Danilo Cabral aposta na unidade do "bloquinho" formado entre PSB, PDT e PCdoB
Danilo Cabral aposta na unidade do "bloquinho" formado entre PSB, PDT e PCdoBFoto: Alfeu Tavares/ Folha de Pernambuco

O deputado federal Danilo Cabral (PSB) confirmou que o PSB trabalha para manter a unidade do chamado bloquinho formado junto ao PDT e PCdoB, na Câmara Federal. "De fato, o PSB vinha conversando com todos os atores que tinham protagonismo na eleição da Mesa da Câmara. No nosso entendimento, primeiro, é que está claro que o partido vai cumprir uma tarefa que foi colocada pelo povo brasileiro de no ponto de vista nacional a gente vai fazer o papel de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL)", disse Danilo Cabral, nesta segunda-feira (14), em entrevista concedida ao programa Folha.

Segundo o deputado, a postura oposicionista do seu partido deverá ser equilibrada. "Como foi dito, desde o inicio da decisão tomada, inclusive, pela sua executiva, nós não vamos praticar uma oposição irresponsável, uma oposição daqueles que acham que quanto pior melhor", avisou.

Danilo Cabral ainda lembrou da reunião da bancada pernambucana com o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), na próxima quinta-feira (17), que pode ocorrer no Palácio do Campo das Princesas.

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Projeto de Lei é de autoria do vereador Renato Antunes (PSC)
Projeto de Lei é de autoria do vereador Renato Antunes (PSC)Foto: Divulgação / CMR

Para dar maior publicidade aos motivos que levam à interrupção de obras públicas no Recife, o projeto de Lei nº 174/2018, de autoria do vereador Renato Antunes (PSC), tramita na Câmara Municipal. Caso a proposta seja aprovada, a fixação de placa informativa que dê conta dos motivos para a paralisação da obra se tornará obrigatória.

O projeto considera paralisadas as obras que tiveram suas atividades interrompidas por mais de 20 dias. As placas fixadas devem estar bem visíveis ao público e expor, além dos motivos da interrupção, o contato telefônico do órgão responsável, e o prazo de paralisação. Não serão afetadas as obras que forem suspensas devido a condições climáticas que impossibilitem seu andamento.

Para Renato Antunes, o principal objetivo da iniciativa é fomentar o princípio constitucional da transparência. “O projeto em tela tem por objetivo fortalecer, no âmbito do município do Recife, o princípio da transparência, corolário de um Estado democrático de Direito, estampado na Carta Republicana.”

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Após o recesso parlamentar, o texto será analisado por duas comissões temática da Casa de José Mariano: Legislação e Justiça, e Planejamento Urbano e Obras. Após o recebimento dos pareceres, a matéria será enviada ao plenário para votação.

Deputado federal Danilo Cabral (PSB), em entrevista à Rádio Folha
Deputado federal Danilo Cabral (PSB), em entrevista à Rádio FolhaFoto: Alfeu Tavares / Folha de Pernambuco

Em entrevista ao programa Folha Política, da Rádio Folha FM (96,7), nesta segunda (14), o deputado federal reeleito Danilo Cabral (PSB) questionou a ausência de representatividade do Norte e Nordeste no governo Bolsonaro.

"Se vc tem 22 ministros, será possível que não tenha ninguém do norte e nordeste que possa cumprir nenhuma tarefa no governo? Política é símbolo e esse foi um símbolo muito ruim do governo Bolsonaro", avaliou.

Danilo também comentou sobre a criação de uma Comissão Interministerial para tratar de assuntos relacionados ao Nordeste, anunciada recentemente pelo governo, logo após o tensionamento da relação entre o presidente e os governadores nordestinos. Após receber a informação de que eles ndeclarou que esperava que os governadores não viessem "pedir ajuda" a ele, pois "o presidente deles está em Curitiba", se referindo ao ex-presidente Lula.

