Paulo Camara entrega o 3º Premio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia
Paulo Camara entrega o 3º Premio Ariano Suassuna de Cultura Popular e DramaturgiaFoto: Hélia Scheppa/SEI

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou, nesta quinta-feira (21), que não vai decidir vaga para o Senado ou para vice agora, mas "no momento certo". A fala do gestor ocorre após anúncio de rompimento do clã Ferreira, que deve integrar a Frente das Oposições, que terá o senador Armando Monteiro Neto (PTB) na cabeça de chapa. De acordo com Câmara, o PSC, do deputado federal André Ferreira quer antecipar o debate.

"O PSC quer antecipar um debate que a gente não vai fazer agora. Tenho que governar Pernambuco, tenho que fazer a administração correr e não vou decidir vaga de Senado, vaga de vice-governador agora. Vamos decidir no momento certo, conversando, sentando na mesa e não soltando nota", declarou o governador após a entrega do Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia, no Palácio do Campo das Princesas.

Questionado sobre o Solidariedade, que faz parte da base governista, mas que estaria insatisfeita com a perda de espaço na gestão, Paulo Câmara afirmou que "tem conversado muito" com a legenda. "Quanto ao Solidariedade, eu desconheço, pelo contrário, a gente tem conversado muito com o Solidariedade e os movimentos todos que nós fazemos são de valorização desse partido que está presente nessas discussões conosco", avaliou o socialista.

Indagado se pleneja dar mais espaço para os partidos da base no Governo, Paulo Câmara afirmou que "o momento é de conversar". "De ver o que falta. Tenho muito o que fazer ainda até dezembro e eu tô com a ajuda de quem quer me ajudar. Vários partidos da base têm indicado pessoas que têm nos ajudado a governar Pernambuco. Estou muito satisfeito com essas indicações", disse.

Com informações de Marcelo Montanini, da editoria de Política.

Daniel Coelho
Daniel CoelhoFoto: Divulgação

Entre os nomes cotados para a segunda vaga ao Senado no grupo da oposição, o deputado federal Daniel Coelho (PPS) afirmou que "não vai disputar espaço com ninguém" na frente “Pernambuco Vai Mudar”. Ele considerou que o rompimento do PSC com o governador Paulo Câmara (PSB) só fortalece o conjunto oposicionista e creditou ao pré-candidato ao governo Armando Monteiro (PTB) a responsabilidade de conduzir a indicação dos demais integrantes da chapa.

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Hoje, o favorito para ocupar a segunda vaga do Senado na oposição é o deputado estadual André Ferreira (PSC) e o rompimento corrobora essa tese. Contudo, além de Daniel Coelho, a segunda vaga do Senado da oposição também é concorrida pelo PSDB - embora a sigla esteja mais inclinada para a vice. Mesmo decidido a disputar a reeleição, o deputado federal Bruno Araújo (PSDB) deixou claro que o partido ainda tem interesse na outra vaga de senador. Vale lembrar que Daniel trocou o PSDB pelo PPS em razão de diferenças com Bruno Araújo.

Daniel Coelho, todavia, deixa claro que não haverá ruído na incorporação dos Ferreira no grupo da oposição. "Armando que vai conduzir esse processo (de indicação das vagas). Eu não sou problema, sou solução. Eu avalio que a vinda do PSC foi da maneira correta. O que tá evidente é que ninguém quer apoiar a reeleição de Paulo. As lideranças sabem que não dá pra defender Paulo na rua, a rejeição é muito alta, é comparada à rejeição de Temer. E essa sinalização política é muito importante. O partido vem com uma chapa competitiva, o PSC está muito bem estruturado no Estado", pontua o deputado.

"O fato é que o governo está fazendo um jogo de "toma lá, dá cá", o governador entregou metade de Pernambuco pra amarrar o apoio de Eduardo da Fonte. Armando está conseguindo ter apoios sem dar nada em troca. Os apoios estão acontecendo em função da confiança em Armando. O PSC vem sem pleitear nada. Lá na frente, a condução é de Armando. Mas eu não vou disputar espaço com ninguém", pondera.

