Jornalista Angelo Castelo Branco
Jornalista Angelo Castelo BrancoFoto: Divulgação / APL

Por Angelo Castelo Branco

O trabalho em pleno curso há seis anos conduzido pelo professor de Ciência Política e de Direito Constitucional na UFPE, PhD pela Universidade de New York e vereador do Recife, André Régis, focado no complexo universo do ensino fundamental público, é visto por personalidades como o ex-senador Cristóvão Buarque e o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso como algo que além de inédito deve servir de exemplo ao resto do Brasil.

Pela primeira vez um parlamentar municipal lidera uma equipe formada por pessoas com nível acadêmico que se dispõe e realizar um raio-X do ensino público objetivando apontar as causas e os efeitos de deficiências crônicas no segmento cuja desenvoltura determina a qualidade de vida de uma nação. Desde a precariedade da estrutura física da rede até as dificuldades de aprendizado enfrentadas pelas crianças, agravadas pela obstrução funcional ao trabalho dos professores, são itens dissecados por critérios pautados na realidade.

Autor de um projeto denominado Lei da Responsabilidade Escolar incluindo plantas arquitetônicas produzidas pela arquiteta do gabinete, Claudia Soares, com base em estudos técnicos comparativos de modernas redes escolares em grandes centros do país e do exterior, a tese voltada para o Recife defende racionalmente a construção de uma nova rede escolar composta por unidades de grande porte em pontos estratégicos da capital. O mergulho da equipe nesse tema é surpreendente.

Muito além de meras denúncias verbais, as ações da equipe anexam propostas factíveis ilustradas com vídeos, fotos, relatórios precisos e pareceres técnicos enviados continuadamente às autoridades do ministério público, do tribunal de contas e da prefeitura recifense apontando soluções que uma vez implementadas podem nivelar o ensino público do Recife às melhores escolas privadas. Algo que agrega valor social consequente em resposta aos clamores ouvidos Brasil afora.

A precisão e o perfeccionismo do Raio-X das Escolas abrangem itens reveladores de práticas mantenedoras de inaceitáveis diferenças sociais decorrentes sobretudo da negligência dos poderes públicos para com as crianças pobres do Recife.

A violação dos direitos humanos das crianças está explícita todos os dias nos espaços improvisados para abrigar escolas em casas alugadas e sem condições mínimas de oferecer higiene, segurança, áreas de recreio, refeitórios, conforto, acesso para deficientes, etc. Faz ressalvas ao evidenciar a herança ruim de décadas de descaso e negligências para com a escola pública, que recai sobre gestores púbicos.

O ineditismo desse trabalho também surpreende ao revelar inclusive a temperatura e a luminosidade em todas as salas de aula das 320 escolas e nas 80 creches administradas pelo poder público municipal do Recife. Infiltrações, banheiros entupidos, rachaduras em paredes, furos em tetos, calor excessivo, grades que remetem a sistemas prisionais, são muitas as adversidades que impedem o aprendizado e o trabalho dos professores.

A visita ao site Raio-X das Escolas deixa muito claro que a solução do impasse escolar público passa pela coragem de se promover uma ruptura com o atual sistema de educação e se inaugurar um novo modelo e um novo tempo para o futuro das nossas crianças pobres.

A transição para uma rede capaz de ensinar e zerar o fosso entre a escola pública e a escola particular seria assegurada por vauches temporários disponibilizados para matrículas de alunos pobres em unidades privadas enquanto novos complexos educacionais estariam sendo erguidos no Recife.


*Angelo Castelo Branco é jornalista.

Governador Paulo Câmara (PSB) na 3ª Caravana da Educação
Governador Paulo Câmara (PSB) na 3ª Caravana da EducaçãoFoto: Hélia Scheppa/PSB

O governdador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) acompanhou, na manhã desta terça (19), a reunião de Pactuação de Metas, uma das atividades mais importantes do calendário anual da Secretaria Estadual de Educação. A atividade que integrou a 3ª edição da Caravana da Educação e foi realizada na Escola Técnica Estadual (ETE) Cícero Dias/NAVE Recife, o encontro reuniu todos os gestores escolares da GRE Recife Sul, que discutiram estratégias e prioridades para o ano, visando o aprimoramento das metas estipuladas pelo Governo do Estado para a educação em Pernambuco.

