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Momento da queda da flecha da Catedral de Notre-Dame
Momento da queda da flecha da Catedral de Notre-DameFoto: Reprodução/Twitter

Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela UFBA, cientista político pela UFPE e jornalista.

As declarações do presidente Jair Bolsonaro em lamento ao incêndio da Basílica de Notre- Dame, na França, e sua indiferença em relação ao incidente ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro, ainda quando era candidato ao Palácio do Planalto em 2018, é fruto de uma cultura de vira-latismo tupiniquim.

A ideia de civilização brasileira foi associada, principalmente no início do século XX, ao modelo europeu e norte-americano. A maneira de se vestir, de alimentar, de comportamento (como a adoração aos vinhos franceses e automóveis norte-americanos) e, claro, do prestigio ao outro, era característico da “busca pela modernidade”.

Para o sociólogo Jessé Souza, o processo de modernização como algo inautêntico e pouco profundo é uma das bases de uma cultura racista e excludente do Brasil. Como se o moderno fosse ligado aos outros. Como se nossa identidade estivesse atrelada a um modelo civilizatório branco.

A branquitude europeia é o avanço. A miscigenação o atraso. Um discurso eugenista
propagado ainda no início do século XX, mas ainda tão latente em práticas de parte da
sociedade e de figuras públicas. E mesmo que sejam argumentos ditos como ultrapassados, ele perdura e construiu as hierarquias sociais das cidades, principalmente nas capitais e regiões metropolitanas do Brasil.

A valorização no outro escancarado pelo incêndio de Notre-Dame é característica de parte da classe média do Brasil. Jessé Souza comenta que grupos ligados a industrialistas, banqueiros e a elite comercial – a alta classe média – é a principal responsável pela desvalorização da nossa identidade. E, consequentemente, o patrimônio cultural, como monumentos, esculturas e pinturas monumentais, são desvalorizados.

E isso reflete na falta de políticas públicas no patrimônio brasileiro. Sem recursos as
infraestruturas não são adequadas, muitas abandonadas, sem atrativo e diminuem cada vez mais o interesse do grande público. Para se ter uma ideia, até a época do incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, a Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados fez um levantamento, com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), mostrando que entre 2013 e 2017 a verba destinada ao museu caiu R$ 336 mil.

Os recursos dos ministérios da Educação e da Cultura diminuíram o repasse de R$ 979,9 mil em 2013 para R$ 643,5 mil em 2017. Após o incêndio, o Museu do Rio recebeu R$ 1,1 milhões em doações, sendo R$ 800 mil da Alemanha e R$ 150 mil da Inglaterra, enquanto em poucos dias os recursos para a recuperação da Notre-Dame passaram de R$ 3 bilhões.

Claro que o patrimônio francês causou uma comoção mundial, e também interesse de milionários e grupos privados na divulgação de seus donativos e seu “caráter humanista” em salvar a basílica de Paris. No entanto, a comparação com o patrimônio brasileiro é válida diante da indiferença da classe média tupiniquim.

São insensíveis grupos que preferem valorizar e ser aceitos pelo outro, se identificando mais com eles do que com o seu país. Isso reflete o descaso com o patrimônio brasileiro. Não reconhecer e até desdenhar da sua cultura é negar a conhecer-se a si mesmo e as
propriedades culturais que rodeiam a sociedade.

Professor e cientista político Hely Ferreira
Professor e cientista político Hely FerreiraFoto: Pedro Farias

Hely Ferreira, cientista político.

Desde que o empirista e tratadista John Locke em sua obra O Segundo Tratado Sobre o Governo, apresentou os lampejos da separação dos poderes e em seguida Montesquieu aprofundou com o livro O Espírito das Leis, os países que se dizem democráticos procuram aplicar a independência entre os três poderes, onde cada um se esforça para desempenhar sua competência, com independência e harmonia com os demais.

A independência entre os poderes, não significa indiferença entre eles. Pelo contrário, torna-se necessário que o espírito republicano fale mais lato e busquem o consenso nas decisões, visando sempre o melhor para a população. A falta de diálogo e a indiferença não traz nada de salutar ao bom andamento da República, até mesmo quando ela é Tupiniquim.