"Ele viu a gravidade da sua fala e a partir dali o próprio governo se encarregou minimamente de dar uma resposta à reação que teve dos governadores, da provocação do governador Paulo Câmara e da criação de uma frente parlamentar do nordeste", disse Danilo, que preferiu esperar o resultado prático da iniciativa.

"Vamos aguardar, estou dando um crédito de condiança a esse grupo. Acho que o governo está se instalando ainda com toda a sua equipe, procurando um diagnóstico. Eu só espero que fuja à lógica do que muita gente diz no ambiente da polítca: quando você não quer resolver um problema, crie uma comissão", comentou.

Governador Paulo Câmara (PSB) defende unidade de bloco de oposição na Câmara Federal
Governador Paulo Câmara (PSB) defende unidade de bloco de oposição na Câmara FederalFoto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco


Após o anúncio de apoio do PDT à reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara Federal e diante da resolução preliminar, mas não definitiva do PSB de não apoiar o democrata, criou-se uma expectativa sobre quem o Partido Socialista Brasileiro apoiará, tendo em vista as alianças formadas na corrida eleitoral.

"A gente tem uma pactuação de tentar chegar junto PDT, PCdoB e PSB. Isso vai ser discutido essa semana. Há uma ansiedade em torno da eleição da Câmara, mas a eleição da Câmara só vai ocorrer eno dia 1 de fevereiro, então tem muito tempo ainda pra discutir outra alternativa", comentou Paulo Câmara.

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Segundo o governador, haverá uma reunião entre os presidentes e líderes das bancadas dos três partidos, ainda esta semana. O encaminhamento deste encontro deve alinhar a decisão definitiva do PSB. "A partir dessa conversa nós vamos fazer um novo calendário de escuta no nosso partido, pois a preferência principal é fazer um bloco com esses três partidos", frisou.

*Com informações de Mirella Araújo

Confira as principais manchetes de hoje
Confira as principais manchetes de hojeFoto: Divulgação

Giro de manchetes pelo país, nesta segunda-feira (14):



Folha de Pernambuco: "26 atividades fora do MEI"

Jornal do Commercio: "O Fim da novela Battisti"

Diario de Pernambuco: Battisti é preso na Bolívia após 38 anos de fuga"

Folha de S. Paulo: "Battisti é preso na Bolívia e enviado direto para a Itália"

O Estado de S. Paulo: Battisti vai da Bolívia para prisão perpétua na Itália"

Estado de Minas: "Excelências lancham e nós que pagamos"

O Tempo: "Assembleia de MG custa R$ 1,6 bi e é a mais cara do país"

Correio do Povo: "Battisti preso na Bolívia volta direto para a Itália"

Diário Gaúcho: Decompasso na Avenida"

Extra: "Deputada atacada a tiros foi ameaçada por milícia na Zona Norte"

Zero Hora: "FAzenda muda foco do plano de recuperação e mira no funcionalismo"

Meia Hora: "Deputada sobrevive a ataque a tiros na Penha"

Valor Econômico: "BRF perde R$ 1,2 bi em sua experiência na Argentina"

Correio*: Colocaram as armas na cabeça dos orixás"

A Tarde: "Verão gera 20 mil vagas temporárias na Bahia"

Rodrigo Maia
Rodrigo MaiaFoto: Reprodução

Visando à reeleição como presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) desembarca no Recife na próxima quinta-feira para se reunir com o governador Paulo Câmara (PSB) no Palácio do Campo das Princesas e, depois, um encontro com a bancada federal de Pernambuco. A ideia é consolidar os votos já conquistados e reverter alguns posicionamentos, como o do PSB, do qual Câmara é vice-presidente nacional. Dos 25 deputados federais do Estado, ao menos nove parlamentares se manifestaram a favor de Maia. Para ser eleito, o candidato necessita obter, ao menos, 257 votos.

