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José Múcio Monteiro
José Múcio MonteiroFoto: Divulgação

Sem descuidar das atribuições constitucionais de julgar contas e punir os faltosos, os órgãos de controle devem evoluir de um controle burocrático para um modelo que valorize a função preventiva. Esse foi um dos pontos defendidos pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro José Múcio Monteiro, na palestra "Desafios atuais dos órgãos de controle”, proferida no auditório da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE) na tarde desta quinta-feira (25/4).

O evento foi promovido pelo Centro de Estudos Jurídicos (CEJ) da PGE-PE e pela Escola de Contas Públicas/TCE-PE, integrantes da Rede Escolas de Governo-Pernambuco, e contou com a participação do diretor-geral da Escola de Contas Públicas, conselheiro Ranilson Ramos. Prestigiaram a conferência o procurador-geral do Estado de Pernambuco, Ernani Medicis; a secretária estadual da Mulher, Sílvia Cordeiro; o deputado estadual João Paulo, representando a Assembleia Legislativa de Pernambuco; a conselheira e ouvidora do TCE-PE, Teresa Duere; o ex-procurador-geral do Estado Izael Nóbrega; o coordenador do CEJ, César Caúla; procuradores do Estado; integrantes do TCE; servidores estaduais e convidados.

Diante de um auditório lotado com mais de cem pessoas, o ministro destacou que numa época marcada pela rapidez das transformações e pela crescente exigência de transparência, o controle do dinheiro público nunca foi tão necessário. “Vivemos um momento de extrema restrição orçamentária com carga fiscal elevada, que exige que os órgãos públicos demonstrem à sociedade a importância de seu papel, em face dos custos da nossa operação”, disse, destacando que, em 2018, as ações do TCU resultaram em R$ 25 bilhões de benefício financeiro direto, o que representou um retorno de R$ 12,38 para cada R$ 1,00 investido.

O presidente do TCU enfatizou a importância da aproximação entre os gestores e os órgãos de controle. “Em vez de um controle burocrático, alicerçado apenas no cumprimento do dever de prestar contas e com ênfase na busca de punição, os órgãos de controle devem evoluir para um modelo mais amplo, que valorize a função preventiva, que incentive a adoção das melhores práticas administrativas e que ajude o gestor que não quer errar”, disse.

Nesse sentido, citou o exemplo da sugestão dada pelo TCU para que a ocupação de cargos em comissão e funções de confiança na administração pública federal seguisse balizas de idoneidade moral e de capacidade técnica, de forma a mitigar a exposição a riscos de ineficiência ou corrupção. “A iniciativa foi acolhida pelo presidente Jair Bolsonaro e resultou na edição do Decreto nº 9.727/2019”, lembrou.

O ministro também detalhou a reestruturação promovida na organização do TCU, baseada em novos recursos tecnológicos, que possibilitaram, por meio do trabalho remoto, que servidores residentes nos diversos estados possam estar tecnicamente vinculados às secretarias de atuação nacional.

José Múcio Monteiro apresentou ainda dados do Relatório Desenvolvimento Sustentável Nordeste 2030, um diagnóstico elaborado pelo Tribunal sobre os principais desafios do Nordeste, buscando contribuir para a melhoria das condições de bem-estar da população, do ambiente de investimentos e da produtividade da região.

O ministro, valendo-se de dados colhidos pelos estudos do TCU, ressaltou que, embora a Constituição preveja como um dos objetivos nacionais a redução das desigualdades regionais, o modelo de distribuição de recursos não atende a tal diretriz e, ao contrário, aprofunda o desnivelamento entre as regiões mais ricas do país e aquelas economicamente menos favorecidas. José Múcio criticou ainda as regras de transferência de recursos da União para os entes subnacionais, as quais, em seu entendimento, são excessivamente discricionárias, estimulando uma relação de dependência.

O diretor-geral da Escola de Contas Públicas do TCE-PE, conselheiro Ranilson Ramos, destacou que não há outra forma de perseguir a efetividade do controle externo atualmente que não passe pelo acompanhamento simultâneo da execução orçamentária ou da obra. “E isso só podemos conseguir isso com o auxílio de plataformas tecnológicas, como essas implantadas no TCU. Nossos tribunais já são ilhas de excelência técnica e precisam ser ilhas de excelência de tecnologia”, afirmou.

O procurador-geral do Estado e o coordenador do CEJ agradeceram ao ministro José Múcio por ter atendido ao convite da PGE-PE, vindo a Pernambuco apenas para proferir a palestra, e destacaram a importância dos temas tratados. “Um evento que reúne os órgãos de controle externo da União e do estado é de grande significância para a PGE em particular, porque somos um órgão de controle interno e um dos nossos maiores desafios hoje, diante da complexidade do país e da crise fiscal, é dar previsibilidade de conduta ao gestor e à iniciativa privada”, disse Ernani Medicis.