O diálogo que faz parte da articulação, nunca foi sinônimo de corrupção, mas de amadurecimento entre aqueles que se dizem representantes do povo. Desconsiderar a articulação entre os poderes tem mais semelhança com arrogância do que com independência.

Não é bom para a democracia, que o poder legislativo seja visto como aquele que está sempre pronto para dizer amém às decisões do executivo. Afinal, não existe hierarquia entre eles, mas o que compete a cada um. O problema é que há quem acredite que basta ter vontade para que as mesmas sejam colocadas em prática. Esquecendo-se do que o secretário de Florença ensinou, que os homens querem ser mimados.

Viva Recife!

Ex-deputado federal Silvio Costa (Avante)
Ex-deputado federal Silvio Costa (Avante)Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Discordo da tese do presidente Jair Bolsonaro de que a corrupção é filha do residencialismo de coalizão e que Michel Temer foi preso por causa dessa tal governabilidade. Os políticos vão presos por causa dos seus malfeitos, independente do sistema de governo. No Brasil, nunca vi tamanho ataque de um chefe do Poder Executivo ao Congresso Nacional. O capitão deveria saber que, exceto nas ditaduras, ninguém governa sem o apoio do Legislativo.

Vou relembrar um episódio recente da política brasileira. No governo da presidente Dilma, por exemplo, os articuladores do impeachment começaram a elaborar o Ministério de Temer com muita antecedência. Tinham certeza da vitória e sabiam que precisavam entregar ao mercado os compromissos elencados no documento ‘Uma ponte para o futuro’.

Fizeram isso com maestria política. Conheciam as dores e os sorrisos de cada parlamentar do Congresso Nacional. Fundaram um condomínio de poder, onde os partidos PMDB, PSDB, PP, PR, PSD, PRB e DEM tinham um ministério para chamar de seu. Aos menores partidos ofereceram cargos nos segundo e terceiro escalão. Fiz oposição ao governo Temer, porém seria leviano de minha parte não reconhecer que Temer fundou o verdadeiro presidencialismo de coalizão. Em função disso, aprovou a reforma trabalhista e teria aprovado a reforma da previdência se não tivesse ocorrido o escândalo da JBS.

Mais uma vez estamos tentando aprovar a reforma da previdência. Dessa vez , temos um presidente que se elegeu negando a política, um presidente que como deputado federal votou contra a reforma da previdência, que escalou um ministério onde parte dos ministros também criminaliza a política, um presidente que continua fazendo campanha e que usa as redes sociais como um dos pilares da sua gestão.

Quem conhece um pouco do Congresso Nacional sabe que com esse enredo a reforma da previdência é natimorta. Reconheço a competência de Jair Bolsonaro, líder da oposição ao governo Bolsonaro. Já conseguiu derrotar a reforma da previdência e daqui a pouco tempo vai conseguir derrubar o governo. Sugiro ao presidente Bolsonaro que envie um zap ou Twitter para os ex-presidentes Fernando Color e Dilma Rousseff. Eles sabem o caminho das pedras.

*Silvio Costa é professor e ex-deputado federal por Pernambuco.

A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), ainda que tardia diante das diversas acusações, ocorre no momento da queda de braço entre poderes.
A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), ainda que tardia diante das diversas acusações, ocorre no momento da queda de braço entre poderes.Foto: Sérgio Lima/AFP

Por Alex Ribeiro

Na política tudo é questão de “timing”. Os cenários são analisados através dos discursos e a movimentação dos atores que regem as instituições públicas do país. A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), ainda que tardia diante das diversas acusações, ocorre no momento da queda de braço entre poderes. A república está dividida entre o Legislativo e o Judiciário. Este último também está rachado pelos membros da primeira instância da Operação Lava Jato e o Supremo Tribunal Federal. É entendendo o confronto aberto destas instituições que é possível analisar a relação tensa do Congresso Nacional e a classe dos magistrados.

Defensores da operação que mudou a história da política brasileira realizaram protestos contra a decisão do Supremo no qual crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, devem ser processados pela Justiça Eleitoral e não na Federal. Outro ponto importante que levou as manifestações de grupos específicos da última semana foi o veto do STF ao Fundo extra da Lava Jato defendido pelo procurador Deltan Dallagnol – que envolve de R$ 1,3 bilhão, correspondente a 50% dos R$ 2,6 bilhões (US$ 682,560 milhões) pagos pela Petrobrás ao Brasil. Era um valor que seria usado para combate a corrupção atendendo “os anseios da sociedade”, ou seja, as aspirações da população seriam realizadas por magistrados, unilateralmente. Com isso, a maior propina de todas estaria nas mãos dos juízes de primeira instância.

