O líder do PT no Senado acredita que o ex-presidente vai percorrer o país para ouvir o que o povo tem a dizer
O líder do PT no Senado acredita que o ex-presidente vai percorrer o país para ouvir o que o povo tem a dizerFoto: Divulgação

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), comemorou a saída do ex-presidente da prisão em Curitiba, nesta sexta-feira (8), e afirmou que, agora, vê perspectivas positivas de melhora do ambiente para o país. De acordo com o senador, que fundou o PT ao lado de Lula e foi o primeiro ministro da Saúde de seu governo, Lula irá trabalhar para pacificar o país e promover o reencontro do Brasil consigo mesmo.

“Preso de maneira injusta após uma perseguição política que envolveu setores do Ministério Público, da Polícia Federal, da Justiça e da grande imprensa, Lula resistiu bravamente durante exatos 580 dias. Sua força e coragem são exemplo para o povo. Ele está voltando para os braços da população, de onde jamais deveria ter saído. É um dia histórico este 8 de novembro”, disse Humberto.

O parlamentar avalia que Lula saiu da prisão disposto a uma imensa conciliação nacional, mesmo diante de tanta injustiça e de um ambiente completamente radicalizado, liderado por um governo mentiroso e desonesto. Segundo Humberto, o ex-presidente vai provar que uma grande farsa foi responsável pela criminalização do PT e de Lula e pelo roubo das eleições de 2018.

“Lula foi simplesmente fantástico em sua fala de saída da prisão. Ele transmitiu palavras de solidariedade e luta, na paz, por um Brasil melhor. Se pegarem Sergio Moro e alguns delegados e procuradores da Lava Jato e colocarem num liquidificador, não sobrarão 10% da honestidade de Lula”, ressaltou.

O líder do PT no Senado acredita que o ex-presidente vai percorrer o país para ouvir o que o povo tem a dizer, olho no olho, a fim de seguir em frente com a retomada de um projeto de país interrompido. “Desde que o prenderam e ganharam roubando do Fernando Haddad na eleição, o Brasil piorou. O povo está mais miserável, passando fome, sem emprego. Não é isso que deixamos. E os brasileiros não merecem isso”, comentou.

Humberto destacou que o ex-presidente saiu da prisão com o discurso altivo de que não tem mágoa de ninguém, nem mesmo dos funcionários da Lava Jato com quem teve contato durante o período preso.

“Ele tem mesmo vontade de provar que este país pode ser muito melhor do que é com esse governo que tanto mente aí. Eles não prenderam um homem, eles tentaram matar uma ideia. E uma ideia não se mata. Ela se fortalece. Agora, é Lula livre para um Brasil melhor”, declarou.

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Marília Arraes
Marília ArraesFoto: Arthur de Souza

"O STF cumpriu seu papel de guardião da Constituição e que historicamente tem feito no Brasil quando, por exemplo, durante a Ditadura Militar, contrariou o governo ditatorial e soltou Arraes, soltou Vladimir Palmeira, fazendo cumprir o que a Constituição brasileira determina. Foi o que aconteceu agora. A soltura de Lula é uma demonstração de que a eleição de 2018 se deu em um ambiente ilegítimo e que o candidato que ganharia as eleições deveria estar solto, como foi agora. Vivemos um novo momento na história do Brasil. É um marco porque nós estamos em um estado de golpe desde 2016. Aliás, desde que acabou a eleição de 2014 e que a parte derrotada nas urnas não aceitou o resultado, nós vivemos momentos de cerceamento, de ataques a democracia e o que aconteceu hoje, o julgamento do STF, a soltura do presidente Lula, vem marcar, talvez, o começo de novas conquistas e de volta das conquistas do povo brasileiro. Mas temos todos que estar atentos e não esmorecer porque o s ataques que vem acontecendo contra nossa democracia são graves e não podem ser menosprezados"