O circuito de atividades e a reunião de Pactuação de Metas são promovidos pela Secretaria Estadual de Educação e Esportes, em parceria com a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Em 2018, a ação movimentou mais de 20 mil gestores, professores e estudantes da rede estadual.

“A gente faz questão de acompanhar a Caravana de Educação, porque sabe que não se faz educação sozinho. A integração da cultura, dos esportes e todo esse ambiente escolar em movimento e a unidade com professores, gestores e alunos pode fazer uma grande diferença, como a gente tem visto na educação pública de Pernambuco nos últimos anos”, destacou o governador.

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“A integração entre educação, cultura e esporte é o diferencial da formação dos nossos jovens. E é isso que a gente quer: que eles possam ser os grandes responsáveis por mudanças no futuro de Pernambuco”, cravou Paulo Câmara, acompanhado da vice-governadora Luciana Santos.

Também acompanharam o governador durante a agenda os deputados estaduais Eriberto Medeiros (presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco), Paulo Dutra e Antônio Fernando; os secretários executivos de Educação Maria Medeiros, Severino Andrade, Ednaldo Moura e João Charamba; o secretário executivo de Esportes Diego Pérez; e o secretário de Educação do Recife, Bernardo Almeida.

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Crédito: Hélia Scheppa/PSB

Deputado Paulo Dutra (PSB) é vice-presidente da Comissão de Educação da Alepe
Deputado Paulo Dutra (PSB) é vice-presidente da Comissão de Educação da AlepeFoto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

No programa Folha Política, desta terça-feira (19), o prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, do PSB, falou sobre os preparativos para a próxima Marcha dos Prefeitos reforçou o discurso a favor do Pacto Federativo; a transposição do Rio São Francisco e Transnordestina.
  
Educação também foi tema do Folha Política, que também conversou com o deputado estadual pelo PSB, Paulo Dutra, vice-presidente da Comissão de Educação da Assembleia, que falou sobre a situação das escolas de Pernambuco e as políticas públicas que devem ser implantadas na área pelo Governo do Estado.

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Humberto Costa (PT) é o líder do PT no Senado pela quinta vez
Humberto Costa (PT) é o líder do PT no Senado pela quinta vezFoto: Ricardo Stuckert Filho

Na avaliação do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), é a de que a Reforma da Previdência é a injustiça do projeto com os mais pobres e a posição contrária dos governadores do Nordeste ao teor da proposta devem levar o projeto a naufragar ainda na Câmara dos Deputados. "Do jeito que está, isso não passa. É inaceitável o que querem fazer aos mais pobres, estabelecendo menos da metade de um mínimo para os idosos com 60 anos, o que querem fazer aos trabalhadores rurais, às mulheres, aos professores", afirma Humberto.
  
Para Humberto, a proposta do Governo Bolsonaro leva, os mais pobres a trabalharem, em média, cerca de 11 anos a mais que do trabalhadores de classe média, que começam as atividades mais tarde, por exemplo. “Os mais pobres, normalmente, começam a trabalhar mais cedo, muitas vezes em empregos que demandam mais, inclusive fisicamente. Mas vão ter de cumprir um tempo excessivo de idade e contribuição para receberem a integralidade do benefício ao fim da vida. Isso leva os mais pobres a trabalharem 30% mais do que um trabalhador da classe média”, afirmou o senador.

De acordo com o projeto, o trabalhador precisará contribuir por 40 anos para ter direito à aposentadoria integral, além de ter que cumprir a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. “A Reforma da Previdência é um projeto cheio de distorções, que aprofunda as desigualdades já existentes no país e que foi produzido sem qualquer diálogo com a sociedade”, disse Humberto.

Para o senador, a proposta encontra muita resistência no Congresso Nacional. “O governo não terá vida fácil com essa proposta. Até mesmo dentro de sua base, há parlamentares contrários à medida. A sociedade civil também já está começando a se mobilizar para derrubar essa reforma. Não vamos permitir que esse retrocesso seja aprovado no Congresso. Estamos unindo forças e vamos seguir na luta.”