As decisões do STF deixaram os membros da primeira instância em polvorosa. Vários juízes e outros membros da toga afirmam que a Justiça Eleitoral não tem estrutura para dar conta dos processos que envolvem a classe política. Líderes da Lava Jato como Dallagnol e Marcelo Bretas temiam com a perda de protagonismo. Além disso, o supremo é um dos alvos da CPI da Lava Toga que visa investigar o “ativismo judicial” de tribunais superiores.

Além da intriga entre os membros do Judiciário, o ministro da Justiça Sérgio Moro tenta agir em outra frente. O magistrado pressiona o Congresso Nacional para votação e, claro, aprovação de seu projeto anticrime, que não teve a participação de membros do parlamento para sua elaboração. É também a tentativa de voltar aos holofotes diante da então paralisia da Lava Jato.

As suas movimentações irritaram o presidente do Congresso, Rodrigo Maia (DEM) que, apoiado por parlamentares como o senador Renan Calheiros (MDB) sugeriu que “Moro” se colocasse no seu lugar o chamando de “funcionário do presidente Jair Bolsonaro”. O eterno líder da Lava Jato enviou uma mensagem durante a madrugada da quarta (20) para Maia que foi para a ofensiva: “está confundindo as bolas”. O ministro perdia cada vez mais protagonismo. Seus cálculos políticos acabam surtindo mais efeito quando estava no Judiciário.

Com todas essas questões levantadas a Lava Jato contra-atacou. A prisão de Temer, junto com o ex-ministro Moreira Franco, padrasto da mulher da esposa de Rodrigo Maia, e que inclusive voltava da casa do democrata quando foi surpreendido com sua detenção, é mais um movimento estratégico que deixa em tensão as instituições. O próprio Maia é suspeito de corrupção e possivelmente um dos alvos da Lava Jato.

A operação que prendeu Temer e seus aliados é comemorada pelos bolsonaristas. Afinal, é a bandeira anti-corrupção e o protagonismo de Sérgio Moro que ainda são os sustentáculos do atual governo. Em queda livre de popularidade, a prisão de um ex-presidente com altos índices de rejeição é ovacionada pela sociedade e serve como um desafogo momentâneo a Bolsonaro. Isso tudo mostra que a Lava Jato parece que não age apenas como bandeira contra a impunidade. É uma operação também com cálculos estratégicos. Quase se igualando a partidos políticos.

Além do mais Rodrigo Maia está à frente de organizar uma reforma impopular, a da Previdência, e o governo precisa de conversas constantes e amistosas com o Congresso. E não é insinuando uma faxina de boa parte da classe política - como o vereador e filho do presidente Carlos Bolsonaro fez associando Maia a processos de corrupção, corroborados pelas declarações de Moro -, que se consegue sucesso político.

As consequências dessas movimentações precipitadas de alguns parlamentares, de bolsonaristas, e de membros do Judiciário podem levar um descrédito da sociedade ao campo político no longo prazo. A história mostra que a desconfiança afasta a população das urnas e aproxima os países de regimes autoritários. Porém, por mais que a competitividade sem fim entre os poderes e diversos casos de corrupção tragam incertezas, o único caminho é o processo democrático. A única saída é a política e a participação popular.

*Alex Ribeiro é doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), cientista político pela UFPE e jornalista.

Cientista político Hely Ferreira
Cientista político Hely FerreiraFoto: Folha de Pernambuco

No ano de 1930, nascia a Justiça Eleitoral Brasileira, dando origem ao Código Eleitoral, em 24 de fevereiro de 1932. Além da criação o TSE (Tribual Superior Eleitoral).

Com o advento do Estado Novo, a Constituição de 1937 em seu artigo 90, se quer fazia referência a Justiça Eleitoral, sendo a mesma, extinta de maneira tácita. Com o fim do regime em 1945, a Carta política de 1946, recolocou a Justiça eleitoral como integrante do Poder Judiciário, funcionando da mesma maneira como na Constituição de 1934.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (TSE) decidiu que compete a Justiça Eleitoral julgar crimes conexos aos eleitorais, dando um freio de arrumação em alguns espetáculos que vinham ocorrendo. Embora, tudo no direito é motivo para debates, nossa Carta Magna em vigor, diz categoricamente no art. 109, IV que: “os crimes políticos e as infrações apenais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral”.