Marília Arraes

Tadeu Alencar lembrou a amplitude de uma acusação de improbidade, mesmo quando, mais tarde, é considerada improcedente
Tadeu Alencar lembrou a amplitude de uma acusação de improbidade, mesmo quando, mais tarde, é considerada improcedenteFoto: Divulgação

Dentro da filosofia de ir às bases e recolher subsídios junto à sociedade civil, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que avalia e irá propor mudanças na Lei de Improbidade Administrativa (PL 10.887/18) realizou, nesta sexta-feira (08), no Recife, mais um seminário envolvendo instituições das áreas jurídicas, políticas e administrativas. O local foi o auditório Sérgio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

“Como ocorreu nos outros seminários, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, este foi extremamente proveitoso e rico em análises e ideias. Temos certeza de que, daqui, levaremos experiências valiosas para aprofundarmos ainda mais os aprimoramentos que precisam ser feitos nesta legislação”, afirmou o líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar, também presidente da Comissão Especial que tem como relator o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Além dos seminários mencionados por Tadeu Alencar, a Comissão Especial já realizou nove audiências públicas na Câmara dos Deputados. A descentralização das discussões, levando-as aos estados, permite ao colegiado ter conhecimento mais aprofundado dos problemas enfrentados, por exemplo, nos municípios, pelos gestores.

“É uma das pautas mais importantes ora em discussão no Congresso. É preciso que fiquem muito claras as diferenças entre ato ilícito e ato ímprobo. Improbidade é a ilicitude qualificada”, pontuou o procurador-geral do Estado de Pernambuco, Ernani Varjal Medicis Pinto, um dos palestrantes e que defendeu rigor no combate à improbidade administrativa, com justiça na dosimetria das penalidades aplicadas a quem é comprovadamente ímprobo, que age com dolo.

A prefeita de São Bento do Una, Débora Almeida, que falou em nome da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), disse ter a experiência de atuar “nos dois lados do balcão”, já que também é Procuradora Federal. “Já tive que optar entre atender ao INSS e pagar os meus servidores, entre o controle e a gestão”, disse a prefeita, defendendo mudanças.

Para o relator da Comissão Especial, deputado Carlos Zarattini, a necessidade de se delimitar o que é uma improbidade administrativa e o que configura uma irregularidade eventual é o centro da questão e o ponto que, por si, justifica o trabalho. “Gestores honestos podem ser penalizados e cidades pequenas podem quebrar se não forem corrigidas as distorções que a lei hoje traz”, salientou o relator.

Tadeu Alencar lembrou a amplitude de uma acusação de improbidade, mesmo quando, mais tarde, é considerada improcedente. “Nesse meio tempo, o agente público, o agente político, já foi julgado, linchado e condenado, antecipadamente. Mesmo inocentado, o gestor é exposto de maneira que a sociedade, a partir da propositura da ação, já faz um juízo extremamente negativo, como não podia deixar de fazer”, asseverou.

Como integrantes da mesa, também participaram do Seminário o diretor da Faculdade de Direito do Recife (UFPE), Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-PE, Bruno Baptista; o conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco, Valdecir Pascoal; a Promotora de Justiça Maria Aparecida Barreto Silva, representando o procurador-geral do Estado de PE, Francisco Dirceu de Barros; a secretária da Controladoria-Geral do Estado, Érika Lacet; e o procurador federal Paulo Brandão Cavalcanti Neto.

O Projeto de Lei foi elaborado a partir de uma comissão composta por juristas, em fevereiro de 2018, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e coordenada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell. A Comissão Especial foi criada no dia 28 de agosto.

Lula
LulaFoto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Instagram do governador Paulo Câmara

Instagram do governador Paulo Câmara - Crédito: Divulgação/ Instagram



Prefeito Geraldo Julio

"Com o julgamento sobre a proibição de prisão após a 2ª instância realizado ontem pelo Supremo Tribunal Federal e a consequente libertação do ex-presidente Lula, o Brasil restaura a sua institucionalidade jurídica, com o respeito ao que está previsto na nossa Constituição e repara uma injustiça cometida com o presidente que mais fez pelo povo brasileiro, tirando milhões de famílias da pobreza e reduzindo, como nunca havia ocorrido, a desigualdade no País."