Nilton Mota
Nilton MotaFoto: Divulgação

No dia em que a família Ferreira anunciou o rompimento com o governo Paulo Câmara (PSB), por falta da indicação do deputado estadual André Ferreira (PSC) para uma das vagas ao Senado, o deputado estadual Nilton Mota (PSB) afirmou que “nenhum partido da Frente Popular aceita imposição”. Na sua visão, o rompimento do clã “já era esperado”, mas não é adequado, já que eles “participam do governo e da prefeitura com cargos comissionados”.

“Já era esperado, pois já sabiam que não teriam espaço na frente popular. Todos já sabiam que chapa majoritária se constrói e não se impõe. Paulo Câmara montará a chapa no tempo adequado. Nenhum partido da frente aceita imposição. A gente trata com naturalidade esse comportamento", disse o deputado, em entrevista ao Programa Folha Política desta quinta (21).

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Cargos
Para ele, a postura da família Ferreira, que detém o comando do município de Jaboatão dos Guararapes, foi inadequado, principalmente porque eles possuem cargos nos governos geridos pelo PSB. “Eles também participam do governo até hoje. Têm varias nomeações no governo e prefeitura. Então achamos que não é um comportamento adequado. Não vamos aceitar imposição para composição da chapa majoritária”, colocou Nilton Mota.

Confira a íntegra da entrevista no Podcast Folhape:

O senador Armando Monteiro Neto (PTB) discursa durante lançamento da chapa majoritária
O senador Armando Monteiro Neto (PTB) discursa durante lançamento da chapa majoritáriaFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Após o rompimento do PSC com a base governista, o senador e pré-candidato ao governo do Estado Armando Monteiro Neto (PTB) afirmou que o grupo Ferreira será bem-vindo na frente de oposição “Pernambuco Vai Mudar”. Pouco após a oficialização da saída do clã, o petebista telefonou para o deputado estadual e pré-candidato ao Senado, André Ferreira, para parabenizá-lo, considerando a nota "corajosa", "afirmativa"  e "muito bem posicionada politicamente".

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André Ferreira está cotado para a segunda vaga do Senado no palanque das oposições, somando-se ao deputado federal Mendonça Filho (DEM). "Vaga garantida não existe. O que existe, no momento, é uma manifestação do PSC de rompimento com o governo. Já telefonei para a liderança do PSC, congratulando pela nota corajosa, afirmativa, muito bem posicionada politicamente", afirmou o senador.

"Eu tenho uma relação boa com eles, tenho com o pai dele, o ex-deputado Manoel, com Anderson, na campanha de Jaboatão, tenho relação boa com André. A gente vem conversando ao longo desses meses. Quero reforçar que serão muito bem-vindos. Nós vamos discutir dentro da frente, com eles já, como devemos conduzir o fechamento da chapa", esclareceu Armando.

O senador também avaliou como contraditória a reação do PSB, quando o presidente socialista Sileno Guedes afirmou que o partido não cederia a "imposições". "O que se vê, em Pernambuco, é uma coisa contraditória. O que se está assistindo é um reloteamento do governo nos últimos dias. Um governo no apagar das luzes, no período final de mandato, está reloteando a administração, inclusive incluindo nas negociações partidárias, áreas estratégicas do governo, como Desenvolvimento Econômico e a administração de Suape", criticou.

Mendonça
Pré-candidato ao Senado confirmado na oposição, o deputado federal Mendonça Filho considerou que esse rompimento fortalece a frente "Pernambuco Vai Mudar". "É mais um partido que deixa o governo, é uma força política importante, os Ferreiras estão no comando da segunda cidade mais populosa do Estado. Acho uma coisa realmente significativa", avaliou. Sobre André Ferreira ocupar a segunda vaga de senador, Mendonça foi mais cauteloso. "Vamos aguardar. Primeiro vem o rompimento, depois teremos esses desdobramentos", pontua.

