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Luciano Siqueira
Luciano SiqueiraFoto: Reprodução/Facebook

Escaramuças em equipe de governo nunca são saudáveis, devem ser evitadas. Governantes fortes e hábeis costumam evitá-las. Pois se ganham maior dimensão convertem-se em crise de governo.

O capitão presidente Jair Bolsonaro tem colecionado escaramuças no interior do seu governo, tanto ao norte como ao sul, envolvendo figuras do próprio núcleo central, que opera no Palácio do Planalto.

Sua relação com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, tem sofrido fricções por razoes diversas, que vão desde o tratamento ambos dão à imprensa (bem diferenciado entre si) à loquacidade do vice, que opina em pública sobre temas diversos. Inclusive questões polemicas na própria equipe de governo.

Mas o caso do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, assume traços histriônicos, além de dramáticos. Depõe muito mal em relação à suposta seriedade do governo.

Envolvido em rumoroso caso de transferência indevida de altas somas do fundo partidário eleitoral para candidatas ditas “laranjas” inscritas em seu partido, o PSL, Bebianno agora colide frontalmente com o Clã Bolsonaro, um filho deputado e o próprio presidente pai.

Ambos lhe atribuem a condição de mentiroso.

O ministro, que deveria mostra-se indignado e defender a própria honra, declara-se apenas magoado e antecipa a decisão de não se demitir.

E se pretende assim mesmo seguir na equipe palaciana será porque há de ter suas razões para tanto, que não devem ser de pequena monta.

Também se Bolsonaro pai e presidente manterá um ministro que ele próprio expôs à execração pública, ainda não e sabe.

Seja o que acontecer nas próximas horas, algo fica muito evidente: até nas crises palacianas o governo exibe seu insofismável DNA de baixo clero.

Ai de ti, República!

Alex Ribeiro
Alex RibeiroFoto: Divulgação Facebook

A posse do juiz Sérgio Moro como superministro da Justiça é um “um gol de placa” como dizem alguns jornalistas no governo do presidente Jair Bolsonaro. Esta assertiva me foi apresentada em um dos programas de rádio de Pernambuco. Afirmei que o magistrado é uma das figuras públicas mais admiradas do País, mas a longo prazo as críticas à sua atuação devem aumentar.

Para isso podemos levantar as seguintes argumentações. A primeira é a mais previsível no cenário político: não se envolver com a velha política, ou seja, Moro assumiu um cargo prometendo varrer a corrupção num mar de figuras públicas que já estão entranhados em processos-crime. O diálogo com esses atores é necessário para aprovação de projetos de lei.

O magistrado também estará em posição delicada quando for lidar com casos suspeitos
envolvendo membros do governo, vide o caso do ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni – que confessou ter recebido caixa 2, mas depois disse que “se arrependeu”, afirmação que ganhou elogio do próprio Moro “tenho grande admiração por ele” –, como também no caso do secretário-geral da presidência Gustavo Bebiano , suspeito de repassar recursos eleitorais do PSL a candidatos laranjas nas eleições de 2018.

Sobre o episódio envolvendo Bebiano, Moro afirmou que será investigado. No entanto, este tipo de acusação também ocorre com o Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e com um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro. Sobre estes dois últimos o magistrado silencia-se. A justiça se escancara mais uma vez como seletiva.

A segunda argumentação é sobre o pacote anticrime. Por contar com um significativo apoio popular Moro tem portas abertas para efetuar esse tipo de projeto. No entanto, órgãos como a Ordem de Advogados do Brasil (OAB) - que afirmam que problemas de segurança pública não serão resolvidos sem um diálogo com a sociedade -, e o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, que chamam o projeto de frágil, mostram as contradições do ministro. Afinal, ser transparente não é pensar no coletivo em vez de tomar decisões complexas com apenas uma canetada ?

A terceira argumentação é uma comprovação histórica. A politização da Justiça faz parte da formação do Estado brasileiro. No qual as funções dos magistrados se misturavam com as atuações policiais e políticas. Os olhos da história revelam que os homens de toga estão sempre em diálogo com outras figuras públicas do parlamento ou Executivo. Saindo dos bastidores, personagens como Marcelo Betras e Dalton Dallagnol mostram que suas movimentações vão além do corpo judiciário. Embalados pela onda Moro, estes dois últimos transparecem o seu lado político em prol do governo.

Sejam por interesses pessoais ou não, esses profissionais da lei podem até se tornar
conhecidos como imparciais pelo âmbito jurídico, mas não serão pelos tribunais da História.