Seguindo o mesmo raciocínio, o Código Eleitoral no art. 35, II, afirma que o juiz eleitoral deve julgar os crimes eleitorais e os “comuns que lhe são conexos”. O fato é que, embora seja algo público e notório a importância da “Operação Lava Jato” para o país, na prática, algumas decisões afrontam a Carta Magna e o Código Eleitoral. Não são poucos os que lamentaram a decisão recente do STF, mas a sua competência é de guardião da Constituição e por isso, suas decisões chega às vezes a desagradar o “Supremo Tribunal do Povo”.

Basta observarmos a recente declaração da jurista Regina Duarte, chegando a propor a extinção do Supremo Tribunal Federal. O problema é que muitos gostam da liberdade, mas só quando lhe convém; gostam de democracia, mas só quando lhe convém; gostam das decisões da justiça, mas só quando lhe convém.

Viva Olinda!

*Hely Ferreira é cientista político.

Tostão e Afonsinho, craques da bola.
Tostão e Afonsinho, craques da bola.Foto: Divulgação


*Por Luciano Siqueira

Em tempo bicudo, a cena política marcada nacionalmente por fatos tão deprimentes, vale um registro ameno sobre Tostão e Afonsinho.

Ambos craques na acepção mais precisa do termo.

Tostão laureado na Copa de 70, integrando um dos melhores times da seleção canarinho de todos os tempos.

Afonsinho, dono de rara intimidade no trato com a bola e excelente no passe, não teve a chance de brilhar em nosso escrete nacional. Mas vincou um traço de rebeldia na relação com treinadores e dirigentes, marcante na afirmação da dignidade dos atletas.

Ambos médicos de formação e colunistas — Tostão eu leio na Folha de S. Paulo (e frequentemente republico em meu blog www.lucianosiqueira.blogspot.com); Afonsinho, na CartaCapital.

Escrevem bem, donos de estilo descontraído, ao modo de conversa em mesa de bar.

Porém se diferenciam no conteúdo.

Tostão discorre sobre problemas táticos do futebol moderno com notável sabedoria. Passa a impressão de que vê todos os jogos dos grandes clubes nacionais e da Europa. Prevê situações. Compara estilos. Sugere desdobramentos.

Afonsinho mescla política e futebol e, de vez em quando, arte e costumes. Não aprofunda a análise, mas pauta a discussão. Escreve como quem joga conversa fora num começo de noite. E se posiciona em oposição aos rumos que o capitão Bolsonaro e sua entourage tentam imprimir ao Brasil.

Para quem gosta de futebol, mesmo sem comparecer aos estádios, como eu, seguir acompanhando esses dois craques extraordinários de ontem e cronistas de hoje é sempre um prazer.

Porque o futebol brasileiro se confunde com a própria nação – a seleção brasileira é a Pátria de chuteiras, dizia Nelson Rodrigues. Tanto que quando a situação geral é ruim, dificilmente o futebol vai bem.

A conquista da Copa de 70, sob o regime militar, foi uma exceção. Hoje, com a vitória eleitoral de uma extrema direita sem eira nem beira, que tem em Trump sua principal referência, não estranha que as principais competições ofereçam quase nenhuma novidade e na Libertadores da América nossos clubes se nivelem a equipes bolivianas, venezuelanas e que tais. No passado, rivalizavam com os brasileiros apenas argentinos e uruguaios.

Vale ler os dois craques da crônica.

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Jornalista Angelo Castelo Branco
Jornalista Angelo Castelo BrancoFoto: Divulgação / APL

Por Angelo Castelo Branco

O trabalho em pleno curso há seis anos conduzido pelo professor de Ciência Política e de Direito Constitucional na UFPE, PhD pela Universidade de New York e vereador do Recife, André Régis, focado no complexo universo do ensino fundamental público, é visto por personalidades como o ex-senador Cristóvão Buarque e o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso como algo que além de inédito deve servir de exemplo ao resto do Brasil.

