Seg, 08 de Dezembro

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BRASIL

Bate-boca e pedido de prisão: como foi a sessão da CPI que ouviu o "Careca do INSS"

Empresário foi ouvido pelo colegiado, sob acusação de ter operado fraudes na Previdência

Antônio Carlos Camilo Antunes na CPI do INSS Antônio Carlos Camilo Antunes na CPI do INSS  - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A sessão da CPI do INSS em que foi ouvido o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, teve bate-boca, pedido de prisão e de quebra de sigilo. Preso preventivamente no último dia 12, Antunes afirmou que não cometeu os crimes dos quais é acusado e que a sua prisão é fundamentada “em mentiras”. O empresário é apontado como um dos principais operadores das fraudes e desvios de recursos da Previdência.

De uma cela da Polícia Federal em Brasília, Antunes chegou ao Senado respaldado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o autorizava a ficar em silêncio. Assim, ele afirmou que responderia aos congressistas, mas se manteria em silêncio para perguntas feitas pelo relator do colegiado, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

— Em depoimentos anteriores, o relator disse que eu era um ladrão, o que mostra que é tendencioso. Por isso, não o responderei — afirmou o empresário.

Ao tomar a fala, Gaspar subiu o tom e repetiu a acusação, o que gerou um entrevero com o advogado do empresário, Kleber Lopes. A sessão precisou ser suspensa menos de 15 minutos após ter começado.

 

— Estamos diante do maior ladrão dos aposentados e pensionistas desse país — disse o relator.

O advogado disse que se tratava de desrespeito e retiraria seu cliente da CPI, caso este fosse o tom adotado. Membro do colegiado, o deputado Zé Trovão (PL-SC) se levantou e disse para o defensor permanecer calado, indo em direção a ele. Nesse momento, a presidência da CPI interrompeu a sessão por cinco minutos, e Zé Trovão precisou ser contido por policiais legislativos.

O vice-presidente da CPI, deputado Duarte Junior (PSB-MA), tentou acalmar os ânimos, e o depoimento foi retomado. A presença de Antunes, que pela primeira vez falou publicamente sobre o caso, era uma das mais aguardadas pela comissão. Na última segunda-feira, o empresário já havia negado ter cometido qualquer irregularidade quando prestou depoimento à Polícia Federal.

— Desde o início, mantive uma defesa técnica, os meus endereços disponíveis e total disposição para colaborar — disse Antunes aos parlamentares. — Sou o maior interessado em esclarecer os fatos. O indivíduo com o qual mantive relações comerciais, espalhou uma série de inverdades. As premissas que fundamentaram minha prisão são equivocadas. Sou um empreendedor nato e não tenho relação com governos, seja ele municipal, estadual ou federal.

Mesmo sem ser respondido, o relator quis saber do empresário quem foi “padrinho político” que lhe abriu as portas da direção do INSS.

— Qual foi o cacique, qual foi o padrinho político que lhe colocou aqui para discutir o futuro da Previdência brasileira — questionou, apontando para uma foto em que Antunes aparecia com dirigentes do INSS.

O relator também levou ao colegiado uma denúncia de ameaça feita por um ex-funcionário de Antunes à Polícia Civil de São Paulo. Em boletim de ocorrência feito no último dia 2 pelo 23º Distrito Policial de Perdizes, o homem afirmou que o empresário o procurou para que ele o entregasse “celulares, notebooks e um iPad” que teriam informações sigilosas. Os dois teriam brigado, e o bate-boca descambou para uma ameaça de morte. O depoimento da testemunha foi citado pela Polícia Federal para pedir a prisão de Antunes, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores afirmaram ainda ter identificado que Antunes comprou uma casa nos Estados Unidos e viajaria para o exterior. O empresário negou as irregularidades e disse estar sendo alvo de extorsão por parte do acusador, que teria mentido à polícia.

Na quinta-feira, a CPI do INSS aprovou requerimentos para a quebra de sigilo bancário e para encaminhar ao STF um pedido de prisão preventiva do advogado Nelson Willians, que foi alvo de operação da PF por suspeita de participar das fraudes no instituto. O escritório dele prestou serviços para o empresário Maurício Camisotti, que é apontado na investigação como beneficiário das fraudes na Previdência, o que ele nega.

Essa não é a primeira vez que a CPI do INSS aprova um pedido de prisão preventiva; já foram mais de 20 solicitações, mas apenas uma decisão judicial pode fazer valer a solicitação. Em nota, a defesa d e Willians afirmou que ele tem “reiterado sua disposição de colaborar com todas as autoridades competentes” e que acompanhará o trâmite com serenidade.

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