Navio Jack Joseph é um dos maiores porta contêineres que opera em Suape
Navio Jack Joseph é um dos maiores porta contêineres que opera em SuapeFoto: Lucas Oliveira/ Suape

O Complexo Industrial Portuário de Suape permanece líder em contêineres no Norte/Nordeste, com 454.721 TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentados em 2018. Depois de estudos recentes da Universidade de São Paulo (USP), a Marinha do Brasil autorizou o porto pernambucano a receber os navios regulares porta contêineres de maiores dimensões disponíveis na América do Sul (classe SAMMAX, de até 336 metros de comprimento, 48 metros de largura e calado máximo de 14,5 metros), como também embarcações previstas para chegar ao País no início do próximo ano (NEW PANAMAX, de 366 metros de comprimento, 52 metros de largura e calado máximo de 15,2 metros).

“A indústria naval vem se aprimorando e precisamos acompanhar esse desenvolvimento. Receber esses megaconteineiros é condição primordial para que Suape exerça sua vocação de hub port no segmento. E as parcerias com a Praticagem de Pernambuco e a Capitania dos Portos de Pernambuco foram fundamentais para habilitar o porto nesse processo”, disse o presidente do complexo, Leonardo Cerquinho. Até então, Suape estava apto a receber navios de contêiner de até 305 metros de comprimento e 48 metros de largura, com capacidade de até 8 mil TEUs. A classe SAMMAX tem capacidade de 9,7 mil TEUs e a NEW PANAMAX, de 14 mil TEUs.
A novidade é uma das vantagens competitivas que o porto apresenta na 25ª edição da Intermodal South America, maior feira internacional de logística, transporte de cargas e comércio exterior, que acontece desta terça-feira (19) até quinta-feira (21), em São Paulo. É fundamental, inclusive, para o maior projeto de arrendamento portuário em curso no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do Governo Federal: o segundo terminal de contêineres (Tecon II). O New Panamax é o navio projeto do Tecon II, ou seja, o mais adequado para operar no local. A Capitania avaliará as condições para utilização das embarcações de maior porte (climáticas e de infraestrutura) antes da atracação.

O edital de licitação do terminal deve ser lançado ainda neste semestre e o leilão deve ocorrer no segundo semestre. O equipamento mais que dobrará a capacidade do terminal atual, de 700 mil TEUs, para 1,7 milhão de TEUs e deve receber investimentos de R$ 1,2 bilhão. Ele terá 770 metros de cais e dois berços de atracação, numa área de 269 mil metros quadrados, com possibilidade de expansão de mais de 160 mil metros quadrados. O contrato de arrendamento será de 25 anos, prorrogável até 70 anos, e seu valor global estimado é de R$ 5,495 bilhões.

Há inúmeras outras vantagens competitivas que fazem o Porto de Suape manter a liderança nacional na cabotagem e na movimentação de granéis líquidos, entre os 30 portos públicos do País, assim como na movimentação total entre os portos públicos do Norte e Nordeste, com 23,4 milhões de cargas movimentadas em 2018, ficando em 5º lugar no ranking de movimentação entre os portos nacionais.

A posição estratégica é uma delas. O ancoradouro está a um raio de 800 quilômetros de sete entre as nove capitais do Nordeste e de 12 aeroportos (seis internacionais), com linhas diretas para países da Europa, América do Sul e do Norte. Seu porto interno tem profundidade entre 12 e 15,5 metros e o externo, de 15,5 a 20 metros. Além disso, é um porto abrigado com assoreamento mínimo e mantém um prédio da Autoridade Portuária, que concentra todos os órgãos intervenientes no local, o que reduz o tempo de liberação de navios e cargas. O espaço de Suape na Intermodal fica na Rua 10, estande 30.

 O ancoradouro está a um raio de 800 quilômetros de sete entre as nove capitais do Nordeste e de 12 aeroportos (seis internacionais), com linhas diretas para países da Europa, América do Sul e do Norte

O ancoradouro está a um raio de 800 quilômetros de sete entre as nove capitais do Nordeste e de 12 aeroportos (seis internacionais), com linhas diretas para países da Europa, América do Sul e do Norte - Crédito: Rafael Medeiros/ Porto de Suape

Nascida e criada no bairro de Água Fria, Erica Maluguinho é deputada estadual pelo PSOL, em São Paulo,
Nascida e criada no bairro de Água Fria, Erica Maluguinho é deputada estadual pelo PSOL, em São Paulo,Foto: Divulgação/ Facebook

"Mulher, negra, trans, nordestina. Mulher, negra, trans, nordestina. Mulher, negra, trans, nordestina."

