Alex Ribeiro
Alex RibeiroFoto: Divulgação Facebook

* Por Alex Ribeiro, jornalista, cientista político e doutorando pela UFBA

As últimas pesquisas sobre a corrida presidencial apontam o fim da polarização do PT e PSDB. A estabilização do candidato Jair Bolsonaro (PSL) na liderança é a principal variável para fortalecer a chance de uma terceira via. Com a sua ascensão, o campo da centro direita esta desestabilizado e Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece em quarto lugar nos últimos levantamentos, tenta usar de todas as estratégias para chegar ao segundo turno.

Podemos levantar algumas hipóteses sobre o fim da hegemonia do PT e PSDB. A primeira é que o antilulismo está ligado a Bolsonaro e não mais aos tucanos. O candidato do PSL faz discursos fortes contra os petistas – perigosos até como uma possível fraude eleitoral. O seu último vídeo dentro do hospital com diversas acusações contra o Partido dos Trabalhadores trouxe uma polarização ainda maior entre as duas legendas.

A segunda hipótese é a estratégica equivocada do PSDB pela aliança com o presidente Michel Temer (PMDB). Nesse caso, a aversão ao peemedebista é maior que o antilulismo. Alguns analistas avaliam que a força partidária dos tucanos ainda podem mudar os rumos da corrida eleitoral – como foi o caso da eleição de 2014 quando Aécio Neves chegou no segundo turno e deixou Michel Temer (PMDB para trás. No entanto, as tendências das últimas pesquisas apontam que Geraldo Alckmin está oscilando para baixo e possivelmente seus ataques conjuntos contra Lula e Bolsonaro nas recentes propagandas eleitorais podem não surtir efeito a curto prazo.

A terceira hipótese está a força do lulismo em contraponto aqueles que buscam uma alternativa de voto diante dos quadros de Jair Bolsonaro, Fernando Haddad e Alckmin. O postulante Ciro Gomes é o que atrai mais votos deste eleitores e, por conta disso, mantém seu percentual pouco acima dos 10%. No entanto, por estar dentro do campo da centro esquerda sua candidatura não deve decolar, ou seja, a força do ex-presidente Lula ainda é considerável e com isso mantém uma base eleitoral forte. Em resumo: sem o apoio do líder-mor do PT dificilmente algum candidato tido como progressista terá sucesso nas urnas.

Diante dessas hipóteses é possível afirmar que dificilmente a conjuntura eleitoral mantida nas últimas eleições deve continuar. Com pouco mais de duas semanas para o pleito a terceira via, representada por Jair Bolsonaro, mudará o paradigma da corrida presidencial. O tempo de TV e rádio e as forças das máquinas partidárias não serão suficientes para um sucesso eleitoral.

Vale lembrar que as conjunturas são modificadas quando existem rompimentos no campo político. As consequências do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) são as principais causas do momento conturbado do País. E quando existem descontinuidades no processo normal do estado democrático surge o personalismo exacerbado. E a História do Brasil republicano mostra que a estabilidade fica longe de ser realizada com a atuação desses atores políticos.

Armando Monteiro (PTB) x Paulo Câmara (PSB)
Armando Monteiro (PTB) x Paulo Câmara (PSB)Foto: Divulgação/Folha de Pernambuco

Os cenários das pesquisas anteriores que colocavam o governador e candidato à reeleição, Paulo Câmara (PSB), na liderança isolada da corrida ao Governo do Estado, mudou de tonalidade com a última pesquisa Datafolha, que aponta para um empate técnico do socialista com o senador Armando Monteiro (PDT) - o socialista aparece com 35% e o senador agora tem 31% dos votos, empatados, portanto, na margem de erro, que é de 3%.