Ou será possível afirmar que um juiz que assume um cargo de ministro logo após condenar o maior opositor a Jair Bolsonaro atuou apenas pelas letras que regem a lei brasileira ? É só observar as suas movimentações, as declarações de sua esposa nas redes sociais. A justiça dever ser sempre cumprida, mas quando a política não está envolvida – algo indissociável no Brasil atual.


*Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia, cientista político pela UFPE e jornalista.

Devastação causada pelo rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho (MG).
Devastação causada pelo rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho (MG).Foto: Adriano Machado/Reuters/Direitos reservados

Tragédia. Essa parece ser a palavra que tomou conta das conversas em rodas de bar, nas filas dos supermercados, nas ruas, nos pontos de ônibus e em qualquer lugar onde se aglomerem pessoas para conversar no Brasil. A sucessão de eventos catastróficos no país vai dando a conhecer aos brasileiros que aqui não é exatamente a terra de nosso senhor, como escreveu Ary Barroso, mas, sim, o lugar das tragédias, do desastre inevitável, do terrível destino.

A execução de Marielle Franco no ano passado, o incêndio do museu nacional, o estouro da barragem em Brumadinho, os meninos sufocados e carbonizados no Ninho do Urubu, tudo isso parece confirmar que a palavra tragédia veio para ficar nas bocas. A esses eventos, somem-se a queda do helicóptero onde voava o jornalista Boechat e o assassinato de treze jovens no morro do Fallet no Rio de Janeiro nesta semana, bem como tantos mais outros acontecimentos parecidos e menos notórios que acontecem todos os dias no Brasil, em maior ou menor grau, e que atingem pessoas anônimas tocando suas vidas diárias.

No entanto, se a palavra “tragédia” pegou para nomear esses e outros acontecimentos, essa noção não é apropriada para explicá-los. Observe bem o leitor que essa palavra tem origem na Grécia antiga, onde eram encenadas peças nas quais os personagens estavam como que presos inexoravelmente aos seus destinos. Assim, a palavra “tragédia” traz consigo a ideia de algo que não poderia ser evitado. E, de todos esses eventos listados acima, qual deles pode ser de fato considerado como inevitável?

Em Brumadinho, o restaurante da empresa, onde morreram dezenas de pessoas, foi colocado a jusante da barragem, e nos relatórios da Vale, todo o desenrolar do desastre estava previsto, até a quantidade de pessoas que poderiam morrer; o museu nacional não tinha nenhuma proteção contra incêndio, era frágil e fragilizado, e sua destruição era somente uma questão de tempo; o jornalista morreu em uma queda de helicóptero, cuja empresa não tinha autorização para levar passageiros; as instalações do centro de treinamento do Flamengo eram impróprias para acomodar pessoas; os jovens assassinados no morro do Rio foram vítimas de um Estado que parece ter perdido o controle da situação e agora vai legalizar o abate sumário de pessoas, com a lei anticrime do ministro Moro. Nada há nesses acontecimentos de inexorável e, portanto, nenhum deles pode ser estritamente chamado de trágico.

As sociedades humanas já foram um dia vítimas involuntárias da natureza e do acaso, e as tragédias gregas espelhavam esse estado de coisas. É a partir da filosofia grega, sobretudo aquela que nasceu com Sócrates, que a razão passa a funcionar como arrimo para domar as forças na natureza; e com ela, nasce o cálculo para prever os acontecimentos, a tentativa de fuga do destino inexorável e o nascimento do Estado moderno, racional, fiscalizador, organizador dos embates entre os indivíduos, punindo quem quebra as regras, prevenindo desastres, se desviando do martelo trágico do acaso natural.

Tudo isso somado, tudo isso dito, o que ocorreu nesses últimos meses não pode ser chamado de tragédia, pois tudo aquilo estava previsto, estava calculado. Foi desleixo, usura, ganância, desobediência das regras ditadas pela lei, foi crime, permitidos por um Estado desorganizado e leniente.

O Estado, como concebido por aquele que é considerado por muitos um liberal, Thomas Hobbes, tem como tarefa primeira a de evitar a guerra entre indivíduos que compõem uma sociedade. O Estado, no Brasil, pena para encontrar o caminho racional da promoção da cidadania que implique a pacificação da sociedade, dificuldades patentes nos eventos cotidianos neste país que ceifam vidas humanas e que destroem o patrimônio nacional.

*Jorge Waquim, filósofo pela Universidade Paris Nanterre. 