O acordo entre Maia e o PSL, do presidente Jair Bolsonaro, pegou partidos de oposição ao governo de surpresa. Foi o caso de PSB, PDT, PCdoB e do PT. Diante disso, a maioria da bancada federal do PSB se posicionou, na última quinta-feira, contra o atual presidente da Câmara dos Deputados. Cinco socialistas são pernambucanos - João Campos, Felipe Carreras, Danilo Cabral, Gonzaga Patriota e Tadeu Alencar.

O PDT, por sua vez, manifestou-se favorável ao democrata. O deputado federal Wolney Queiroz (PDT), como coordenador da bancada pernambucana, articula a visita de Maia ao Estado. Correligionário, o deputado federal Túlio Gadelha defendeu que o partido não apoie o atual mandatário da Casa, mas sim um nome à esquerda. Gadelha se reuniu com o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), também candidato, na última quinta-feira. Procurado, Renildo Calheiros (PCdoB) não se posicionou.

O PT, esnobado por Maia, está debatendo a melhor opção. Os deputados federais Marília Arraes e Carlos Veras ainda não definiram em quem votar, mas frisaram que não será no democrata. “No contexto em que a gente está não dá para considerar que é uma eleição normal e que prevalecem somente os interesses internos da Casa Legislativa”, disse Marília. “Com o PSL não dá”, acrescentou Veras. O PT estuda ter candidatura própria.

Os deputados André Ferreira (PSC), André de Paula (PSD), Silvio Costa Filho (PRB), Fernando Filho (DEM), Ricardo Teobaldo (Podemos), Bispo Ossésio Silva (PRB), Fernando Monteiro (PP) e Luciano Bivar (PSL) votam em Maia. Destes parlamentares, apenas Monteiro contrariou a posição partidária, visto que o PP lançou a candidatura de Arthur Lira (PP-AL). O deputado federal Fernando Rodolfo (PR) disse que conversou com Maia, Fábio Ramalho (MDB-MG) e JHC (PSB-AL), mas só decidirá em fevereiro de forma pessoal e não partidária. Já o deputado federal Augusto Coutinho (Solidariedade) se reúne hoje com a bancada federal em Brasília para definir.

A reportagem tentou contato com os deputados Raul Henry (MDB), Daniel Coelho (PPS), Sebastião Oliveira (PR) e Pastor Eurico (Patriota), mas não obteve sucesso. Contudo, nos bastidores, comenta-se que o emedebista estaria inclinado a votar no atual presidente da Casa.

Governador Paulo Câmara (PSB) em entrevista à Rádio Folha
Governador Paulo Câmara (PSB) em entrevista à Rádio FolhaFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Em meio à pressão de partidos aliados e desencontros internos, o governador Paulo Câmara (PSB) deve anunciar, nesta segunda-feira (14), o segundo escalão do governo estadual para o novo mandato, duas semanas após divulgar o secretariado. Legendas insatisfeitas por terem pouca presença no primeiro escalão trabalham para garantir espaços na administração estadual. Haverá rodízio de quadros e novos nomes da Prefeitura do Recife irão para o Estado.

Enquanto alguns aliados indicaram bastantes nomes para a gestão, outros não foram sequer ouvidos, o que criou desconforto em integrantes da base governista. Nenhum aliado criticou publicamente o governador, tampouco acreditam em rompimento no curto prazo. Câmara, todavia, intensificou as reuniões nos últimos dias com a finalidade de fechar a equipe. Alguns nomes já são mencionados como certos em determinados espaços.

O diretor-presidente do Porto de Suape, Carlos Vilar, volta a comandar o Porto do Recife e Leonardo Cerquinho, que já presidiu a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), assume o Porto de Suape. O diretor-geral de Política Tributária da Secretaria da Fazenda, Roberto Abreu, assume a AD Diper. O ex-secretário da Casa Civil, André Campos (PSB), deve assumir a presidência da Copergás e o ex-secretário de Imprensa, Ennio Benning, acompanha-o, como assessor da presidência. Todas essas instituições estão sob o guarda-chuva da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, comandada por Bruno Schwambach.