Esse novo levantamento rapidamente surtiu efeito nas estratégias de campanha, que elevaram o tom dos ataques, de ambos os lados. Nesta sexta (21), a troca de farpas foi intensa. Primeiro, a campanha de Armando enviou uma nota, denunciando a divulgação de material incluindo "jornais de seus apoiadores distribuídos gratuitamente em sinais de trânsito, vídeos disparados nas redes sociais e peças de caráter anônimo circulando pelo WhatsApp", diz trecho da nota enviada. Segundo a campanha de Armando, a frente Popular estaria disseminando notícias falsas para atingir a imagem do senador. "Os adversários iniciaram uma campanha suja, mentirosa e baseada em fake news e na distorção da realidade", reclamam.

A assessoria de Paulo Câmara rapidamente respondeu, repudiando o que chamou de "desrespeitosa e mentirosa nota" enviada pela Coligação Pernambuco Vai Mudar. "Os elementos listados pela Turma de Temer em Pernambuco dizem respeito justamente às práticas desse grupo, que diuturnamente espalham boatos e mentiras contra o governador Paulo Câmara, em uma campanha difamatória via telefonemas anônimos e fake news - instrumentos próprios de quem prevê a derrota".

Ao que tudo indica, a reta final de campanha será marcada pelo acirramento e permeada por acusações e ataques aos adversários, além da corrida para convencer eleitores indecisos e reverter votos brancos e nulos, que podem determinar a vitória para qualquer um dos lados.

Confira as notas, na íntegra:

"NOTA DA COLIGAÇÃO PERNAMBUCO VAI MUDAR

Desesperados com crescimento de Armando, adversários apelam para a baixaria
Com o crescimento de Armando Monteiro nas pesquisas e a aproximação do dia da eleição, os adversários iniciaram uma campanha suja, mentirosa e baseada em fake news e na distorção da realidade. O desespero dos adversários se traduz em jornais de seus apoiadores distribuídos gratuitamente em sinais de trânsito, vídeos disparados nas redes sociais e peças de caráter anônimo circulando pelo WhatsApp.
A coligação Pernambuco Vai Mudar repudia esses ataques inescrupulosos e denuncia à sociedade essa tentativa de enganar o povo pernambucano.

Para o atual governador, vale tudo para não perder o poder. Até atacar os familiares de Armando. Isso é inaceitável e não faz parte do jogo democrático. Trata-se de um expediente dos mais baixos, repudiável em quaisquer circunstâncias.
Na busca pela manutenção dos privilégios que já duram 12 anos, os adversários recorrem à distribuição de panfletos e materiais impressos na calada da noite, na replicação do que há mais reprovável no jogo eleitoral: a mentira. Não é a primeira vez que os adversários usam desse expediente, abusando das fake news.

O atual governador foi um dos principais articuladores da chegada de Temer ao poder, liberando seus secretários para retomarem seus cargos na Câmara Federal para votarem a favor do impeachment. Foi o PSB o fiel da balança: 29 dos seus deputados votaram para levar Temer ao Planalto.

Na tentativa de mistificar e enganar o eleitor, o atual governador de Pernambuco atendeu a constantes chamamentos de Temer e tendo, inclusive, gravado um vídeo oficial defendendo a reforma trabalhista. Como na linguagem popular, o atual governador age como se batesse uma carteira e gritasse “pega ladrão”.
A coligação Pernambuco Vai Mudar insiste em chamar a atenção do povo
pernambucano para que não se deixe enganar por falsas promessas. Em 2014, isso já aconteceu, com um desfile de mentiras em forma de promessas que, hoje, vemos, não se cumpriram e transformaram Pernambuco numa pálida sombra do que o nosso Estado já foi. Em 2018, os adversários, sentindo o crescimento do sentimento de mudança, querem fazer o mesmo. Mas o povo de Pernambuco, independente, altivo e consciente, não vai deixar a história se repetir como farsa".


"NOTA OFICIAL DA FRENTE POPULAR

A Frente Popular repudia a desrespeitosa e mentirosa nota da coligação Pernambuco Vai Mudar, que tem à frente o senador Armando Monteiro Neto. Os elementos listados pela Turma de Temer em Pernambuco dizem respeito justamente às práticas desse grupo, que diuturnamente espalham boatos e mentiras contra o governador Paulo Câmara, em uma campanha difamatória via telefonemas anônimos e fake news - instrumentos próprios de quem prevê a derrota.