Raul Henry
Raul HenryFoto: Divulgação

Vice-governador de Pernambuco e presidente estadual do MDB, Raul Henry também criticou a postura do grupo Ferreira, que anunciou, nesta quinta-feira (21), rompimento com o Governo Paulo Câmara (PSB). Em nota, o emedebista, que é da ala da legenda que integra da Frente Popular, questiona o tempo de permanência dos Ferreira na base do governador, já que eles apontam tantas divergências com o Executivo.

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No texto, o vice-governador também afirma que ouviu “dos próprios irmãos Ferreira” que a condição para eles permanecerem na Frente Popular era ocupar uma vaga na disputa para o Senado.

Confira a íntegra da nota:

"Tenho conhecimento, porque ouvi dos próprios irmãos Ferreira, que a condição para eles permanecerem na Frente Popular era ocupar uma vaga na disputa para o Senado. É público e notório que se ofereceram tanto para a situação quanto para a oposição. Agora, que perceberam que não terão esse espaço na nossa coligação, ficam na busca de pretextos para justificar o rompimento. Se tinham divergências com o Governo, por que permaneceram nele por três anos e meio?"

Raul Henry - presidente MDB-PE

Germana Laureano é procuradora geral do MPCO
Germana Laureano é procuradora geral do MPCOFoto: Divulgação

O Tribunal Regional do Trabalho confirmou sentença da primeira instância da Justiça do Trabalho barrando o ingresso de 158 servidores da Perpart no Instituto Agrônomo de Pernambuco (IPA) sem concurso. A representação contra a mudança de órgão dos servidores foi feita pelo Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO), em 2014, que alegou inconstitucionalidade na Lei Complementar 284/2014, sancionada pelo então governador João Lyra Neto (PSDB), que autorizada a mudança de órgão sem concurso.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), ao receber o pedido do MPCO, ajuizou ação civil pública em 2014, que foi encerrada em 2018, de forma favorável ao entendimento do MPCO, não cabendo mais recursos. Com isso, o Estado terá que cumprir a decisão.

Além do IPA, outras três leis complementares transferiram, igualmente sem concurso, servidores de outros órgãos para a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Fundação de Aposentadorias e Pensões dos Servidores do Estado de Pernambuco (Funape). Nestes três casos, o MPCO recorreu diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo ao então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI). O pedido foi acatado por Janot. A ADI 5406 está no gabinete do ministro Edson Fachin.

"A Justiça do Trabalho reconheceu a violação ao princípio do concurso público, como defendeu o Ministério Público de Contas em sua representação inicial. Agora, nossa expectativa é que o STF reafirme sua jurisprudência ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade que trata da transferência desses servidores, sem concurso, para aqueles três outros órgãos”, disse a procuradora geral do MPCO, Germana Laureano.

Na época da denúncia, o responsável pelo caso era o procurador do MPCO Cristiano Pimentel. “As leis transformam pessoas de vários cargos, com indicação meramente política, em servidores de outros órgãos ganhando um salário várias vezes maior. Tem professor que vira analista, tem policial que vira analista, tem motorista que vira outro cargo. Ou seja, foram pessoas selecionadas que, devido a essas quatro leis, estão mudando de órgão em várias fases com salários várias vezes maior”, criticou Pimentel, em 2014.

Nos quatro órgãos, cerca de 500 servidores seriam beneficiados e seriam transferidos com salários maiores do que recebiam nos seus órgãos de origem. Para a Justiça do Trabalho, no caso do IPA, a transferência sem concurso feriu a Constituição Federal. “Na época da edição das leis, foi denunciado ao Ministério Público de Contas que havia uma reivindicação antiga de servidores de outros órgãos que estavam cedidos ao IPA, PGE, Funape e Arpe de terem a situação deles regularizadas, ou seja, serem efetivados nos órgãos onde estavam trabalhando. Estas leis foram o meio encontrado para atender esta reivindicação, mas na nossa opinião contrariou regras constitucionais”, relata Cristiano Pimentel.