Governador se reuniu com parlamentares para relatar ações desenvolvidas no Estado para combater desastre ambiental
Governador se reuniu com parlamentares para relatar ações desenvolvidas no Estado para combater desastre ambientalFoto: Heudis Régis/ SEI

O governador Paulo Câmara, ao lado do secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade José Bertotti, recebeu, nesta sexta-feira (8), a comissão especial de senadores que monitora o vazamento de óleo nas praias do Nordeste. Estiveram no Palácio do Campo das Princesas os senadores Fabiano Contarato (ES), Jean-Paul Prates (RN), Randolfe Rodrigues (AP) e Humberto Costa (PE), além de representantes da bancada na Câmara Federal, como os deputados João Campos, Carlos Veras e João Daniel (SE). No encontro, Paulo Câmara fez um balanço das ações do Governo Estadual para dar combate ao desastre ambiental provocado pelo derramamento de óleo no litoral.

De acordo com José Bertotti, o governador apresentou as iniciativas que vêm sendo desenvolvidas no Estado desde o dia 2 de setembro, momento-chave em que se descobriu que o óleo que atingiu o litoral de Pernambuco não era o mesmo do vazamento da Refinaria Abreu e Lima. "Nesse momento, solicitamos ao Ibama e à Capitania providências para que de imediato o Plano Nacional de Contingência fosse colocado em prática”, afirmou Bertotti, que criticou a demora de resposta do Governo Federal e a falta de identificação concreta desse caso.

“Da nossa parte, pudemos documentar, entregamos uma pasta com todos os ofícios que foram feitos pelo Estado: à Marinha, ao Ministério do Meio Ambiente, ao Ministério da Defesa e à Agência Nacional de Petróleo. E levantamos as questões que são mais importantes em nossa opinião. A primeira medida, o Governo Federal só tomou 37 dias depois, fazendo com que uma comissão fosse instaurada para identificar a fonte do vazamento. Infelizmente, até o momento não temos uma informação precisa de qual é a fonte do vazamento”, lamentou o secretário de Meio Ambiente, que seguiu falando sobre as ações do Governo Estadual.

“Temos equipes mobilizadas em todas as praias atingidas, fazendo monitoramento principalmente das áreas mais sensíveis, que são 14, bem como os estuários que foram afetados, nossos arrecifes e nossos corais. Existem equipes de mergulhadores fazendo ações para retirada do material, coleta de água, coleta de análise, para dar mais tranquilidade à população”, acrescentou Bertotti.

Para o senador Humberto Costa, os esforços desenvolvidos pelas comunidades, prefeituras e Governo do Estado merecem destaque. “Por parte do Governo Federal, houve apenas um esforço maior da parte da Marinha. Em relação à produção de informações ou a um empenho mais efetivo por parte dos órgãos nacionais, isso foi muito pouco. Particularmente, do Ministério do Meio Ambiente. Faltam informações, faltam documentos oficiais, falta o apoio para que esse trabalho venha ser feito, e principalmente, faltam medidas que possam minimizar o drama, para além do desastre ambiental, que é a precariedade da situação econômica das comunidades que sobrevivem tanto das atividades de pesca quanto do turismo”, argumentou o parlamentar.

Humberto Costa comentou ainda as ações futuras que deverão ser empenhadas em Brasília pela comissão. “Vamos levar primeiro essa avaliação de uma subestimação por parte do Governo Federal do que aconteceu e também propostas para que haja socorro urgente e imediato aos trabalhadores e àqueles que dependem da pesca e do turismo", disse. De acordo com o senador, é preciso garantir algum tipo de suporte emergencial, de recursos ou empréstimos para essas comunidades, especialmente os pescadores, uma vez que a quantidade de profissionais cadastrados no seguro-defeso é muito pequena. "É preciso fazer alguma coisa nesse sentido. É preciso produzir análises urgentes que comprovem a qualidade dos frutos do mar, para que a atividade econômica possa acontecer”, finalizou.