Cientista político Hely Ferreira
Cientista político Hely FerreiraFoto: Folha de Pernambuco

É possível que alguém ache prematuro tratar do tabuleiro eleitoral de 2020. Assiste razão quem assim pensa. Entretanto, diferentemente da maioria dos eleitores, seus “representantes” pensam em eleições da mesma maneira que presidente de Escola de samba do Rio de Janeiro pensa em carnaval, ou seja, ao término da apuração já pensa no enredo do próximo ano. Sendo assim, não se torna prematuro conjecturarmos com relação às eleições de 2020.

O fato de está governando a cidade do Recife e o Estado, o PSB certamente lançará candidatura própria. A pergunta é: quem será o candidato? Por outro lado, caso o atual presidente da República, ainda esteja em céu de brigadeiro com o eleitorado, muitos nomes poderão surgir na base para concorrer ao cargo de prefeito da Veneza Brasileira. É possível que uma parcela da chamada ala evangélica, também apresente um candidato.

De todas as pré-candidaturas, a encabeçada pelo PT é a que possui maior incerteza, depois da forma como foi conduzida a aliança com o PSB, preterindo uma candidatura ao governo do Estado com reais chances de vitória. Paira a dúvida se o PT vai ter candidatura própria, ou caminhará como coadjuvante do PSB. Não é debalde a especulação que cresce de que o principal nome do PT para disputar a prefeitura, irá deixar a sigla para se filiar a outra agremiação que garanta que sua candidatura na será rifada.

*Hely Ferreira é cientista político.

Luciano Siqueira
Luciano SiqueiraFoto: Reprodução/Facebook

*Por Luciano Siqueira

É certo que há fatores externos, que pesam tanto mais quanto vulnerável é a nossa economia. Sobretudo em tempo de crise global.

Mas o fato é que há um déficit da balança comercial da indústria de transformação que aumenta desde o ano passado.
  
O Valor Econômico cita dados de estudo realizado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que indicam um saldo negativo de US$ 3,22 bilhões em 2017 e de US$ 25,16 bilhões em 2018.
  
Um salto no mínimo preocupante.
  
E a perspectiva não é boa, sob o governo do capitão Bolsonaro. Uma das linhas de ação do atual superministério da Economia é justamente maior abertura aos produtos estrangeiros, com medidas como a redução das alíquotas de importação.

Hoje, produtos industrializados manufaturados e semimanufaturados concorrem com apenas 48% de nossas exportações, um significativo recuo em relação a 2007, por exemplo, quando correspondia a 65,8% (com saldo positivo, então, de US$ 18,93 bilhões).

Sinais clínicos de uma doença estrutural, vinculada essencialmente ao tipo de capitalismo que aqui historicamente se desenvolve: tardio, destorcido, desigual e dependente.

Nos anos recentes, desde Collor e Fernando Henrique, acentuou-se um modelo marcado pelo enfraquecimento do Estado nacional, transferência de segmentos estratégicos ao capital privado interno e estrangeiro, finaceirização excessiva. Ao rentismo, tudo!

No ciclo Lula-Dilma, apesar da adoção de uma Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce), a partir 2004, os efeitos limitados. Fez parte da resistência do “velho”, que havia perdido as eleições de 2002, ao “novo”, vitorioso, que procurava se afirmar, minar essa política em suas raízes.

Demais, uma série de medidas legais dependentes do Legislativo não pode se concretizar a contento e em tempo hábil em razão da correlação de forças existente no Congresso. Mesmo quando em maioria numérica, o governo não contou com apoio consistente para transformações de caráter estrutural.

Agora, com a onda regressiva vigente, maiores dificuldades enfrentará a indústria brasileira.

E na agenda da resistência democrática e da luta pela retomada do desenvolvimento em bases soberanas, este é um item indispensável – seja pelo seu peso específico num projeto de desenvolvimento nacional, seja como elemento de ampliação da coalizão de forças oposicionistas.

Após ser vaiado por críticas a Lula, Ciro Gomes tentou se redimir diante dos presentes com uma faixa do "Lula Livre"
Após ser vaiado por críticas a Lula, Ciro Gomes tentou se redimir diante dos presentes com uma faixa do "Lula Livre"Foto: Divulgação

Estive presente na décima primeira Bienal da UNE em Salvador e assisti a mesa“Os desafios da conjuntura para o desenvolvimento nacional”. Entre os vários debates que ocorriam no evento este era o que mais trazia expectativa por conta da presença do ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes. Alguns gritos de repúdio não amedrontavam o pedetista, pelo contrário, seu discurso sobre as expectativas do novo governo e o futuro do País atraiam a atenção da plateia.