Pela primeira vez um parlamentar municipal lidera uma equipe formada por pessoas com nível acadêmico que se dispõe e realizar um raio-X do ensino público objetivando apontar as causas e os efeitos de deficiências crônicas no segmento cuja desenvoltura determina a qualidade de vida de uma nação. Desde a precariedade da estrutura física da rede até as dificuldades de aprendizado enfrentadas pelas crianças, agravadas pela obstrução funcional ao trabalho dos professores, são itens dissecados por critérios pautados na realidade.

Autor de um projeto denominado Lei da Responsabilidade Escolar incluindo plantas arquitetônicas produzidas pela arquiteta do gabinete, Claudia Soares, com base em estudos técnicos comparativos de modernas redes escolares em grandes centros do país e do exterior, a tese voltada para o Recife defende racionalmente a construção de uma nova rede escolar composta por unidades de grande porte em pontos estratégicos da capital. O mergulho da equipe nesse tema é surpreendente.

Muito além de meras denúncias verbais, as ações da equipe anexam propostas factíveis ilustradas com vídeos, fotos, relatórios precisos e pareceres técnicos enviados continuadamente às autoridades do ministério público, do tribunal de contas e da prefeitura recifense apontando soluções que uma vez implementadas podem nivelar o ensino público do Recife às melhores escolas privadas. Algo que agrega valor social consequente em resposta aos clamores ouvidos Brasil afora.

A precisão e o perfeccionismo do Raio-X das Escolas abrangem itens reveladores de práticas mantenedoras de inaceitáveis diferenças sociais decorrentes sobretudo da negligência dos poderes públicos para com as crianças pobres do Recife.

A violação dos direitos humanos das crianças está explícita todos os dias nos espaços improvisados para abrigar escolas em casas alugadas e sem condições mínimas de oferecer higiene, segurança, áreas de recreio, refeitórios, conforto, acesso para deficientes, etc. Faz ressalvas ao evidenciar a herança ruim de décadas de descaso e negligências para com a escola pública, que recai sobre gestores púbicos.

O ineditismo desse trabalho também surpreende ao revelar inclusive a temperatura e a luminosidade em todas as salas de aula das 320 escolas e nas 80 creches administradas pelo poder público municipal do Recife. Infiltrações, banheiros entupidos, rachaduras em paredes, furos em tetos, calor excessivo, grades que remetem a sistemas prisionais, são muitas as adversidades que impedem o aprendizado e o trabalho dos professores.

A visita ao site Raio-X das Escolas deixa muito claro que a solução do impasse escolar público passa pela coragem de se promover uma ruptura com o atual sistema de educação e se inaugurar um novo modelo e um novo tempo para o futuro das nossas crianças pobres.

A transição para uma rede capaz de ensinar e zerar o fosso entre a escola pública e a escola particular seria assegurada por vauches temporários disponibilizados para matrículas de alunos pobres em unidades privadas enquanto novos complexos educacionais estariam sendo erguidos no Recife.


*Angelo Castelo Branco é jornalista.

Deputado federal Carlos Veras (PT-PE)
Deputado federal Carlos Veras (PT-PE)Foto: Divulgação

Carlos Veras

O governo Bolsonaro mais uma vez coloca o Brasil a perder com sua política a serviço das grandes corporações nacionais e internacionais. A mais recente delas é a privatização dos aeroportos brasileiros. Ironicamente, a venda do bloco Nordeste foi feita para a estatal espanhola Aena.

O mais curioso é o que justificaria a privatização das empresas públicas nesta gestão é a suposta ineficiência e o prejuízo causado por elas aos cofres públicos.

Contudo, não é o caso do Aeroporto Internacional do Recife – Gilberto Freyre, que é superavitário em R$ 130 milhões e o mais movimentado do Norte e Nordeste, com capacidade para 16 milhões de passageiras e passageiros ao ano e um dos dez melhores do mundo em serviços e segurança operacional. Isto é, uma empresa brasileira eficiente vai deixar gerar frutos para a nação brasileira e passará a fazê-lo para o governo espanhol.

A decisão irresponsável do governo Bolsonaro contraria os estudos de viabilidade do negócio, ignora a posição do povo pernambucano ao qual não foi feita nenhuma consulta, bem como negligencia a visão do governo de Pernambuco sobre o seu então patrimônio, alvo de muitos investimentos e fonte de trabalho e renda para o Estado.