O ex-presidente da Copergás, Roberto Fontelles, assume o Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE). Especula-se que o ex-secretário de Habitação, Bruno Lisboa (MDB), ocupe algum espaço na pasta de Desenvolvimento Urbano e Habitação, com Marcelo Bruto, indicado na cota do MDB. O secretário-executivo da Casa Civil, Marcelo Canuto, volta à Secretaria estadual de Cultura, mas desta vez à frente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

O diretor de Limpeza Urbana da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), Bruno Cabral, vai ocupar o Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE), estrutura pertencente à Secretaria estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, liderada por Fernandha Batista, também oriunda da Emlurb.

O ex-controlador-geral do Estado, Ruy Bezerra, deve assumir o Instituto de Recursos Humanos (IRH), espaço que integra a Secretaria estadual de Administração, sob a tutela de José Neto, ex-chefe de gabinete de Paulo Câmara. Já o ex-secretário da Fazenda, Marcelo Barros, pode comandar a Agência de Fomento do Estado de Pernambuco (Agefepe), que pertence à pasta de Trabalho, Emprego e Qualificação. A Secretaria é gerida por Alberes Lopes (PDT).

O ex-deputado estadual Odacy Amorim (PT) será o diretor do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), uma das empresas do Desenvolvimento Agrário, comandado por Dilson Peixoto (PT). Além desta pasta, o PT indicará os secretários-executivos de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, liderada por Sileno Guedes (PSB), e de Saúde, com André Longo. Além da Secretaria de Saneamento do Recife.

PT
Apesar da pressão do governo estadual pelas indicações do PT, o partido ainda não fechou os nomes. A Executiva estadual da legenda se reúne hoje à noite para debatê-las. Houve um incômodo pelo formato da indicação de Peixoto, sem debates. Oficialmente na oposição ao atual prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), o partido deve discutir esse posicionamento, visto que a participação na administração municipal tem ligação direta com a disputa eleitoral de 2020, a qual a legenda vislumbra ter candidatura.

 

Presidente, Jair Messias Bolsonaro (PSL)
Presidente, Jair Messias Bolsonaro (PSL)Foto: Reprodução/Twitter

Ao assumir o governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prometeu “partilhar o poder, de forma progressiva, responsável e consciente, de Brasília para o Brasil; do Poder Central para Estados e Municípios”. É um recado comum, em começos de mandato, anunciar novas práticas. No entanto, persiste desde os anos 1990 uma progressiva concentração de receita na União, em detrimento dos demais níveis de governo, que ficam reféns de transferências do Governo Federal, gerando a recorrente cobrança pela reformulação do pacto federativo. No contexto em que os governadores do Nordeste figuram na oposição ao chefe do Executivo federal - firmando uma tensão política que ameaça afetar a relação institucional -, cresce a dúvida sobre que tipo de reforma pode assegurar ao federalismo brasileiro mais autonomia financeira e uma distribuição mais igualitária de competências.

A visão do presidente Bolsonaro sobre o pacto federativo constava já no plano de governo, contudo, sem muitos detalhes. “A governabilidade que vai ser construída daqui para frente, ela é em novas bases, ela é diferente, ela não é o ‘toma lá dá cá’ no Congresso. Ela vai ser costurada em torno de um pacto federativo. É uma descentralização de poderes. Recursos para estados e municípios. A recuperação do protagonismo na classe política. Tem a reforma fiscal que é justamente para descentralizar recursos para estados e municípios. O dinheiro tem que ir onde o povo está. O povo não está dizendo que falta segurança, saúde e educação? Esse dinheiro tem que ser descentralizado”, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, no período de transição.

Enfaticamente, os governadores eleitos frisaram ao novo chefe do Executivo, ainda durante a transição, a necessidade de mudar o sistema tributário. Segundo dados do Tesouro Nacional, 14 estados da federação superaram, em 2017, o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que permite gasto de 60% da receita corrente líquida com pessoal - incluindo ativos e aposentados. Os estados que ficaram acima do limite foram Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Sergipe, Acre, Paraíba, Roraima, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Alagoas.