Primeiro, Armando deveria explicar aos eleitores como a sua longa história de fracassos como gestor dialoga com a sua atuação elitista no Congresso Nacional, quando, por exemplo, votou pela retirada de direitos do trabalhador na reforma combinada entre o desastroso Governo Temer e suas bancadas na Câmara e no Senado.

Vale lembrar aos pernambucanos que essa reforma foi proposta pelo PTB, partido de Armando, ao presidente Temer, que entregou o Ministério do Trabalho aos petebistas desde que assumiu o poder.

A coligação de Armando decidiu pelo caminho da desonestidade com os fatos, envergonhando Pernambuco e nossa tradição de fazer política com altivez.
Reafirmamos o nosso compromisso com a verdade, a transparência e o respeito ao povo de Pernambuco. Vamos continuar em frente, com nossa campanha propositiva, prestando contas aos cidadãos e discutindo o futuro do nosso Estado".

Paulo Rabello de Castro durante ato contra aumento de impostos nesta sexta-feira
Paulo Rabello de Castro durante ato contra aumento de impostos nesta sexta-feiraFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Escute no Podcast Folhape, desta sexta-feira (21), Paulo Rabello de Castro (PSC), candidato a vice-presidente de Álvaro Dias (Pode), que esteve no Recife para fazer uma palestra apresentando soluções para o tema “Investimentos para Todos – A Reivindicação do Nordeste Brasileiro!", numa faculdade particular do Recife. Saiba do ato público que ganhou a Avenida Conde da Boa Vista, nas proximidades de um shopping center, com a coordenadora do Centro de Estudos do Nordeste (Cenor) Janaína Dantas.

Também saiba a opinião do economista Jorge Jatobá, que falou sobre as perspectivas econômicas para Pernambuco após as eleições, assim como analisou algumas propostas dos presidenciáveis candidatos ao Governo do Estado.

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Humberto Costa (PT) em Jaboatão dos Guararapes
Humberto Costa (PT) em Jaboatão dos GuararapesFoto: Ascom Humberto Costa

Em passagem por Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, o senador e candidato à reeleição, Humberto Costa (PT), demonstrou otimismo na vitória de Fernando Haddad (PT) para a presidência da República. “A gente precisa colocar no lugar deste presidente que está aí alguém que tenha compromisso com o Brasil, especialmente com o povo mais pobre.”, destacou Humberto, citando as grandes ações de Haddad a frente do Ministério da Educação.

“Todos nós queríamos votar no presidente Lula. Eles tanto fizeram, que perseguiram, condenaram, prenderam e, por fim, cassaram a candidatura do nosso presidente. Mas Lula está pedindo ao Brasil que apoie o nome que ele está apresentando: o de melhor ministro da educação que o Brasil já teve que é Fernando Haddad”, disse.

O pronunciamento ocorreu após a caminhada da Frente Popular em Jaboatão dos Guararapes, nessa quinta-feira (20). A comitiva da Frente Popular percorreu as principais ruas dos bairros de Prazeres e Cajueiro Seco. O senador denunciou o desmonte promovido pelo governo Temer nos programas sociais voltados para o trabalhador. Ele relembrou dos cortes no Bolsa Família, no programa Minha Casa, Minha Vida e da alta do desemprego.

“Nós estamos bem pertinho da eleição e queremos fazer, nestes dias finais, um movimento de reflexão sobre o Brasil e Pernambuco. Nosso povo está vivendo um momento muito difícil no país. Michel, o pior presidente da república que o Brasil já teve, está massacrando nossa população, causando grandes dificuldades para as pessoas”, assinalou.

