiro para equilibrar as contas públicas), mas é melhor ser pressionado por aliado do que por adversário”, disse Geddel. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, concorda com o colega de Esplanada e diz que o eleitor mostrou, no pleito municipal, que reconhece a importância da responsabilidade fiscal.
“Não há mais espaço para medidas irresponsáveis na área econômica, e os novos prefeitos, nossos aliados, sa­bem disso. Recuperar o País é o melhor caminho pa­ra ajudar governadores e prefeitos”, afirmou Padilha, que conclui: “O discurso do golpe não teve ressonância na população. Prevaleceu a responsabilidade, o que vai ajudar o trabalho que o presidente está fazendo para recuperar o País”, disse Padilha.

 

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