“Saímos do evento de hoje impactados pela fala do ministro José Múcio, franca, incisiva e fundamentada. Quanto às tarefas dos órgãos de controle, a visão de que é essencial que busquem contribuir para o aprimoramento do serviço público representa um alento. Relativamente ao aspecto específico da desigualdade regional e dos problemas do pacto federativo brasileiro, fica evidenciado que eles precisam ser motivos de inquietação permanente, para nos impulsionar à busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento nacional, sem desnivelamento das regiões”, afirmou César Caúla.

A ex-presidente Dilma Rousseff teria sido "ironizada" pela ministra Damares Alves durante ato de posse
A ex-presidente Dilma Rousseff teria sido "ironizada" pela ministra Damares Alves durante ato de posseFoto: Facebook/O Processo

A ministra Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, realizou ato de posse da nova Comissão de Anistia, quando teria sido irônica com a ex-presidente da República, Dilma Rousseff. Abaixo segue nota da Secretaria Nacional de Mulheres (SNM) do Partido Socialista Brasileiro (PSB:

NOTA

A Secretaria Nacional de Mulheres (SNM) do Partido Socialista Brasileiro (PSB) rechaça o tom de ironia usado pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ao citar a ex-presidenta Dilma Rousseff durante ato de posse de novos integrantes da Comissão de Anistia, nesta quarta-feira (27).

As declarações de Damares são absolutamente incompatíveis com o cargo que ocupa. A SNM exige da ministra postura ética e republicana no tratamento à ex-presidenta e a todos os cidadãos que tenham pedidos em análise na comissão.

Dora Pires
Secretária nacional de Mulheres do PSB

A ex-ministra Marina Silva é o maior expoente da REDE Sustentabilidade
A ex-ministra Marina Silva é o maior expoente da REDE SustentabilidadeFoto: Daniel Ramalho / AFP

Mesmo sem ficar com os recursos do fundo partidário por não ter conquistado, nas últimas eleições, superar a cláusula de barreira, a Direção Nacional da Rede Sustentabilidade decidiu descartar a fusão da legenda com outros partidos. Em reunião realizada na semana passada, a executiva do partido vai tratar do assunto, no 30 de março, em Brasília, numa plenária nacional, precidida de plenárias estaduais.

Atualmente, a sigla tem uma bancada de três senadores e uma deputada federal no Congresso. As maiores especulações giraram em torno de uma fusão junto ao PPS, mas as conversas não progrediram. No início de 2019, a ex-candidata a presidente da República pela Rede, Marina Silva, já afirmava que o partido não se fundiria devido a questões financeiras. 

Segundo Clécio Araújo, porta-voz estadual da REDE, a plenária estadual será realizada nesta quinta-feira (21), na Câmara Municipal do Recife, a partir das 19 horas, e também debaterá a conjuntura local e nacional. " A agenda de retrocessos produzida pelo governo Bolsonaro evidenciou ainda mais a necessidade de se manter uma legenda sustentabilista como a Rede no País. A decisão de não realizar fusão com outros partidos mantém nossa identidade e propicia a constituição de blocos parlamentares para atuação conjunta com as legendas afins", afirmou Clécio Araújo.

No dia 31 de março, a Direção Nacional da REDE se reunirá novamente para aprovar o plano de trabalho que norteará a atuação do partido no biênio 2019/2020.

Jorge Walkim
Jorge WalkimFoto: Divulgação

Jorge Waquim, Filósofo pela Universidade Paris Nanterre e Tradutor

O Presidente da República vive numa bolha: não dá entrevistas à imprensa, não aparece, não viaja pelo Brasil, não recebe representantes sociais, não conversa com deputados e senadores. Dessa bolha, na qual parece falar apenas consigo mesmo e com seus filhos, ele manda recados; da bolha, enviou um vídeo escatológico na terça de carnaval; da bolha, trata a imprensa como inimiga; da bolha, fez uma “live” com assuntos irrelevantes; e, na madrugada de hoje, segunda-feira, 11 de março, da bolha mandou um tuíte que contém inverdades sobre uma jornalista, Constança Rezende, facilmente desmentidas pelo próprio áudio que acompanha o tuíte.

O que são essas comunicações do Presidente, a que atendem essas mensagens contendo o que parecem ser acessos de cólera e de bílis? Cortina de fumaça, ataque a quem o ataca ou mero destempero de um ex-deputado que nunca deixou de pertencer ao baixo clero do Congresso são respostas, mas que talvez precisem ser combinadas para se resolver a charada.