Na carta endereçada a Bolsonaro pelos governadores do Nordeste, as principais solicitações de cooperação - que traziam implícita a cobrança por mais recursos - versaram sobre combate à violência e a sustentabilidade dos regimes próprios de previdência. O caso dos municípios é ainda pior, tendo em conta que, segundo estudo da Firjan, 85,9% das prefeituras apresentaram situação fiscal difícil ou crítica em 2016. Segundo integrantes da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de 90% das cidades brasileiras - em geral, com menos de 50 mil habitantes - dependem de repasses federais, o que só evidencia a disfunção do pacto federativo brasileiro.

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O secretário estadual de Planejamento, Alexandre Rebêlo, resume o drama em poucas palavras: atribuições do Poder Executivo versus capacidade de financiamento. "Na partida, nos anos 1980, a cada R$ 10 arrecadado, R$ 8 iam para um bolo dividido entre estados e municípios e R$ 2 ficavam com a União. Com passar do tempo, isso foi mudando, chegando na proporção de R$ 10 arrecadados, a União só divide R$ 3. Isso gerou uma enorme dependência da União. A ordem era: te dou atribuições, mas não dou dinheiro", ponderou.

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, reclama que há muitas atribuições concentradas nos municípios. "Ao discutir atribuições, tem que discutir condições de implementar essas políticas. O piso salarial dos professores, por exemplo, é um tipo de determinação que nós gostaríamos de poder cumprir, mas estamos com a receita quase toda comprometida com a folha de pagamento. A conta fica inviável", alega o prefeito.

O deputado federal Danilo Cabral (PSB), que já esteve à frente da Secretaria estadual de Educação e hoje preside a comissão de mesmo tema na Câmara, alega que, hoje, o gestor estadual e municipal, refém de muitas obrigações, tem que "escolher qual lei vai descumprir". "Se não dá o piso salarial, vai contra o Governo Federal. Se aumenta os salários, descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. Há um problema sério de subfinanciamento e que a crise econômica expôs esse quadro de forma mais dura", afirma o socialista.

Na prática, explica Rebelo, o subfinanciamento traz imensas dificuldades à vida do gestor público. "Cada ente foi correndo das suas atribuições. A realização de parto devia ser do município, mas com o Sistema Único de Saúde (SUS) subfinanciado, o repasse caiu muito, os municípios foram fechando os leitos. Quem está pagando essa conta é o Estado, que faz um conjunto de procedimentos de parto que não deveria", exemplifica. O secretário afirma que, em função da crise econômica, a exigência por serviços públicos cresce. "As pessoas deixam de pagar plano de saúde para usar o hospital público, os pais tiram os filhos da escola particular e levam para o ensino público. Na crise, mesmo com receita declinante, nós devemos manter um nível de serviço elevado", pondera.

Estão em debate medidas como a Reforma da Previdência, gestada no governo Temer, e a reforma tributária, proposta pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que apontam para o aprimoramento do pacto federativo brasileiro. O debate, contudo, precisa ultrapassar os interesses particulares, tendo como meta o fortalecimento dos entes federados.

Histórico
A Constituição de 1988 - segundo o economista e professor da Universidade Federal do Ceará, Jair do Amaral Filho - fez com que o pêndulo histórico do federalismo brasileiro inclinasse em favor dos estados e municípios. "(Os constituintes) optaram por um sistema federal mais descentralizado que, além de considerar os municípios como entes federados, passou a atribuir maiores responsabilidades administrativas aos estados e municípios na oferta e gestão de bens e serviços públicos", esclarece Amaral.

Acontece que, em função das pressões do mercado, a concorrência entre os entes federados aumentou, razão pela qual cada um passou a lutar mais fortemente pela sua autonomia, fraturando a coesão e a solidariedade entre as regiões. Na busca de implementar políticas públicas de cunho social, o Governo Federal optou por criar uma série de contribuições, como é o caso da CPMF e a Cide-Combustíveis, que não foram compartilhadas com estados e municípios, como ocorre com os impostos (IPI e IR). A arrecadação decorrente das contribuições desestabilizou a balança tributária e, na sequência, a guerra fiscal em torno do ICMS, travada entre os governadores na tentativa de atrair empresas e investimentos para os estados, criou uma distorção que só agrava o problema do pacto.