Ainda segundo o MPCO, os servidores beneficiados, antes meramente cedidos e, por isso, ocupando função de forma temporária, ganharam o status de definitivos, incorporaram as gratificações aos salários e têm, portanto, o direito de se aposentar com a nova remuneração. Em um dos casos, um professor da Rede Estadual de Ensino que ganhava R$ 1.698 por 40 horas trabalhadas semanalmente passou, sem concurso, ao cargo de analista administrativo suplementar de procuradoria, recebendo um valor-base de R$ 4.696,95.

A procuradora Germana Laureano informa que está acompanhando o processo no STF para que a mesma decisão do IPA seja aplicada também à PGE, Arpe e Funape. O MPCO tem enviado petições ao relator Edson Fachin pedindo celeridade no julgamento e já foi admitido no processo. Atualmente, segundo o MPCO, cerca de 400 servidores ainda trabalham nestes três órgãos, desde 2014, quando foram publicadas as leis, com salário bem maior que os cargos de origem e sem concurso.

Sileno Guedes, presidente do PSB-PE, no Seminário de Formação Política, organizado pelo partido.
Sileno Guedes, presidente do PSB-PE, no Seminário de Formação Política, organizado pelo partido.Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

O diretório estadual do PSB de Pernambuco reagiu às declarações do clã Ferreira, que anunciou, na manhã desta quinta-feira (21), rompimento com o Governo Paulo Câmara (PSB). Por meio de nota assinada pelo presidente Sileno Guedes, o partido afirma que o grupo "enxerga apenas sua participação ocupando uma das vagas que disputará o Senado da República".

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O Grupo Ferreira havia criticado a "falta diálogo, capacidade administrativa e, principalmente, liderança" do Governo. Na nota, o PSB afirma que "nos últimos anos não faltou ao governador Paulo Câmara capacidade de dialogar com todas as forças políticas de Pernambuco".

Ainda segundo os socialistas, o afastamento do grupo, "depois de 42 meses de presença no Governo do Estado e na Prefeitura do Recife, se dá unicamente no fato de termos demonstrado que não haverá espaço na futura chapa majoritária da Frente Popular".

Confira, abaixo, a íntegra da nota:

NOTA DO PSB-PE

Nos últimos anos não faltou ao governador Paulo Câmara capacidade de dialogar com todas as forças políticas de Pernambuco. Nosso Estado se firma na Federação como um dos poucos que consegue atravessar a grave crise econômica causada pelos problemas vindos de Brasília, sem descuidar de importantes investimentos na segurança pública, na saúde e sobretudo na educação.

No processo eleitoral que se avizinha, o grupo familiar dos Ferreira enxerga apenas sua participação ocupando uma das vagas que disputará o Senado da República.

Diante disso, entendemos que o atual afastamento, depois de quarenta e dois meses de presença no Governo do Estado e na Prefeitura do Recife, se dá unicamente no fato de termos demonstrado que não haverá espaço na futura chapa majoritária da Frente Popular para o referido grupo familiar, uma vez que não faz parte da história do nosso conjunto aceitar esse tipo de imposição.

Sileno Guedes
Presidente Estadual do PSB-PE

Geraldo Alckmin
Geraldo AlckminFoto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

O ex-governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) desembarca, nesta sexta-feira (22), em Pernambuco, para prestigiar o São João de Caruaru, a convite da prefeita da cidade, Raquel Lyra (PSDB) - recém-designada para construir a pauta de segurança pública no projeto presidencial do candidato tucano. Explorando a região Nordeste, onde o PSDB tem menor aceitação, a vinda de Alckmin mira a repercussão regional dos festejos juninos no Estado e traz em seu radar a necessidade de atrair para o seu palanque partidos como o DEM, do deputado e pré-candidato ao Senado Mendonça Filho.