Eriberto Rafael é líder do Governo na Câmara do Recife e autor do projeto
Eriberto Rafael é líder do Governo na Câmara do Recife e autor do projetoFoto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Uma audiência pública para esclarecer pequenas alterações feitas no Plano Plurianual (PPA) 2018 – 2021, que deve ser revisado a cada ano e é responsável pelas escolhas estratégicas pactuadas pelo governo com a sociedade, e a Lei Orçamentária Anual (LOA), que estima as receitas do município para o exercício e as fixa com base nas receitas estimadas, foi realizada pelo presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara dos Vereadores, Eriberto Rafael (PTC), na manhã desta sexta-feira (8).

O secretário de Planejamento e Gestão do Recife Jorge Vieira, esteve presente e explicou os planos. No total, 26 vereadores adicionaram ou modificaram 94 emendas da LOA. Já a PPA, foram 98 emendas adicionadas ou modificadas por cinco vereadores.

De acordo com Eriberto, as emendas serão discutidas na Comissão de Finanças na próxima semana, para o relatório das emendas serem fechados e submetidos para aprovação no plenário. "A LOA 2020 é importante para termos a visão do que a Prefeitura está conseguindo arrecadar. Mesmo no momento de crise, a gente vê que ela ainda tem previsão de o orçamento crescer em relação ao ano passado. A Prefeitura busca mecanismos para fazer com que a população tenha condições de pagar, seja por parcelamento ou facilitando a forma de pagamento", explicou.

O líder do governo também argumentou a importância da população nas reuniões para visualizar os investimentos do Executivo com antecedência e ter clareza do que vai acontecer para acompanhar e cobrar os serviços prestados.

Vieira informou que 2020 "tem o valor total de pouco mais de 6 bi entre recursos próprios e recursos de convênios de operações de crédito e transferências". "Não é segredo para ninguém que o país enfrenta a maior crise da história. Todos nós estamos sentindo e a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB), que tem feito um esforço muito grande para manter as contas da Prefeitura em dia. Os que colocamos na LOA 2020 para a educação e saúde excedem o teto mínimo constitucional. Todo ente federativo (estado e município) tem a obrigação de investir 25% do orçamento em educação e estamos colocando 60 milhões a mais do que isso. Na saúde, o teto é de 15% e estamos colocando quase 100 milhões a mais do que o mínimo, mostrando a prioridade que a gestão dá para a educação e saúde", ressaltou.

As reuniões da Comissão de Finanças acontecerão na próxima semana (11) após a sessão plenária, por volta das 17h. Na quinta-feira (14), será às 14h. Eriberto Rafael convidou vereadores, assessores e público para participar da discussão das emendas uma por uma “para ver a discussão e por qual motivo ela foi aprovada ou rejeitada”. O teto legal da LOA é de 4,5%, ou seja, R$170.200 mi aplicados em investimentos na Câmara Municipal do Recife.

Alice Albuquerque, da editoria de Política

Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Por Hely Ferreira, cientista político

Na seara do Direito Penal é possível encontrarmos alguns tipos de arrependimento. Dentre eles, o arrependimento eficaz. O mesmo ocorre, quando o agente arrepender-se e busca evitar que o resultado aconteça. Entretanto, vale salientar que, o arrependimento deve ser voluntário. Não significa dizer que o mesmo tem que ser espontâneo.

Porém, se o fato foi consumado, significa que não poderá ocorrer o arrependimento
eficaz. Também existe o arrependimento posterior. Deixando de lado a expressão redundante, para que ocorra a redução da pena, a reparação deve ser “pessoal, completa e voluntária”, buscando abarcar todo o prejuízo que foi causado ao sujeito passivo do crime.