Marina é a candidata de Adriana Rocha, que rejeita postura de Lossio de receber apoio de Bolsonaristas
Marina é a candidata de Adriana Rocha, que rejeita postura de Lossio de receber apoio de BolsonaristasFoto: Divulgação

Dias atrás, o candidato ao Governo de Pernambuco pela Rede Sustentabilidade, Julio Lossio, foi notificado pela executiva estadual da legenda por ter recebido apoio de bolsonaristas. Ele também participou de atos de campanha que apoiavam o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). A reação do seu próprio partido causou posicionamentos divergentes na sigla, mas a composição da chapa majoritária se manteve, apesar das diferenças político-eleitorais.

Nesta sexta-feira (21), a candidata ao Senado pela Rede Sustentabilidade, a advogada e professora de Direito Adriana Rocha saiu em defesa da manutenção da candidatura de Julio Lossio ao governo de Pernambuco e da eleição de Marina Silva presidente do Brasil. Contudo, a conselheira federal da OAB também se posicionou radicalmente contra a candidatura de Jair Bolsonaro, rechaçando qualquer eventual aproximação com apoiadores do postulante.

"Minha candidata à Presidência da República é a Marina Silva. Aceitei o desafio de ingressar na política porque não me vejo representada. E isso faz com que eu seja coerente com as pautas que defendo como ex- presidente estadual da Comissão da Mulher Advogada da OAB, e, atualmente, como presidente nacional da Comissão da Promoção da Igualdade”, declarou Adriana.

Adriana tentou explicar a situação aparentemente constrangedora na qual seu cabeça de chapa, Julio Lossio, pode ter lhe colocado. ““Sempre lutei pela igualdade, pela democracia, pela diversidade; e cumprindo o que proclama a nossa Constituição. Jamais permitiria qualquer aproximação ideológica com candidaturas que não estivessem absolutamente alinhadas com minhas defesas e minha luta por uma cultura de paz e de tolerância”, argumentou.

Para Adriana Rocha, mesmo havendo um desconforto entre lideranças da Rede em Pernambuco, a posição do candidato ao Governo é importante para que os fatos possam ser esclarecidos em um processo que garanta a ampla defesa. “Só me interessa a verdade. Não estou na política para fazer conchavos, muito menos para abrir mão das minhas convicções”, concluiu.

Geraldo Alckmin (PSDB) em agenda no Recife
Geraldo Alckmin (PSDB) em agenda no RecifeFoto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Em sua chegada para uma palestra sobre pessoas com deficiência, numa faculdade particular do Recife, o candidato a presidente da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, a militância que o aguardava endossou o discurso do tucano de combater seu principal oponente para chegar ao 2º turno, Jair Bolsonaro (PSL). “Ele não! Ele nunca! Ele jamais", gritavam seus apoiadores para recepcioná-lo.

Ao comentar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, que estagnou numa média de 9% entre os institutos de pesquisa de opinião, Geraldo Alckimin economizou explicações. “Continuar trabalhando", disse.

Uma carta foi lida por uma mãe de criança com deficiência e o presidenciável relembrou às pessoas que sua formação profissional de médico o vocacionava naturalmente para “cuidar das pessoas”. Acompanhavam o candidato: o candidato ao Senado pelo PSDB, Bruno Araújo; o candidato ao Senado pelo DEM, Mendonça Filho; o ex-governador Joaquim Francisco (PSDB); o prefeito de Gravatá, Joaquim Lira; o vereador André Régis (PSDB), que disputa uma vaga à Câmara Federal; além da deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB).

Paulo Rabello realizou ato em frente ao impostômetro
Paulo Rabello realizou ato em frente ao impostômetroFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

O economista Paulo Rabello de Castro (PSC), candidato a vice-presidente na chapa liderada pelo senador Álvaro Dias (Podemos), representou o presidenciável e debateu seu plano de governo com estudantes de uma faculdada privada, no Derby, após conceder entrevista à rádio da instituição. A palestra antecedeu a participação do de Geraldo Alckmin (PSDB), que também levou suas propostas aos alunos.