Além do Estado de Pernambuco perder receitas advindas do Aeroporto de Recife e de dezenas de empresas que giram em torno dele para investir em políticas públicas de saúde, educação, infraestrutura etc, a medida ameaça o trabalho e a renda de milhares de trabalhadoras e trabalhadores do setor privado e de servidoras e servidores públicos federais inseguros sobre sua sobrevivência e seu futuro profissional. E mais: a privatização aumenta a carga de impostos para a empresa e o custo para as companhias e quem paga essa conta é a população por meio do aumento de preço das passagens aéreas, taxas de serviço etc.

Some-se tudo isso ao prejuízo da operação de privatização, com investimento insuficiente para a sustentabilidade do terminal recifense, que receberá o valor previsto de apenas R$ 865,2 milhões ao longo dos 30 anos de concessão. Esse montante sequer resolve o principal problema, que é a construção de uma segunda pista, cuja capacidade de receber novos voos se esgotará em, no máximo, 15 anos.

O caso do Aeroporto do Recife é emblemático do modelo de privatização adotado pelo governo Bolsonaro: vender setores estratégicos do patrimônio físico e científico brasileiro ao capital nacional e internacional, sem levar em conta o interesse público e colocando em risco a autonomia econômica e a segurança nacional.

É necessário que a população brasileira compreenda que as privatizações das empresas públicas impactam diretamente em suas vidas, seja no valor e no acesso aos bens e serviços, seja na garantia de empregos dignos, seja para o usufruto de políticas públicas fundamentais à vida. Por tudo isso, precisamos ocupar as ruas, os fóruns de debates dos poderes de Estado e as redes sociais, fortalecendo assim a luta em defesa das empresas estatais porque se é público é para servir a todas e todas.

*Carlos Veras é deputado federal pelo PT-PE.

Recife, 15 de março de 2019.

Cientista político Alex Ribeiro
Cientista político Alex RibeiroFoto: Pedro Farias

Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), cientista político pela UFPE e jornalista.

A declaração do senador Major Olimpío (PSL) de que a tragédia da escola estadual Professor Raul Brasil em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, seria evitada caso os professores tivessem porte de arma, por mais absurda que seja, não é isolada. A maioria dos bolsonaristas defendem esse tipo de posse e até o próprio presidente da República Jair Bolsonaro confessou que dorme com um revólver ao lado da cama, mesmo com o esquema de forte segurança no Palácio da Alvorada.

Essa propagação por mais armas de fogo circulando entre “cidadãos de bem” vai de encontro as pesquisas científicas. Segundo o levantamento do Altas de Violência 2018 houve um aumento de 40 para 71% do percentual de homicídios no País entre os anos de 1980 e 2016. A amostra também revela que esse número seria 12% maior sem o Estatuto do Desarmamento.

Vale lembrar que o ministro da Justiça Sérgio Moro, em defesa do porte de armas, minimizou esses tipos de trabalhos acadêmicos. Paralelo ao discurso de porte de armas, os professores no Brasil nunca estiveram tão desestimulados. De acordo com pesquisa feita pelo Movimento Todos Pela Educação, 49% dos docentes não indicam a carreira para os iniciantes no mundo acadêmico. Baixos salários, pouca estrutura de trabalho, falta de reconhecimento, e até agressões físicas, são alguns dos exemplos para a evasão de educadores nas instituições de ensino.

A ideia do Escola Sem Partido, adotada pela maioria dos governistas, de acabar com “o marxismo cultural” em sala de aula pode ser mais um motivo de afastamento dos professores. O discurso de formação política em sala de aula indo em contraponto “aos valores da família”, dito pelo vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC), em entrevista à jornalista Leda Nagle, é de quem parece não reconhecer a realidade das escolas.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a escola é um espaço de formar cidadãos, ou seja, um ser crítico da realidade que os cerca. Além disso, as instituições de ensino precisam ser um local de acolhimento, de diálogo e de proximidade entre família, professores e alunos. É a comunidade escolar e não só o professor que estimula o desenvolvimento das potencialidades do discente.

Estes são seres pensantes que podem se identificar com qualquer disciplina, conteúdo e educador. Isso tudo está imerso na prática social de responsabilidade dos espaços de ensino. Pois é, essas funções não tornam o aluno um potencial militante comunista devorador do conservadorismo brasileiro.