O ser humano é mesmo imprevisível. Capaz de ser solidário com seu semelhante em momentos em que as agruras estão tentando destruí-lo, e ao mesmo tempo, se comportar de tal forma que se chega a por em xeque a teoria aristotélica com relação a sua vivência natural em gregário. 

Infelizmente, muitos se escondem por trás de um pedido de desculpas, para destilar sua cólera com relação ao que não lhe afeiçoa. Há aqueles que sabem que não devem fazer ou falar algo, mas mesmo assim faz e depois, utiliza a desculpa como maneira de purgar o seu erro, mas no íntimo não está arrependido. Na verdade, o pedido de perdão não passa de objeto de retórica.

Não sei as vezes que ouvi a afirmativa de que se deve evitar fazer coisa errada, para depois não ter que pedir desculpas. Afinal, Carnelutti já disse em sua obra As Misérias do Processo penal, que Deus perdoa, mas a sociedade não. Até o Criador não
banaliza o perdão, basta aprender com a história de Esaú.

Hely Ferreira é cientista político.

O requerimento da audiência foi apresentado pelos deputados do Solidariedade Augusto Coutinho (PE) e Dr. Leonardo (MT)
O requerimento da audiência foi apresentado pelos deputados do Solidariedade Augusto Coutinho (PE) e Dr. Leonardo (MT)Foto: Divulgação

Na próxima segunda-feira (11), a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara (CSSF) receberá pesquisadores e representantes do governo para debater a existência de bactérias que podem ter contribuído para casos de microcefalia associados ao zika. O requerimento da audiência foi apresentado pelos deputados do Solidariedade Augusto Coutinho (PE) e Dr. Leonardo (MT), a partir de estudo de universidades brasileiras divulgado pela imprensa em setembro.

Em 2015, um surto de zika vírus no Brasil atingiu 144 mil pessoas – 12 mil delas estavam grávidas e mais de 3 mil crianças nasceram com malformação no cérebro. A pesquisa recente, realizada em conjunto pelo Instituto D’Or (IDOR), pela Fiocruz e pelas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Rural de Pernambuco (UFRPE), apontou que as malformações nos cérebros dos recém-nascidos podem ter sido agravadas por um problema de saneamento básico: uma bactéria encontrada nos reservatórios de água fornecida para a população.

Essa bactéria libera uma substância venenosa, a saxitoxina. No Nordeste, entre 2014 e 2018, metade das cidades a encontraram em seus reservatórios, muito mais que nas outras regiões. Mas a existência dela na água não é proibida, há um limite considerado seguro pelo Ministério da Saúde.

Nos testes em laboratório, os pesquisadores utilizaram uma dosagem da saxitoxina 200 vezes menor que o nível permitido. Eles constataram que a associação da toxina com o zika vírus acelerou a morte das células do cérebro. E, por causa disso, as malformações foram mais graves, como aconteceu no Nordeste, em 2015.

Impacto nordestino

Apesar de não ter tido o maior número de casos da doença, a região registrou, na época, 88,4% dos casos de microcefalia em bebês por conta do zika. “Só em Pernambuco, 458 crianças nasceram com essa malformação e nunca souberam responder por que lá teve mais casos, isso é grave”, argumenta Augusto Coutinho.

Coutinho destaca que o principal objetivo da audiência é alertar o governo federal. “O Ministério da Saúde precisa rever essa quantidade dita segura de cianobactérias na água fornecida à população e o tema precisa ser discutido, pois pode haver aí uma forma de evitar que mais bebês nasçam com microcefalia por causa da zika”, comenta.

Horário

A audiência pública está marcada para as 15h de segunda-feira, no plenário 7 da Câmara dos Deputados. Entre os convidados estão representantes da Anvisa, da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, da Universidade de São Paulo (USP), e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também foram chamados os autores da pesquisa, professores Patricia Garcez e Stevens Rehen, da UFRJ/Instituto D’or, e Renato Molica, da UFRPE.

