Beto Albuquerque formaliza intenção de concorrer ao Planalto

Joaquim Barbosa, dentro do PSB, é visto como uma incógnita. Não se sabe se ele iria se enquadrar na dinâmica partidária

Beto Albuquerque é vice-presidente nacional do PSBBeto Albuquerque é vice-presidente nacional do PSB - Foto: PSB/Divulgação

Com 32 anos de militância no PSB, o gaúcho Beto Albuquerque, que foi vice de Marina Silva em 2014, deve entregar, hoje, documento ao presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, formalizando intenção de concorrer à Presidência da República. Ele se colocará à disposição para o caso de o partido bater o martelo na hipótese de candidatura própria. A iniciativa de Beto chega quando se avoluma no partido o debate sobre o ingresso do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, na sigla para concorrer ao Planalto. Ainda que a densidade eleitoral de Barbosa possa ser maior, paira no partido uma preocupação com o fato de ele não ter vivência partidária.

O ex-ministro é visto como uma incógnita dentro da legenda e levanta interrogações sobre como seria a convivência partidária. De toda forma, Barbosa também não decidiu ainda e Beto, que tem o PSB como o único partido, será um nome, além de Aldo Rebelo - que ingressou "ontem" nas hostes socialistas - disposto a representar a sigla na corrida presidencial. O PSB avalia três caminhos: ter um nome próprio; apoiar candidato de outra legenda ou adotar neutralidade nacional, com apoio informal a outro partido. A terceira opção deixaria o PSB à vontade para fazer alianças regionais mais convenientes. O partido considera que terá candidatos competitivos em pelo menos oito estados. Enquanto aguarda resposta de Joaquim, o PSB parece se estruturar mais no sentido de apresentar candidatura própria no primeiro turno e, se for o caso, se unir a partidos de esquerda no segundo. Mas um acerto com Joaquim Barbosa vai ficando mais complicado.

Uma questão de timing
Quando Carlos Siqueira procurou Joaquim Barbosa lá atrás, a situação na sigla era mais confortável para a entrada dele, mediante imposição de não disputar internamente com ninguém. De lá para cá, já tem o ex-ministro Aldo Rebelo na fila e, agora, Beto Albuquerque.

Resistência > Além dos fatores Aldo e Beto, recentemente, fontes socialistas chegaram a fazer cálculo, conforme publicou a coluna do Estadão, de que o partido teria que destinar R$ 30 milhões dos R$ 118,8 milhões do fundo eleitoral à candidatura própria, o que reduziria o repasse a candidatos a governador.

Não por isso > O deputado federal Tadeu Alencar tachou a tese do cálculo orçamentário de "infeliz" e defendeu que a pessoa que o fez deveria "assumir". "É de uma miopia", avalia. E prossegue: "Joaquim Barbosa pode até não vir, mas não será por isso". Para Tadeu, "isso (orçamento) é um ingrediente logístico, não é insumo decisório", assinala.

Reação 1 > Diante da análise feita pelo presidente do PSDB-PE, Bruno Araújo, à coluna, de que, "por uma aliança nacional, dado o tamanho do PSB, o PSDB para entregar São Paulo, ainda teria que ter troco", o deputado Tadeu Alencar reage.

Reação 2 > "Na mesma lógica de Bruno, do tamanho de São Paulo, a cadeira de governador do Estado tem importância grande por motivos ditos por Bruno. Até por isso, Márcio França vai ser ator político importante na eleição de São Paulo e no projeto nacional de Alckmin", pontua o socialista.

Risco 1 > Tadeu prossegue: "Essa ação de subestimar o PSB para quem tenta construir aliança, que facilmente pode tomar feição conservadora, é estratégia equivocada".

Risco 2 > "Se o PSB não tem tamanho, importância, por que o governador (Alckmin) alimenta essa possibilidade?", indaga Tadeu e completa: "O presidente (Alckmin) do partido pensa diferente dele (Bruno)".

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