Ciro Gomes tem razão quando pede para os movimentos progressistas pensarem em reivindicações mais atuais e não ficarem presos às pautas antigas. Ele sugere uma união das forças da dita esquerda em prol de causas em comum.

O pedetista tem razão quando nem todos os eleitores do novo presidente são fascistas. Em seu discurso, ele até minimiza o termo, preferindo aguardar as medidas econômicas de Jair Bolsonaro. “Precisamos ter essa sensibilidade e respeitar a maioria que o elegeu” – argumento dito em entrevista ao El País, mas que não difere muito de suas palavras no evento da UNE.

O ex-governador do Ceará está certo quando jovens não devem defender corruptos, o aparelhamento do Estado e formação de quadrilha. Para ele, temas como educação, saúde, desemprego e segurança precisam ser os pontos principais das discussões.

Só que Ciro Gomes não parece ser o ator político capaz de conduzir esse grupo. Ele tem razão em varias pautas, mas com uma racionalidade característica de membros centristas ou de direita. Ele fala que a paixão política sobressai aos debates em alguns grupos estudantis, os igualando até aos apoiadores de Bolsonaro. Mas o pedetista também parece estar sempre movido por paixões, contra os esquerdistas claro – é ser um pitbull com os ditos progressistas, “eu sou o pós PT” e dócil em conversas com apreciadores e membros conservadores, o DEM que o diga.

Ao usar frases como “Lula está preso, babaca”, o ex-governador do Ceará não consegue agradar nem a gregos e nem a troianos: a grande maioria dos grupos de esquerda o rejeitam ainda mais – Lula é o maior líder popular do Brasil, queiram ou não queiram os juízes, e tem uma base eleitoral significativa; e os de ultra direita usam o novo jargão como motivo de chacota, mas não o suficiente para ter admiração pela eterna alternativa à Presidência da República que não consegue mudar de patamar desde a sua primeira campanha ao Palácio do Planalto.

Afinal, se quer que os outros usem estratégias diferentes para não serem novamente derrotados por que não faz o mesmo? A postura de ser o senhor da razão marchando com
uma militância que cresce a passos lentos, como é o PDT, não parece ser o caminho de mais sucesso numa possível corrida eleitoral. Seguir nesses rumos é se prender a uma “esquerda light” que agrega poucos e parece não sair do lugar.


*Alex Ribeiro é doutorando em História Política pela Universidade Federal de Pernambuco, cientista político pela UFPE e jornalista.

Luciano Siqueira
Luciano SiqueiraFoto: Reprodução/Facebook

Quem não idealiza a figura das pessoas que admira e tem o desejo de conhecer pessoalmente?

Na dura militância clandestina, desde que ingressei no PCdoB, no início dos anos 70 — partido hoje quase centenário, de larga tradição de luta e combatentes lendários —, alimentava enorme vontade de conhecer nosso principal dirigente, João Amazonas.

Sequer conseguia mentalizar como seria a sua fisionomia então, dele conhecera apenas fotos antigas.

Foi quando o jornal Movimento publicou entrevista feita em Paris, ilustrada com a foto do velho dirigente, sorriso simpático, cabelos alongados e escorridos, totalmente brancos.

A foto me impressionou como se o estivesse vendo de perto, levando-me a supor tratar-se de um homem de porte mediano, fisicamente muito forte, postura imponente.

Até que numa reunião no Centro de Cultura Operária, em São Paulo, após a Anistia, finalmente o contato "ao vivo e a cores" se deu.

Na reunião, a que compareci com Alanir Cardoso, estavam José Duarte, Dynéas Aguiar (também velhos dirigentes), João Amazonas e Renato Rabelo (dirigente da nova geração). O tempo presente se confundia com a História!

Dentre os mais antigos, antes, me impressionara Diógenes Arruda, que retornou ao Brasil antes de Amazonas, e esteve no Recife por uns quinze dias, e eu o acompanhei em várias conversas e pequenas reuniões. Exuberante, comunicativo, bigode denso, costeletas espessas, pródigo em falar sobre todos os assuntos, sobretudo sobre a História do Brasil e a trajetória do PCdoB.

A surpresa foi Amazonas: pequenino, de aparência fisicamente frágil, tímido e de uma simplicidade comovente. Ouvia atentamente, falava baixo, pausado, como se quisesse a um só tempo convencer e cativar o interlocutor. Porém um gigante na condução clarividente e firme do nosso Partido, parecendo-me assim bem "maior" do que eu imaginara.

