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Luciano Siqueira
Luciano SiqueiraFoto: Reprodução/Facebook

Ao ser diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral presidente da República eleito, o capitão Bolsonaro declarou que nos dias que correm, com a ferramenta das redes sociais, a democracia representativa dispensa intermediários.

Em sua argumentação tosca, pretendeu dizer que entre o principal mandatário da nação e o povo, a partir de agora estariam dispensados as instituições da República, o Parlamento em particular, partidos, organizações representativas dos diversos segmentos sociais, instituições democráticas e, talvez, os meios de comunicação convencionais.

Na melhor tradição direitista do complexo de vira-lata, uma tentativa de macaquear o presidente Trump, dos EUA.

Tal concepção, sustentada por alguém que recebeu 1/3 dos votos dos eleitores e assim, por maioria de 10 milhões de votos contra seu oponente, foi alçado à condição de presidente da República é algo mais do que estranho, ameaçador.

Não será possível, sobretudo num país da dimensão e da complexidade do Brasil, governar sem diálogo e sem suportar a crítica e o contencioso.

Quando em campanha, o capitão-presidente foi explícito em mais de uma oportunidade ao declarar guerra ao MST e demais movimentos sociais e expressar sua intenção de “banir” para fora do país todos aqueles que venham a ser identificados com pensamento à esquerda.

Mais uma vez, portanto, a nação se vê confirmada diante da perspectiva de um período marcado pela truculência, pela tentativa de impor, a todo custo, um pensamento auto-proclamado único e impositivo.

Certamente aí está o ponto de convergência (ou, dito de outro modo, a pedra de toque) da resistência democrática.

A cada instante fica mais evidente a absoluta necessidade de organizar uma resistência ampla e plural, constituindo uma larga conjugação de forças na qual caibam todos os democratas, para além das naturais diferenças de concepção.

Ironicamente, com a declaração no TSE o atabalhoado futuro presidente, a seu modo, oferece o mote para a união de todos os que a ele se opõem.

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Cientista político Alex Ribeiro
Cientista político Alex RibeiroFoto: Pedro Farias

Por Alex Ribeiro, doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), cientista político e jornalista.

Entres os vários debates que são realizados após as eleições presidenciais, a discussão sobre a legitimidade dos fatos históricos é um dos que mais preocupam. Incentivado pelos discursos feitos por lideranças políticas, uma parcela da população fica cada vez mais descrente dos educadores e de pesquisadores com larga escala de produções cientificas.

Está na moda: minimizar a importância histórica é uma maneira de impor qualquer outra narrativa. O discurso de deturpação vem sendo utilizado em sua maioria por pessoas que se autodenominam de direita. Os argumentos são feitos para combaterem uma espécie de “doutrinação esquerdista, marxista, petista” realizadas nas escolas e universidades.

Para isso vale de tudo: de desconsiderar a Ditadura Civil Militar Brasileira, de minimizar o processo de escravização no Brasil e até de criticar a importância das conquista dos trabalhadores no período de Getúlio Vargas.

O que se percebe nessas discussões é que os argumentos contra os fatos históricos são feitos por pessoas não pertencentes ao universo acadêmico e distantes da realidade escolar. Eles enxergam uma realidade longíqua da sala de aula. Uma das funções do profissional de História é contribuir para fortalecer o senso crítico no aluno e na realidade que o cerca. A História traz à tona o passado para o presente para também desconstruí-lo.

A História “desmascara” os heróis inventados, sejam considerados de esquerda ou de direita. Não se pode negar a importância de pesquisadores que produzem para o grande público e saem da “bolha” acadêmica com argumentos contra personagens considerados ícones da militância da esquerda. Alguns jornalistas trazem debates antes presos nas universidades sobre a desconstrução desses atores. Vale lembrar que isso já é realizado nas instituições de ensino.

Nesses casos, os docentes têm sua parcela de culpa por não estender esses debates para outros espaços. Mas existem outros pontos que incomodam bastante aos críticos dos profissionais de História. Com as recentes produções acadêmicas grupos antes “esquecidos” ganham força e protagonismo nos atuais debates.

As pesquisas feitas em diversos arquivos espalhados pelo Brasil mostram a importância do papel da mulher, do negro, dos trabalhadores e de outras etnias no processo histórico brasileiro. São rostos antes esquecidos pela história tradicional que realçavam lideranças predominantemente masculinas ligadas aos mais altos cargos políticos e famílias consideradas “relevantes para a construção do país”.

Com os novos estudos históricos houve uma maior identificação da população brasileira com a formação do país. Se enxergar nos atuais objetos de estudo nas ciências humanas incentiva a mulher, o negro e pessoas que são descendentes de famílias consideradas pobres a terem mais legitimidade, a se sentirem mais representados. Não é à toa que movimentos em prol dos negros e do combate ao feminicídio ganham cada vez mais força.

Não é uma questão de ser progressista ou conservador. São correções históricas feitas por inúmeros pesquisadores espalhados no Brasil. E quando se conclama nos dias atuais que a História é significativa é porque as pessoas e suas diversidades também importam.

Cientista político Hely Ferreira
Cientista político Hely FerreiraFoto: Folha de Pernambuco

Um dos maiores desafios que existe para o ser humano é justamente entender a si próprio. Ao longo dos séculos, não foram poucas as teorias que tentaram explicar o comportamento humano. Muitas das atitudes tomadas podem levar a consequências irreversíveis, causando dano a si ou a outrem.

No campo teológico, arrepender-se está ligado diretamente por duas palavras. A primeira delas tem sua origem no latim (reponiere), que significa repensar. A outra palavra é de origem grega (metanóia), ou seja, mudança de mente. Implica que o agente mudou a forma de pensar e de agir com relação a sua vida diária. Para os puritanos do século XVII, arrepender-se leva o ser humano a uma experiência agonizante, onde o mesmo percebe quão danoso foi sua conduta, ao ponto dele próprio sentir que não vale a pena continuar agindo daquela maneira, mas isso não significa que sua conduta anterior deva ser desconsiderada pela sociedade.

No mundo jurídico brasileiro, em especial no Direito Penal, há duas correntes que digladiam com relação ao chamado arrependimento eficaz. De um lado encontramos a teoria finalista e do outro a causalista. E haja influência do pensamento hegeliano e heideggeriano para tentar explicar vontade e desejo. Enquanto não se resolve, vai se comendo farinha e assistindo um tipo de hermenêutica amparada naquilo que convém. Basta o agente causador do delito circular pela mesma roda de convivência do operador para que seus “pecados” sejam perdoados, afinal de contas, ele externou que está arrependido.

Assim, a hermenêutica teológica passa a ser utilizada para resolver questões de natureza jurídica. Vale salientar que apenas quando se tratar de confrades. Não sendo, o que predomina é ultrajar princípios constitucionais, em nome de uma falsa justiça.

Hely Ferreira é cientista político*

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