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Segundo o deputado paulista Ricardo Trípoli (PSDB), a agenda foi fechada, nesta quarta (20), em Brasília, na sede do PSDB, mas os detalhes ainda são desconhecidos. O presidenciável desembarca direto em Caruaru às 17h e segue para o Sítio Macambira, às margens da BR-104, onde será recebido pelo ex-governador de Pernambuco, João Lyra, e pela prefeita Raquel Lyra, junto a correligionários e lideranças locais. O deputado federal e presidente do PSDB-PE, Bruno Araújo, e o deputado federal Betinho Gomes estão entre os integrantes da comitiva de Alckmin.

À noite, o tucano seguirá para a Estação Ferroviária, espaço cultural da cidade e um dos principais polos de animação durante as festas juninas, seguindo para o Pátio do Forró, onde encerra sua visita a Pernambuco. Embora não esteja no roteiro divulgado oficialmente, é esperada uma passagem do ex-governador pelo Recife, onde deve se reunir com empresários. O destino seguinte será Campina Grande, na Paraíba, onde, segundo Trípoli, a condução fica a cargo do deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB).

   DEM

Os detalhes da vinda a Pernambuco ficaram nebulosos, num primeiro momento, porque Alckmin passou a quarta-feira em Brasília, em consecutivas reuniões, onde sua equipe de campanha esteve toda mobilizada. O ex-governador está, hoje, na casa dos 6% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa do Datafolha, por isso está se esforçando para reforçar seu palanque.

O apoio do DEM, segundo os tucanos, é a prioridade, entretanto o presidente da Câmara e pré-candidato ao Planalto, Rodrigo Maia, está propenso a marchar com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), o que deixa o partido numa situação de racha. A candidatura de Maia era dada como certa, mas a inviabilidade do democrata forçou uma ação estratégica onde o tom é apoiar um candidato com chances reais de vitória.

Correndo pelo outro lado, o deputado federal Mendonça Filho promoveu, na quarta, um café da manhã na sua residência em Brasília, onde Alckmin falou sobre sua estratégia de campanha para o prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidenciável fez um discurso garantindo que teria o apoio de PSD, PTB, PPS e PV.

Mendonça, que já foi cotado para ser vice de Alckmin, encontrará o ex-governador no Sítio Macambira, em Caruaru, o que é visto pelos tucanos como um gesto de cordialidade. "(No encontro) fizemos uma análise do cenário nacional. Eu defendo a candidatura de Alckmin se Rodrigo (Maia) não for candidato. O DEM, hoje, não tem nenhuma definição no processo sucessório, mas eu pessoalmente defendo Alckmin. A minha opção não é por conta de pontuar bem nas pesquisas ou não, é uma decisão política", frisou Mendonça.

Deputado federal Augusto Coutinho (SD)
Deputado federal Augusto Coutinho (SD)Foto: Agência Câmara

Após se sentir desprestigiada com a dança das cadeiras no Governo de Pernambuco, a cúpula do Solidariedade vai se reunir, nesta quinta-feira (21), no Recife, para debater qual rumo vai tomar nas eleições de outubro. O presidente estadual do partido, deputado federal Augusto Coutinho, o deputado federal Kaio Maniçoba, o deputado estadual Alberto Feitosa, o vereador Rodrigo Coutinho e o ex-deputado federal Carlos Eduardo Cadoca devem discutir qual posição tomar após a promessa de manutenção da Secretaria estadual de Habitação não ser cumprida. O PP, por sua vez, trabalha para preencher todos os espaços que lhe cabe.

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Alguns socialistas dizem que não havia o indicativo de que o partido ficaria com a pasta. Entretanto, o desconforto dos integrantes do SD sinaliza para uma possível ruptura com o Palácio do Campo das Princesas, embora não seja consenso no partido. Lembram que não é a primeira fez que a legenda é preterida: o mesmo ocorreu com o comando da Pernambuco Participações e Investimentos (Perpart), que seria cota do partido, mas ficou à época com André Campos (PSB), que agora é o secretário da Casa Civil. O Solidariedade ocupa a Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe) e o Procon.