Essa discrepância entre o imaginado e o real ocorre cotidianamente, às vezes de modo até divertido, entre nós outros simples mortais.

Na minha última campanha de deputado estadual, vitoriosa, mais de uma centena de militantes e ativistas concentrados numa das esquinas do Alto José Bonifácio, zona norte do Recife, aguardando o início de uma caminhada pelas ruas do bairro. Uma jovem se aproxima e pergunta:

— Quem é o deputado?

— É aquele ali.

— Virgem Maria, é muito mais feio do que parece no panfleto!

— Pois essa é a esposa dele, falou alguém próximo.

— Perdão, dona, não é bem isso que eu queria dizer...

— Tem problema não, ele sabe disso.

Pelo menos fica a certeza de que "tamanho não é documento" — feiura também não. Vale o que cada um pensa e faz.

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Alex Ribeiro
Alex RibeiroFoto: Divulgação Facebook







O questionamento do superministro da Justiça Sérgio Moro no esforço de justificar a liberação para posse de armas, em contraponto as estatísticas da violência no país realizadas por especialistas, é bastante representativo na nova era que está surgindo
o do ceticismo sobre pesquisas acadêmicas e o crescimento do anti-intelectualismo. O argumento do juiz da Lava Jato só faz aumentar essa tentativa de criar uma crise de paradigmas dentro da própria ciência pela população em geral.

Em recente artigo intitulado “Is Anti-Intellectualism Ever Good for Democracy?” Adam Waters e EJ Dionne, Jr. analisam que o progressivo aumento do repúdio aos intelectuais se deve principalmente as frustrações como o crescimento da desigualdade social e do globalismo. Os autores relatam que existem dois tipos de crítica aos acadêmicos: os dos “impacientes” e da oposição direta ao projeto intelectual. O primeiro é atrelado a promoção da democracia social e liberal; já o ultimo é uma ameaça para ambos.

As críticas às liberdades de expressão são bem diferentes de um saudável ceticismo aos intelectuais. Ignorar e subverter as pesquisas ao senso comum e a opinião própria são ferramentas que fragilizam a democracia e os projetos políticos. Desmerecer e repudiar os acadêmicos que têm uma longa trajetória dedicadas aos estudos não é o melhor caminho. Infelizmente esta é uma prática que ocorre no Brasil. O acirramento político trouxe discursos radicais. Para contra-argumentar vale tudo, até chamar de comunista, marxista.

Aliás, parece que ser marxista virou um xingamento e motivo de acusações suspeitas –vide a nota do Ministério da Educação que acusa o jornalista Ancelmo Gois de ter sido membro do antigo serviço secreto comunista, a KGB. O que vale é ser nacionalista e liberal – se é que da pra entender alguma coisa sobre essa conjunção de termos.

Exaltar a bandeira e os símbolos de um país não lhe faz ser mais patriota. A História mostra que esse tipo de comportamento aumenta mais a xenofobia em alguns países.

Essa defesa da ultra direita contra o intelectualismo visa a descredibilizar o trabalho e esforço de pessoas que dedicaram suas vidas ao estudo, anos de pesquisas acadêmicas embasadas em documentos históricos e outras fontes fidedignas de informação.
Tentam minimizar números oficiais por meio de correntes de fake News disparadas por WhatsApp. Vale desmerecer José Murilo de Carvalho, referência em historia da cidadania no Brasil, para legitimar a ministra da família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, doutora em Direito, mas que não possui diploma.

Em contrapartida os ditos intelectuais devem saber absolver as críticas saudáveis da população em geral e tentar também sair da bolha acadêmica e se engajarem socialmente. Os muros da academia não podem ser vistos como o “Olimpo cultural”. Ou, parafraseando o ministro da educação, Ricardo Velez, restritos a uma “elite intelectual”.


*Alex Ribeiro é doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia, cientista político pela UFPE e jornalista.

Resgate de vítimas em Brumadinho
Resgate de vítimas em BrumadinhoFoto: Mauro Pimentel/AFP

No dia 12 de agosto de 2000, afundou um submarino pertencente à Marinha Russa, com 118 pessoas em suas dependências. Embora o Estado russo tenha recebido solidariedade de outros países, inclusive com a possibilidade de resgatar toda tripulação ainda com vida, o governo russo “ignorou” a ajuda internacional, surgindo especulações de que a decisão em não querer ajuda, era para preservar o sigilo das pesquisas que estavam sendo desenvolvidas pelos tripulantes. Se realmente foi o motivo, é uma clara demonstração que a vida humana encontra-se em segundo plano e o poder em primeiro.