"O encontro foi excelente. Tivemos aqui um leque muito amplo de perguntas sobre saúde, educação e sobre a situação das comunidades que não têm hoje nem segurança nem a documentação pra sua posse legal de residência. Nós apresentamos nosso plano de metas de 20 metas, que é composto por 19 metas síntese, mais uma que é uma revisão constitucional", comentou Paulo.

"Nossa chapa é a melhor capaz de dar soluções objetivas a partir do ano que vem pro Brasil retomar os empregos, oportunidades e o direito de realmente encontrar harmonia na família brasileira", afirmou. Depois do debate, Rabello pomoveu um ato público no “impostômetro” instalado no pátio da universidade, onde divulgou o "manifesto pela redução da carga tributária no Brasil" e distribuiu cartilhas com as metas da campanha.

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O candidato criticou a política tributária brasileira e apontou o programa apresentado como solução."Como vice na chapa de Álvaro Dias tenho levantado a bandeira da redução dos tributos. Os impostos só têm aumentado e a despesa pública só tem ficado mais descontrolada. Nós vamos dar um jeito nisso pra valer e definitivamente. mas é preciso que quem está prometendo fazer saiba fazer", advertiu.

À tarde, às 15h, Paulo Rabello participa de encontro na Associação Comercial de Pernambuco (ACP) e em seguida, segue para agendas em João Pessoa.

Paulo Rabello divulgou plano de metas da campanha

Paulo Rabello divulgou plano de metas da campanha - Crédito: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Em sabatina, Mendonça alfineta Humberto
Em sabatina, Mendonça alfineta HumbertoFoto: Bruno Campos/Divulgação

Na sabatina de imprensa na Mata Norte, nesta quinta-feira (20), o candidato ao Senado, Mendonça Filho (MDB) afirmou que "Humberto Costa quer fugir do debate sobre Pernambuco". Depois de ressaltar sua trajetória política e seu trabalho como ministro da Educação, o democrata aproveitou o espaço para alfinetar o candidato do PT. "Primeiramente, quero dizer que, ao contrário de Humberto, não sou da turma da Lava Jato e muito menos estou em busca de um mandato para tentar fugir do juiz Sérgio Moro", afirmou.

No entanto, Mendonca afirmou que o eleitor prefere um debate mais propositivo. "A população quer debater segurança pública e saúde. É esse debate que o palanque do candidato ao senado Humberto Costa quer fugir", comentou. Ele se disse pronto para assumir uma cadeira no Senado e destacou suas ações em Pernambuco. "Deixei muitas obras que estão muito bem plantadas e em andamento no estado como quadras, creches, escolas em tempo integral e os vários campi que estão se tornando realidade e como Senador vou continuar lutando pela Educação de Pernambuco”, destacou.

Gilson Oliveira e Evaldo Costa, organizadores do livro
Gilson Oliveira e Evaldo Costa, organizadores do livroFoto: Gustavo Glória/Folha de Pernambuco

Com 21 entrevistas, o livro Palavra de Jornalista, de Evaldo Costa e Gílson Oliveira, será lançado na Fenelivro, no auditório Nordestinados do Centro de Convenções, nesta sexta-feira (21), às 19h. A obra mostra, entre outras coisas, o processo de modernização da imprensa local e o impacto da ditadura militar no setor. 

Como era o fazer jornalístico nos anos 40, 50 e 60, década em que a Imprensa pernambucana começou a viver um processo de modernização que a colocou, em termos editoriais e gráficos, no mesmo patamar da grande mídia nacional? Qual foi o impacto da ditadura militar sobre o modo de produção dos jornais, uma vez que se instituiu a censura e vários jornalistas foram presos, alguns até torturados?

Essas são algumas das perguntas que o livro Palavra de jornalista – As entrevistas do projeto Memória Viva da Imprensa de Pernambuco procura responder. Para isso, reúne entrevistas com profissionais de destacada trajetória na esfera jornalística, tanto pela importância dos cargos e funções que exerceram e/ou exercem como pela projeção sociocultural alcançada.