Primeira deputada transexual da história da Assembleia Legislativa de São Paulo, Erica Malunguinho, 37, reclama que toda reportagem sobre ela coloca após seu nome a sequência de palavras "mulher, negra, trans, nordestina".

"Jura que sou assim?!", ironiza a parlamentar do PSOL, que marcou a entrevista com a reportagem no café Por Um Punhado de Dólares, no centro de São Paulo, decorado com camisetas estampadas com Lula Livre, #EleNão, Haddad, CUT, MST e o símbolo do Corinthians.

"É preciso debater por que sou apresentada dessa forma. Isso torna as bandeiras estanques e é, inclusive, um desrespeito. Nas nossas construções ancestrais históricas, não havia nada disso."

Em seu perfil no Facebook, entretanto, escreve: "Esse corpo é preto, de mulher, trans e nordestino". É uma reafirmação por enquanto necessária, ela pondera, para lembrar "os grupos apagados da cidadania".

Desde a eleição, apresenta-se como Mandata Quilombo. Ao mudar "mandato", um substantivo masculino, para o feminino, despreza a gramática da língua portuguesa em prol do que considera ser uma atitude política.

Suas causas são as do movimento LGBT. É a mesma lógica que a faz usar eventualmente o "X" no lugar do "O". "Vocês vão entrevistar todxs os deputadxs?", perguntou à reportagem, utilizando a troca que tem se tornado comum em meio ao feminismo e às discussões sobre gênero.

Já o Quilombo, que seria, digamos, o sobrenome da Mandata, carimba o compromisso com o movimento negro. Em 2016, abriu no bairro de Campos Elíseos, na região central, um espaço que chama de quilombo urbano, com debates e eventos culturais em torno da comunidade negra.

O nome do espaço é Aparelha Luzia. Aparelha faz menção aos aparelhos, esconderijos utilizados por movimentos de esquerda na época da ditadura militar no Brasil. Luzia é uma referência ao crânio humano mais antigo do continente americano.

Ali, quem não é negro tem que "negociar a entrada". Não é racismo, segundo Erica, mas resposta a ele.

"É uma negociação de pertencimento, não é impossibilidade da entrada. Nós, pessoas negras, LGBTs, estamos constantemente negociando nosso pertencimento. Quando vamos a bairros brancos, e isso existe, claro, temos que pensar na roupa, no cabelo. E há lugares que efetivamente impedem nossa entrada", afirma ela, citando casos de violência recentes contra negros, como o da advogada Valéria dos Santos, algemada durante uma audiência, e a morte do jovem Pedro Gonzaga, golpeado por um segurança de supermercado, ambos no Rio.

Segundo Erica, já houve problemas na Aparelha com pessoas brancas "que tentaram fotografar moradores de rua", que costumam frequentar o local, "e os corpos de mulheres pretas". "Também já aconteceu de desrespeitarem nossa chef de cozinha e de não me considerarem como uma gestora, um ser político", afirma.

Ela admite que "a Aparelha é um erro do ponto de vista da sociedade". "Mas é um acerto considerando como a sociedade organizou a sua sociabilidade. Lugares de resistência não deveriam existir. Mas existem porque são necessários", diz.

"É preciso haver espaços de proteção, onde os corpos negros possam estar livres e seguros. E, para isso, é necessário que pessoas que não pertencem à comunidade negra ou não são racialmente letradas saibam do que se trata. Não podemos ser vistos com exotismo, como objetos, como corpos que podem ser tocados de qualquer forma."

UM GAROTO GAY

As questões raciais e de gênero estão fortemente presentes na formação de Erica. "Filha de mãe solteira", termo que ela ressalta, nasceu em Água Fria, um bairro de periferia do Recife, em Pernambuco.