Enquanto algumas legendas reclamam do pouco espaço no governo, outras possuem espaços demais, destacou um socialista. O PP, que conseguiu a Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico e os portos de Recife e Suape, está avaliando os nomes para ocupar os cargos vacantes de sua cota. O administrador de Fernando de Noronha, Plínio Pimentel, deixará o cargo e o secretário-executivo de Recursos Hídricos, Guilherme Rocha, assumirá em seu lugar. Os nomes que assumirão Recursos Hídricos e Porto do Recife estão sendo analisados.

O governo estadual não vai se manifestar sobre o desconforto do Solidariedade. Ao anunciar a nova configuração do Secretariado, o Palácio das Princesas avisou que as alterações seguem até amanhã. A nomeação dos secretários Antônio Mário Pinto (Desenvolvimento Econômico), Antônio Junior (Transportes), Bruno Baptista (Planejamento e Gestão), Bruno Lisboa (Habitação), Márcio Stefanni (Turismo) e diretor-presidente do Porto de Suape, Carlos Vilar, foram publicadas, nesta quinta, no Diário Oficial do Estado. No primeiro escalão sobrou apenas a pasta de Administração, sob o comando interino de Marília Lins.

Anderson Ferreira-Paulo-Câmera
Anderson Ferreira-Paulo-CâmeraFoto: Divulgação

O grupo Ferreira anunciou, nesta quinta-feira (21), rompimento com o chefe do Executivo estadual. Em nota, assinada pelo deputado estadual e presidente regional do PSC, André Ferreira, e pelo prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR), os Ferreira afirmam que, ao Governo Paulo Câmara (PSB), "falta diálogo, capacidade administrativa e, principalmente, liderança".

"Hoje a sociedade cobra coragem nas posições política. Nós temos essa coragem e fazemos política por convicção. Não concordamos com a prática do poder pelo poder e nem aceitamos um governo que seja refém da barganha", diz o texto.

André Ferreira é deputado estadual e pré-candidato ao Senado. No entanto, com a atual configuração da Frente Popular, não teria espaço numa chapa encabeçada pelo governador Paulo Câmara. Além de Anderson e André, que assinam a nota, o clã ainda conta com o vereador do Recife Fred Ferreira e com o patriarca da família, o ex-deputado Manoel Ferreira.

Após o anúncio, o deputado federal Bruno Araújo (PSDB) saudou os Ferreira nas redes sociais: "Ao PSC de PE e ao Grupo Ferreira, bem-vindos ao Novo Projeto de Desenvolvimento para Pernambuco!". O aceno pode significar o ingresso do grupo na Frente das Oposições, que tem como pré-candidato ao Governo do Estado o senador Armando Monteiro Neto (PTB).

Confira a íntegra da nota:

Há alguns meses o nosso grupo vem dialogando com vários segmentos da sociedade sobre a necessidade do Estado de Pernambuco iniciar um novo ciclo de mudança. A este Governo falta diálogo, capacidade administrativa e, principalmente, liderança.

Hoje a sociedade cobra coragem nas posições políticas. Nós temos essa coragem e fazemos política por convicção. Não concordamos com a prática do poder pelo poder e nem aceitamos um governo que seja refém da barganha.

Que se submete a trocar cargos por apoio eleitoral e ainda interfere na vida orgânica de alguns partidos.

O nosso grupo faz parte de uma geração de políticos que tem compromisso com a verdadeira mudança. Sabemos o exato tamanho que temos e como podemos contribuir para um novo Pernambuco.

Queremos um Estado em que as pessoas se sintam protegidas e amparadas. Por vezes, fomos a público alertar sobre os problemas que vêm se acumulando e que este Governo não demonstra mais qualquer capacidade para resolvê-los.

Nos últimos três anos e meio procuramos colaborar da melhor forma possível com o Governo do Estado, mas, diante do que foi exposto, o nosso grupo político optou por tomar um novo caminho nas eleições deste ano em Pernambuco.

Anderson Ferreira                                                           André Ferreira
Prefeito de Jaboatão dos Guararapes   Deputado estadual e presidente regional do PSC

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