As funções pedagógicas provam que o uso de armas por professores pode blindar o professor perante o aluno. Em vez de aproximação, medo. Em vez de acolhimento, distância. Além do mais, é um contrassenso dos próprios bolsonaristas deixar os educadores com porte de arma de fogo. Como assim os “doutrinadores marxistas” armados em espaços de ensino? Será que vai ter seleção de quem pode ou não pode utilizar armamento? Os governistas precisam se decidir.

No aguardo do edital para “agentes 007” das salas de aula. Entre os não-bolsonaristas quem com certeza não deve gostar da ideia de educadores portadores de armas é o ex-governador Beto Richa (PSDB). Lá no Paraná deve ser perigoso ter professores com munições além de pilotos, livros, canetas e apagadores. Deve ser um “mal necessário”.

Francisco José F. de Abreu Santos (esq.) e Giovanni Gomes do Prado (dir.), diretores do Sincredi
Francisco José F. de Abreu Santos (esq.) e Giovanni Gomes do Prado (dir.), diretores do SincrediFoto: Divulgação

Francisco Abreu
francisco_abreu@sicredi.com.br

O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu apenas 1,1% em 2018, abaixo das expectativas da maioria dos analistas no início do ano. A greve dos caminhoneiros afetou de forma negativa a retomada das atividades econômicas, embora esse desempenho seja devido também a outros fatores, como o desequilíbrio estrutural das contas públicas, cuja solução requer a aprovação, no Congresso Nacional, de reformas constitucionais com baixo apoio popular, além da necessidade de se colocar em prática um amplo conjunto de medidas requeridas para remover as restrições ao investimento e ao aumento da produtividade da economia.

O déficit fiscal tem limitado o crescimento da economia brasileira e se constitui no principal desafio da política econômica a ser enfrentado nos próximos anos, cuja redução gradativa, tem por base a Emenda Constitucional nº 95, que limita o crescimento das despesas governamentais à inflação do ano anterior. Havendo crescimento econômico e recuperação cíclica das receitas, será possível o
equacionamento da relação dívida pública “versus” PIB – e, após esse horizonte, com a sua redução, evitar-se-ia a imobilização do governo. Para 2019, os analistas preveem um desempenho melhor da economia, com um PIB em torno de 2,5%, ancorados na expectativa de que a taxa Selic se manterá em 6,5%, por conta da inflação está abaixo da meta, devendo o IPCA fechar o ano em 3,85%, com uma taxa de câmbio R$/US$ de 3,70.

Diante dessa expectativa de crescimento econômico, a Cooperativa de Crédito Sicredi Pernambucred promove, nesta quinta-feira (14), às 19h30, no Spettus Boa Viagem, um colóquio sobre as novas tendências econômicas no Brasil, suas perspectivas e investimentos em 2019. O encontro é fechado para convidados e reunirá três especialistas do mercado e o Diretor Executivo da Sicredi Pernambucred, Giovanni Prado, que apresentarão suas visões sobre como escolher o momento certo e aproveitar as melhores oportunidades de investir frente ao novo cenário sociopolítico-econômico do país. Entre os especialistas, estarão presentes
o jornalista e colunista de economia Fernando Castilho, a doutora em ciência política pela UFPE, professora universitária e comentarista política, Priscila Lapa, além do doutor em ciência política, jornalista e professor da Unicap, Juliano Domingos.

De antemão, o encontro apresentará dados de mercado e abordará o crescimento das cooperativas financeiras no Brasil, que atuam há mais de 115 anos no segmento. Como referência cooperativista, o Sicredi é a 1ª Instituição Financeira Cooperativa do Brasil e possui 116 cooperativas filiadas ao seu sistema, entre elas a Sicredi Pernambucred, que conta com um amplo portfólio de produtos e serviços financeiros, bem como a credibilidade em interagir com os seus mais de 16 mil associados, transformando atendimento em relacionamento e habilitando-se para atender as demandas por intermédio de plataformas digitais e aplicativos.

A Sicredi Pernambucred está presente em Petrolina, Salgueiro, Caruaru, Recife e Jaboatão dos Guararapes, atendendo também municípios vizinhos, tanto no sertão como no agreste do estado.

Francisco Abreu é Presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pernambucred

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