O cientista político Rudá Ricci argumenta que, na arquitetura do Estado, é comum que haja um poder moderador que consiga ouvir as partes e tente articular interesses - função desempenhada pelo Governo Federal. "Nesse sentido, é impossível fechar acordo em função do que os empresários, governadores e população querem", acredita. "Existe a imposição cada vez mais centralizadora das elites políticas e econômicas que se encastelam na União. O poder central vem apertando as transferências diretas para obrigar municípios a fazerem convênios. A gente não tem mais pacto federativo no Brasil."

Secretário de Desenvolvimento Agrário, Dilson Peixoto, recebeu representantes dos municípios para escutar as demandas e elaborar estratégias de atuação como fortalecer a agricultura familiar
Secretário de Desenvolvimento Agrário, Dilson Peixoto, recebeu representantes dos municípios para escutar as demandas e elaborar estratégias de atuação como fortalecer a agricultura familiarFoto: Divulgação

Uma comitiva do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Agricultura de Pernambuco (Cesmape) esteve reunida, nesta sexta-feira (11), com o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Dilson Peixoto. “Precisamos diminuir a distância entre a Secretaria e os municípios, fortalecendo a atuação do Estado e dos municípios na agricultura”, disse Dílson Peixoto.

Um dos objetivos do encontro é aumentar a capacidade de compra de alimentos do pequeno produtor no Estado. "Precisamos fortalecer as estruturas de apoio ao agricultor nos município e ampliar parcerias entre o Governo e as prefeituras, destacou o presidente da Cesmape e secretário de Agricultura do município de Jataúba, Izael Monteiro, que compareceu ao encontro acompanhado da prefeita de Glória do Goitá, Adriana Paes; e dos secretários municipais de Verdejante, Palmares, Glória do Goitá, Igarassu, Vitória e Paudalho.

A elaboração de um calendário de encontros regionais, reunindo os órgãos estaduais e municipais ligados à agricultura para discutir as necessidades locais e possíveis ações conjuntas. “Fortalecer a agricultura familiar é nossa principal missão. Estamos realizando o levantamento das demandas e identificando o que é possível realizar a curto e médio prazo, sem abandonar as demandas de longo prazo”, afirmou o secretário.

O deputado Wolney Queiroz preside o PDT, que comanda a Agricultura no Estado. Humberto Costa vê identificação do PT com a área
O deputado Wolney Queiroz preside o PDT, que comanda a Agricultura no Estado. Humberto Costa vê identificação do PT com a áreaFoto: Divulgação

No programa Folha Política, desta sexta-feira (11), o senador Humberto Costa (PT) avisou que está acompanhando mais de perto o processo eleitoral para as eleições da Mesa Diretora do Senado.

"Nossa primeira reunião para tratar desse tema será dia 29. Nossa posição menos que do que procurar identidade ideológicas posição de independência dentro do Congressos Nacional que não vai se submeter ao Supremo e ao Executivo", ponderou.

Já o deputado federal Wolney Queiroz (PDT) aguarda uma resolução da reunião dos pedetistas que acontece nesta sexta e neste sábado (12), no Rio de Janeiro, para fechar posição com relação às eleições da Mesa Diretora da Câmara Federal. Wolney Queiroz acredita que a visita a Pernambuco do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição da presidência da Casa, que vai acontecer dia 17 de janeiro deve reunir os 25 deputados da bancada pernambucana. O encontro deve ocorrer, no Palácio do Campo das Princesas, depois do convite do governador Paulo Câmara (PSB)

"Óbvio que, como o PSB de Pernambuco tem muma força muito grande nacionalmente, então, ele tem protagonismo em Pernambuco", reconheceu Wolney Queiroz
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