O encontro também será transmitido pelo portal edemocracia com possibilidade de participação do público: https://edemocracia.camara.leg.br/audiencias/sala/1396

Praia de Porto de Galinhas
Praia de Porto de GalinhasFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha de Pernambuco

O Governo de Pernambuco divulgou, nesta sexta-feira (8), o resultado das análises de água das praias atingidas por petróleo vindo do alto-mar. Foram examinadas amostras de 16 praias e todas foram consideradas próprias para o banho. Os estudos, realizados pela Agência Estadual de Meio Ambiente – CPRH em parceria com outras instituições, não detectaram presença de hidrocarbonetos, compostos orgânicos encontrados no petróleo e que, em grandes concentrações, podem causar danos à saúde.

Duas baterias de análises foram realizadas com amostras colhidas nos dias 24, 26 e 31 de outubro. Os laudos saíram simultaneamente. A pesquisa mais recente teve à frente o Instituto de Tecnologia de Pernambuco – Itep, que avaliou as amostras coletadas nos dias 26 e 31 de outubro no litoral dos municípios de São José da Coroa Grande (foz do Rio Persinunga), Tamandaré (Boca da Barra, Carneiros e Tamandaré), Ipojuca (Maracaípe e Muro Alto), Cabo de Santo Agostinho (Suape, Gaibu, Itapuama e Paiva), Jaboatão dos Guararapes (Barra de Jangada), Paulista (Janga e Pau Amarelo), Goiana (Itapessoca) e Ilha de Itamaracá (Jaguaribe e Forte Orange).

O estudo envolveu a análise de 21 compostos da cadeia de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (tidos como HPAs) e o grupo conhecido por BTEX (Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xileno). O Itep avaliou todo este conjunto de substâncias para as amostras de águas colhidas no dia 31 e apenas do grupo BTEX para o material recolhido no dia 26. Em ambos os casos, os níveis desses compostos são tão baixos que os equipamentos não conseguiram detectar. Isso se deve a dois fatores: tempo de exposição do material no ambiente e a hidrodinâmica das marés.

Já os pesquisadores do laboratório da OrganoMAR (UFPE) avaliaram as amostras colhidas no dia 24 de outubro, fazendo o diagnóstico específico para o grupo de HPAs.

Duas baterias de análises foram realizadas com amostras colhidas nos dias 24, 26 e 31 de outubro

Duas baterias de análises foram realizadas com amostras colhidas nos dias 24, 26 e 31 de outubro - Crédito: Divulgação

Ação faz parte da estratégia de descentralização da segurança pública em todo o Estado
Ação faz parte da estratégia de descentralização da segurança pública em todo o EstadoFoto: Hélia Scheppa/SEI

Mais reforço na segurança da Região Metropolitana Norte do Estado. O governador Paulo Câmara inaugurou, nesta sexta-feira (08/11), a sede própria do 26º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco (26º BPM), no município de Itapissuma. O Batalhão, que já estava ativo desde o ano passado, utilizava a sede do 17º BPM, no Paulista. O efetivo, no entanto, já reforçava o trabalho de prevenção e combate aos crimes no Litoral Norte, com foco nos municípios de Itapissuma, Igarassu, Itamaracá e Araçoiaba.

O governador destacou a importância dessa iniciativa no município. “Um caminho importante e um passo fundamental para melhorar a segurança e ajudar a diminuir cada vez mais a violência em Pernambuco. É importante também fazer novas estruturas, como estamos fazendo com o 26º batalhão, que já estava funcionando, mas precisava de sua sede para dar mais agilidade e para poder responder, de maneira muito mais eficaz. Já são 23 meses de redução no número de homicídios, o que mostra, claramente, que Pernambuco está no caminho certo e que nós vamos restabelecer a paz”, afirmou.