A mãe, que hoje tem 74 anos, "foi a escolhida da família para estudar, algo comum em famílias negras, com acesso escasso a recursos", ela conta. Fez então magistério, deu aulas e depois se tornou enfermeira. A discussão política sempre foi presente na família.
"Meus avós, precarizados do ponto de vista social e econômico, eram muito engajados politicamente. Quando o governador Miguel Arraes foi preso na ditadura, minha avó ficou dias na porta da delegacia." Essa avó morreu no ano em que Erica nasceu. "Minha mãe fala que ela renasceu em mim."

Na reta final do ensino fundamental, em escola pública, Erica precisava escolher entre o técnico ou o científico, normalmente a opção de quem tem planos de fazer uma faculdade. "Uma professora me disse que nunca viu pobre fazer científico, então escolhi técnico em contabilidade."

Na adolescência, era um garoto gay que já questionava o gênero. Ainda como uma espécie de performance artística, vestia-se de mulher e andava pelas ruas para observar a reação das pessoas. O preconceito, diz, vinha de todos os lados e teve problemas certa vez quando foi a um bar gay de elite na capital pernambucana.

"Toda vez que eu saía do berço da comunidade negra, quando tinha que ir a festas, bibliotecas, cinema, shopping, tinha que negociar minha presença porque esses lugares de sociabilidade da classe média são estruturas de poder brancas."

Mudou-se para São Paulo e conseguiu uma bolsa do governo federal para cursar pedagogia no Instituto Singularidades, considerado de vanguarda na formação de professores.

Socióloga e educadora, Gisela Wajskop, 61, foi a fundadora da instituição e se lembra bem de Erickson da Silva, nome de registro de Erica, que só mais tarde iria se tornar transexual.

"Era um bom aluno e sempre foi muito questionador e atormentado com diferentes questões. A de gênero se mostrava naquele momento mais presente do que a negritude, e debatíamos muito nas aulas."

Ela foi a sua orientadora no TCC (trabalho de conclusão de curso). "Ele queria estudar a questão de gênero na primeiríssima infância. Acreditava que, desde pequena, a criança deveria ser educada sem gênero, sabendo que pode escolher. Era algo muito ousado para aquele começo dos anos 2000, quando pouco se falava sobre isso na educação, e foi algo que ele antecipou, até porque era uma questão dele."

Mas terminou por abandonar a ideia. "Havia impedimento inclusive por parte das escolas, era algo arriscado", lembra Gisela. O título final do seu TCC foi "As marcas da cultura escolar na constituição de uma docência".

Já a dissertação de mestrado, que terminou em 2017 e assinou como Erica Malunguinho, foi sobre arte clássica e contemporânea africana. Com orientação de Denise Dias Barros, especializada em antropologia das sociedades africanas, recebeu o título pela Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP.

Erica, no entanto, prefere não mencionar o nome das universidades onde estudou. "Eu me recuso a receber carimbos das instituições que estão legitimadas pelo pacto do eurocentrismo e da branquitude. Não foram elas que me colocaram nesse lugar, muito pelo contrário, talvez tenham me ensinado a não ser quem eu sou."

Para ela, as instituições "não têm que receber bônus das figuras que somos". "Quem tem que receber esse bônus é minha mãe, as lutas históricas do movimento negro, a nação Palmares, o candomblé..." Está no candomblé, aliás, a origem do sobrenome que escolheu como figura pública, Malunguinho, entidade da religião que segue.

Erica já deu aula para crianças, adolescentes, em escolas públicas e privadas, e na formação de professores, sempre associando arte, cultura, educação e política.

'SOCIALIZOU POUCO'

A deputada conta que sempre teve simpatia pela esquerda, mas a filiação ao PSOL ocorreu apenas pouco antes do processo eleitoral. Para a campanha, recebeu do fundo partidário R$ 5.000 e fez piada com a quantia em um debate recente: "Esse valor foi disponibilizado por um partido socialista só que não... Socializou pouco".

Com poucas doações e um crowdfunding, espécie de vaquinha online, conseguiu um orçamento de apenas pouco mais de R$ 20 mil. Com uma verba irrisória diante do teto de gasto de R$ 1 milhão permitido por lei para a campanha de deputados estatuais, foi eleita com 55.223 votos.