Além de comporem um amplo e diversificado painel sobre a história recente do estado e do país – pela multiplicidade de abordagens sobre importantes episódios –, os depoimentos mostram que os profissionais de imprensa, em alguns momentos, foram não apenas testemunhas privilegiadas dos acontecimentos, mas chegaram a atuar como involuntários protagonistas de fatos marcantes. São os casos de Carlos Garcia e Alexandrino Rocha, que foram sequestrados e levados à prisão, onde sofreram tortura.

Conduzindo o abrangente mosaico de informações e revelações estão, além dos dois já citados, José do Patrocínio, Abdias Moura, Ronildo Maia Leite, Aluízio Falcão, Fernando Menezes, Zezito Maciel, Aldo Paes Barreto, Lenivaldo Aragão, Olbiano Silveira, Ivanildo Sampaio, Eduardo Ferreira, Francisco José, Divane Carvalho, Raimundo Carrero, Homero Fonseca, Vera Ferraz, Geraldo Freire, Ricardo Leitão e Ivan Maurício.

A chapa de oposição Pernambuco vai Mudar é liderada pela candidatura de Armando Monteiro Neto ao governo do Estado
A chapa de oposição Pernambuco vai Mudar é liderada pela candidatura de Armando Monteiro Neto ao governo do EstadoFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Em situação de empate técnico com o governador Paulo Câmara (PSB), o candidato a governador Armando Monteiro Neto (PTB) cresceu seis pontos, de acordo com a última pesquisa do instituto Datafolha, mas avaliou com tranquilidade o resultado, alegando que continuará fazendo campanha com “os pés no chão” e sem "baixaria". Os prefeitos aliados ao petebista, por sua vez, demonstraram mais entusiasmo com o índice, alegaram que o sentimento de mudança se confirma na pesquisa e que “o tempo do PSB acabou”.

O candidato do PTB fez a sua avaliação após realizar palestra para associados do Rotary Club, na tarde de ontem. “A gente fez um planejamento, cada momento tem uma estratégia, estamos muito seguros de que estamos no caminho certo. Ajustando sempre os problemas na comunicação, intensificando a agenda aqui na metropolitana, fazendo incursões nas cidades polos do interior, estamos confiantes de que essa coisa está caminhando bem”, pontuou.

Há uma informação de que, nos bastidores, os aliados cobram que Armando faça uma crítica mais efusiva ao governador Paulo Câmara, mas o senador tem optado pelo debate propositivo. A expectativa, no entanto, é que com a proximidade da eleição, o tom do discurso do petebista suba até o “mano-a-mano” com o gestor socialista. “Quando você tá numa guerra, você se prepara pra guerra, mas se depender de nós, (adotaremos) um tom alegre, confiante, não vamos inaugurar baixaria na campanha”, minimizou candidato.

Os prefeitos Miguel Coelho (PSB), de Petrolina, Anderson Ferreira (PR), de Jaboatão dos Guararapes, e Luciano Duque (PT), de Serra Talhada, se manifestaram sobre o crescimento de Armando atestado no Datafolha. O gestor do Sertão do São Francisco reitera a sua percepção do sentimento de mudança no Estado. "O povo de Pernambuco já percebeu que Armando é o melhor nome para governar o nosso Estado. O povo sertanejo sabe que o atual governo esqueceu a nossa região", destacou.

Anderson Ferreira afirmou que a mensagem de Armando está sendo levada para toda a região metropolitana e que essa mobilização tem sido fundamental para o desempenho do senador na corrida eleitoral. "Pernambuco precisa voltar a ter protagonismo no cenário nacional e Armando tem trânsito em Brasília para atrair recursos", pondera o prefeito.

Luciano Duque estima que o candidato do PSB chegou ao teto e que a sua rejeição se dá porque não cumpriu promessas. "Ninguém aguenta mais o jeito autoritário e arrogante do PSB governar, sem diálogo e perseguindo a oposição", disse Duque. "O debate político está trazendo de volta os compromissos assumidos pelo PSB e não cumpridos, além dos números desastrosos da gestão", arremata.

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