Segundo o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, o serviço a ser prestado pela Polícia Militar na área através desse novo batalhão está dentro do compromisso do Pacto pela Vida, e a decisão foi tomada após um estudo. “O 26º batalhão é fruto de um grande planejamento realizado pelo Pacto Pela Vida. A ideia, dentro dessa política de visão do pacto, é atender uma demanda específica e dividir os esforços. Paulista vai continuar com o 17º batalhão atuando no município e, além dele, em Abreu e Lima. E o 26º atenderá esses quatro outros municípios, a partir de Itapissuma”, explicou Pádua.

Situado na Rua Barão de Itapissuma, bairro do Grêmio, a sede do 26º BPM foi erguida em uma parceria com a Prefeitura de Itapissuma. Em sua estrutura, dispõe de alojamentos, áreas administrativas, sala de planejamento, armaria e Central de Operações da PM (Copom). Além disso, conta com um efetivo de cerca de 300 policiais militares e uma frota de 49 viaturas, sendo 20 motocicletas, sob o comando do tenente-coronel Ivson Amílcar. Com uma população estimada em mais de 190 mil habitantes, a região tem vivenciado um aumento de moradores com a chegada de novas indústrias, sem contar a população flutuante, nos períodos de veraneios. A área conta, ainda, com quatro importantes unidades prisionais.

Estiveram presentes à solenidade Eriberto Medeiros, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco; Zé de Irmã Teca, prefeito de Itapissuma; Joamy Alves, prefeito de Araçoiaba; Mário Ricardo, prefeito de Igarassu; Tato, prefeito de Itamaracá; Eleonilda de Santana, vice-prefeita de Itapissuma; coronel Carlos José, secretário-chefe da Casa Militar; os deputados estaduais Joel da Harpa e Antônio Fernando; coronel Vanildo Maranhão, comandante geral da Polícia Militar de Pernambuco.

NOVAS ESTRUTURAS – O 26º Batalhão da Polícia Militar faz parte de um pacote de ações do Governo de Pernambuco para descentralizar e fortalecer a atuação da segurança pública em todo o Estado. Assinado em dezembro de 2017, pelo governador Paulo Câmara, os decretos garantiram a criação de novas unidades para o Corpo de Bombeiros e para as polícias Militar, Civil e Científica. Desde então, foram instaladas nove Delegacias de Repressão ao Narcotráfico (Denarcs), nos municípios do Cabo de Santo Agostinho, Goiana, Vitória, Garanhuns, Arcoverde, Serra Talhada, Ouricuri, Petrolina, Caruaru. Também foram inauguradas Delegacias da Mulher de Afogados da Ingazeira, no Sertão, e do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.

Além disso, novas Unidades Regionais de Polícia Científica foram erguidas em Afogados da Ingazeira, Arcoverde, Ouricuri e Salgueiro (que atendem diferentes regiões do Sertão); Garanhuns (Agreste); Palmares (Zona da Mata Sul) e Nazaré da Mata (Zona da Mata Norte), abrangendo os respectivos municípios circunvizinhos.

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) também descentralizou seus atendimentos à população, com a inauguração do 7º Grupamento dos Bombeiros, em Carpina; e do 8º Grupamento, em Surubim. Também entregou à população novas seções do Corpo de Bombeiros em Pesqueira, Bonito, Toritama, São José do Egito, São José do Belmonte e Santa Maria da Boa Vista. Já a Polícia Militar foi reforçada com a 11ª Companhia Independente da Polícia Militar (11ªCIPM), de Lajedo; a 10ª CIPM, de Tamandaré; a 9ª CIPM, em Araripina; além do 1º e 2º Batalhões Integrados Especializados (BIESP), em Caruaru e Petrolina, respectivamente.

Situado na Rua Barão de Itapissuma, bairro do Grêmio, a sede do 26º BPM foi erguida em uma parceria com a Prefeitura de Itapissuma

Situado na Rua Barão de Itapissuma, bairro do Grêmio, a sede do 26º BPM foi erguida em uma parceria com a Prefeitura de Itapissuma - Crédito: Hélia Scheppa/SEI

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