Não atribui o resultado apenas às redes sociais. "Eu tinha pouco mais de 15 mil seguidores no Instagram na eleição. Não é uma matemática simples. As pessoas acordaram que é necessário que esse discurso esteja em disputa na narrativa da política.

 Assim como temos figuras extremamente conservadoras, violentas, que não se importam com quem não está no poder, há aquelas no contraponto extremo, como eu, que tenho como fundamento a emancipação coletiva."

A deputada diz que irá formar seu gabinete com representantes dos grupos que promete defender. Prevê que não será fácil aprovar seus projetos, dentre eles o turismo social a quilombos e a criação de mecanismos de incentivo à inclusão LGBT no mercado de trabalho.

Em uma palestra que postou no seu Facebook, falou com bom humor do que considera obstáculos a enfrentar em todo o trâmite legislativo: "Eu fico imaginando chegar para Janaina Paschoal e dizer: 'Janaina, quero passar meus projetos maravilhosos", referindo-se à deputada do conservador PSL.

"Isso para chegar à plenária. Depois tem que conseguir aqueles votos impossíveis e, se aprovado, ainda tem o governador, que vai dizer: 'Quero não'. A não ser que a gente lance um novo vídeo dele, mais picante por favor", zombou, em menção ao vídeo que surgiu na campanha com um homem com o rosto parecido ao de João Doria (PSDB) participando de uma orgia, que o governador afirmou ser montagem.

Seu voto para a presidência será da colega do PSOL Mônica da Bancada Ativista, representante de um mandato coletivo, algo inédito, com nove integrantes, chamados codeputados, dentre os quais Erika Hilton, negra e transexual, também defensora de causas do movimento negro e do LGBT.

Erica Malunguinho tem no seu perfil uma coletânea de declarações do presidente Jair Bolsonaro contra gays, uma delas em que afirma "sou homofóbico, sim", e aponta o discurso bolsonarista como incentivador de crimes de homofobia.

Desde a eleição, tem evitado se expor demasiadamente nas redes sociais, onde diz ser constantemente ameaçada. Afirma que tenta se proteger também nas ruas, mas evita falar em medo.

"Não tenho medo, tenho luta. Eu nasci morta segundo o sistema." Ao final da entrevista, já de pé, se volta e completa o raciocínio: "Eu nasci morta para o sistema, mas estou viva. Porque o maior ato de resistência é um corpo negro vivo".

PERFIL

Idade: 37 anos
Nascimento: Recife (PE)
Partido: PSOL (coligação PSOL/PCB)
Estado civil: Solteira
Cor/raça: Preta
Grau de instrução: Superior completo
Ocupação: Artista plástica
Reeleição: Não
Descrição dos bens declarados do parlamentar: Outros bens e direitos
Valor declarado dos bens: R$ 50 mil

Deputado Wanderson Florêncio é presidente da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Deputado Wanderson Florêncio é presidente da Comissão de Meio Ambiente e SustentabilidadeFoto: Wesley D'Almeida

A Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) vai realizar, até a próxima sexta-feira (22), eventos com o objetivo de chamar atenção da sociedade para a preservação da água em nosso Estado.

A exposição fotográfica Água para todos: não deixe ninguém para trás, sobre o Rio Capibaribe, do fotógrafo Wesley D’Almeida, abriu a Semana de Preservação da Água na Alepe.
  
A mostra fotográfica está sendo realizada no hall de entrada do edifício Miguel Arraes, da Alepe, na Rua da União. As fotografias são um relato da situação atual do rio, desde a sua nascente, em Poção, no Agreste pernambucano, até o encontro com o mar, no Recife. “É um assunto de grande importância para a população do nosso Estado, um rio que passa por 42 municípios. Ela chama atenção de todos para a importância do trabalho de preservação”, afirmou o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade Wanderson Florêncio.

Em seguida, a Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade se reuniu para a apresentação do Projeto de Lei do ICMS Socioambiental, onde foram tiradas as dúvidas dos deputados presentes. “É importante ressaltar que não se trata de um novo imposto e sim uma repartição de um recurso que já existe e pode ser fundamental para os municípios que possuam projetos ambientais”, disse Wanderson Florêncio.