Em 05 de novembro de 2015, ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, localizada na cidade mineira de Mariana pertencente à empresa Vale S.A. O desastre ocorrido, até o momento, é considerado o de maior impacto ambiental da história brasileira. O quadro foi desolador, onde se tornaram vítimas, o homem, os animais e a vegetação. Tudo por conta do descaso e a ganância pelo poder. As vidas que foram ceifadas e o impacto ambiental causado são indizíveis. Quando se pensava que teria sido suficiente o que ocorrera em Mariana, para aumentar a vigilância com  relação às possíveis tragédias ambientais causadas pelo homem, no dia 25 de janeiro do ano em curso, mais uma vez o

Estado de Minas Gerais foi atingido por um novo desastre ambiental. Sendo o mesmo provocado pela ambição humana. O fato ocorrido em Brumadinho, até o momento, muitas famílias se quer sabem do paradeiro dos seus entes queridos.

Provocando uma angústia, pois, embora se acredite não haver mais possibilidade de encontrar algum ser humano com vida, seus parentes querem ter a oportunidade de sepultá-los.

Vale salientar, o trabalho incansável principalmente dos briosos componentes do Corpo de Bombeiros. Arriscando suas vidas, no intuito de pelo menos, aliviar a dor daqueles que esperam por notícias dos desaparecidos.

O sinistro ocorrido em Brumadinhos serve para demonstrar que a luta pelo poder, para muitos tem mais valor que a vida do seu semelhante.

*Hely Ferreira é cientista político.

Luciano Siqueira
Luciano SiqueiraFoto: Reprodução/Facebook

Desde a roda, que facilitou a locomoção dos humanos às modernas tecnologias, o lógico e sensato seria a redução da jornada de trabalho físico e um tempo maior para o lazer e as coisas do espírito.

Refletindo sobre a realidade na qual está inserido e sobre o trabalho cotidiano o Homem alcançaria uma práxis libertadora, em favor de relações sociais harmônicas.

Mas não é o que acontece.

Os meios de produção têm dono, que mantém e reproduz o capital necessário para seguir proprietário e contratar a força de trabalho – seus empregados – necessária à produção de bens e serviços.

Quem tem quer mais. É a lógica do sistema que visa o lucro máximo.

De tal modo que as transformações atuais do mundo do trabalho, que possibilitam a produção de mais e melhores mercadorias em tempo mais reduzido, ao invés de libertar os que trabalham, os marginalizam.

Um estudo do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da UnB (Universidade de Brasília), que se deteve sobre as 2.602 ocupações brasileiras, referente a trabalhadores com carteira assinada ao final de 2017, revela que um robô ou um programa de computador põem sob ameaça 54% dos empregos formais no país.

O estudo estabeleceu uma gradação em percentuais, para aferir o nível das ameaças. Assim, 25 milhões de trabalhadores (57,37%) ocupavam vagas com probabilidade muito alta (acima de 80%) ou alta (de 60% a 80%) de automação - incluindo engenheiros químicos (96%), carregadores de armazém (77%) e árbitros de vôlei (71%), por exemplo.

Participaram da avaliação sobre a probabilidade de automação (num período de dez anos) acadêmicos e profissionais de aprendizado de máquina. É um setor da inteligência artificial em que computadores descobrem soluções por conta própria depois de analisar decisões antecipadamente tomadas.
Técnicas apropriadas foram usadas na descrição das ocupações com o fito de identificar os riscos.

O aprendizado de máquina conduz à automação, na medida em que substitui tarefas mecânicas e repetitivas.

Só a resistência dos trabalhadores é que, em algumas circunstâncias, tem desacelerado o aniquilamento definitivo de postos de trabalho. Mas pé pouco.

Nenhuma palavra de consolo? Sim. Os pesquisadores dizem que funções que implicam criatividade e contato humano - psicólogos e artistas, por exemplo - são quase nada ameaçadas.

Será?

Provavelmente, não. A ganância não tem limites – a não ser uma espécie de efeito bumerangue: quanto mais gente marginalizada do sistema produtivo, menos consumidores. Sem estes, como retroalimentar a reprodução do capital?

O fato é que vivemos um tempo de incrível progresso científico e tecnológico. Mas de natureza desumana.

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