Durante toda a semana serão realizados eventos dentro e fora da Alepe sobre a preservação da água. Confira abaixo a programação completa:

19/03 – Terça-feira

14h – Visita de alunos do Ginásio Pernambucano à Alepe para participar da exposição fotográfica e assistir à Reunião Plenária.

20/03 – Quarta-feira

16h – Audiência Pública da Comissão de Meio Ambiente com o tema “O Acesso à Água e os Riscos das Barragens em Pernambuco”, no auditório Ênio Guerra, 4º andar do Anexo II da Alepe.

21/03 – Quinta-feira

15h – Palestra na Escola Estadual Silva Jardim, na Praça do Monteiro, com entrega de gibi educativo de conscientização da preservação da água.

22/03 – Sexta-feira


10h30 – Visita da Comissão de Meio Ambiente ao Rio Capibaribe, acompanhada pela ONG Recapibaribe e por pescadores que vivem nas Colônias. Encontro será realizado, na Rua da Aurora, à frente do Museu Palácio Joaquim Nabuco.

Confira as principais manchetes de hoje
Confira as principais manchetes de hojeFoto: Divulgação

Folha de Pernambuco: "O Perigo Corta um Bairro"

Jornal do Commercio: "Começa nova fase na relação Brasil e EUA"

Diario de Pernambuco: "Bolsonaro quer apoio dos EUA para 'libertar' Venezuela"

Folha de S. Paulo: "Judicialização na saúde sobe 130% no país em uma década"

O Estado de S. Paulo: "Bolsonaro e generais agem para evitar divisão entre militares"

O Globo: "Bolsonaro propõe aliança com os EUA e se compara a Trump"

Estado de Minas: "Investigados trocam acusações"

O Tempo: "Registros de armas em Minas crescem 50%"

Correio do Povo: "Turistas dos EUA, Canadá, Japão e Austrália ficam longe do visto"

Extra: "Ex-aluno planejava atentado em colégio público da Zona Norte"

Zero Hora: "Bolsonaro diz que Brasil está de mãos estendidas aos EUA"

Valor Econômico: "Plano prevê Porto de Santos sem ingerência de políticos"

A Tribuna: "Quadrilha vende dinheiro falso até para fora do Estado"

Correio Braziliense: "Bolsonaro quer os EUA como principal parceiro"

TSE comemora 87 anos com série de vídeos com curiosidades
TSE comemora 87 anos com série de vídeos com curiosidadesFoto: Divulgação

Para marcar o anivesário de 87 anos da criação, o TSE preparou uma série de vídeos com curiosidades sobre a Justiça Eleitoral. Fatos inusitados e casos super curiosos que marcaram as eleições ao longo desses anos, estão na série de vídeos "87 Coisas Que Você Não Sabe Sobre a Justiça Eleitoral".

De forma bem humorada, os vídeos relatam fatos como o rinoceronte cacareco que teve 100 mil votos nas eleições de São Paulo em 1959, do patrocínio das eleições por uma marca de cerveja até a candidatura do apresentador Silvio Santos, em 1989.
Confira:





Veja os demais vídeos, no link a seguir:

87 coisas que você não sabia sobre a Justiça Eleitoral

Geraldo Alckmin
Geraldo AlckminFoto: Daniel Ramalho/AFP

O PSDB Nacional, através do presidente do partido, Geraldo Alckmin, por meio de nota, pede a célere apuração dos fatos e a punição dos culpado do o assassinato a tiros do vereador Adalberto Carlos de Souza, o Beto Souza (PSDB), em Floresta, no Sertão de Pernambuco.

Beto Souza tinha 51 anos e teve seu nome ventilado para ser candidato a prefeito nas eleições de 2020.

Leia abaixo a íntegra da nota:

A direção nacional do PSDB lamenta profundamente a morte trágica do vereador de Floresta (PE), Alberto Carlos de Souza (PSDB).

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Bruno Araújo cotado para presidência nacional do PSDB

Nos solidarizamos com a família e amigos do vereador. Esperamos que, em breve, as circunstâncias que motivaram o crime bárbaro sejam apuradas e os culpados punidos.

Beto Souza, como era conhecido foi assassinado a tiros no início da tarde deste domingo (17), na Fazenda Tabuada, na zona rural de Floresta, no Sertão de Pernambuco.

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