O tuíte pornográfico da terça-feira de carnaval terá sido sem dúvida uma resposta mal-educada às manifestações públicas contrárias ao palácio do Planalto em meio ao tríduo momesco. O carnaval é festa popular e tem passado por mutações recentes importantes, crescendo em todo o território nacional e se modernizando no acolhimento ao público nas ruas e nas passarelas. Essa festa talvez seja hoje o momento mais importante em que quase todos vão à rua e se olham olho no olho e podem gritar o que quiserem.

Pois, escolheram os brincantes de maneira inédita gritar em coro contra o Sr. Presidente, refém de sua bolha midiática. A cereja do bolo dessa insatisfação terá sido sem dúvida a vitória da Mangueira no carnaval carioca, com um tema que contraria a leitura do Brasil que fazem os Bolsonaro ora apeados ao poder.

Na “live” de quinta-feira passada em uma mídia social, parecia que Presidente estava aprendendo a lição e ia sair da bolha. No entanto, nela ele não foi confrontado por nenhum questionamento. E justamente por isso, olhada de perto, ela é absolutamente irrelevante. Senão, vejamos.

Da caderneta de saúde, produzida por uma equipe de pedagogos, de psicólogos, de médicos e exaustivamente testada, exaustivamente debatida entre especialistas, o Presidente não gostou de uns desenhos sobre sexualidade, sugeriu aos pais que arrancassem as páginas da caderneta e declarou que vai mandar refazê-la; das lombadas eletrônicas, delas não gosta e vai mandar desativá-las porque representam a “indústria das multas” e tolhem a liberdade dos condutores em pisar no acelerador – desativação que foi no dia seguinte desmentida pelo ministro responsável; das bananas do Equador, que ele diz que afetam os produtores do Vale do Ribeira, vai mandar parar sua importação, mas as bananas equatorianas já não podiam mesmo entrar no Brasil por conta de uma praga.

O tuíte de domingo à noite parece que visa atingir o pai da jornalista, Chico Otávio, ele mesmo jornalista do Globo e que fez repetidas reportagens sobre as milícias fluminenses. Qual seria a motivação do Presidente em atacar esse jornalista por meio de sua filha? Se o Presidente aparecesse para dar entrevistas talvez pudesse explicar, pois essa mensagem provavelmente afetará a segurança pessoal da jornalista e do seu pai.
Fazem parte das atribuições do presidente de um país democrático como o Brasil conversar com os atores sociais, ouvir reclamações e sugestões e dar satisfações, justamente para corrigir os erros, alterar rotas e não entrar em choque direto com a sociedade. E o canal dessa conversa passa pela imprensa, pilar fundamental em qualquer democracia. Caso contrário, corre ele o risco de se sufocar em própria sua bolha.

Contato - Jorwaquim@gmail.com

Embaixador de Israel visita a Folha de Pernambuco
Embaixador de Israel visita a Folha de PernambucoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O embaixador israelense no Brasil, Yossi Shelley, fez uma visita de cortesia à Folha de Pernambuco, na manhã desta segunda-feira (18), e foi recebido pelo presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, e pelo diretor Executivo, Paulo Pugliesi; diretor Operacional, José Américo; diretora Administrativa, Mariana Costa, e demais membros do jornal. Na conversa, o diplomata falou sobre as possibilidades de parcerias com o Brasil e detalhou projetos inovadores que são executados em Israel. 

"Nós estamos muito honrados de recebê-lo aqui. Sua presença no jornal ilustra a Folha de Pernambuco, especialmente numa hora em que Israel e o Brasil estão muito mais próximos nesse novo governo", frisou Eduardo Monteiro.

Yossi Shelley, por sua vez, ressaltou que as "relações institucionais com o Brasil melhoraram muito" e que o novo governo tem uma "grande ligação" com o Estado de Israel. "Acho que essa é uma grande oportunidade de compartilhar e fazer uma troca de conhecimentos de ideias e tecnologia. Israel está conhecido como referência mundial em algumas áreas, como a da água e segurança pública", comentou. Durante o bate-papo, ele confirmou, ainda, a ida do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para Israel, em março. 

Também participaram do encontro Sonia Sette, presidente da Federação Israelita de PE; Jader Tachlisky, diretor de Comunicação da Federação Israelita; e Boris Berenstein, assessor da presidência da Federação.

Governador Paulo Câmara
Governador Paulo CâmaraFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve apresentar aos governadores a proposta para a reforma da Previdência no dia 20 em reunião em Brasília. A informação é do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que esteve hoje (6) em reunião com Guedes, no ministério, em Brasília.

“Não conheço ainda a reforma da Previdência. A gente sabe de alguns pontos que podem ser colocados. O ministro falou de maneira genérica. Não falou ponto a ponto. Vamos ter uma reunião no dia 20 de fevereiro com todos os governadores do Brasil onde o ministro vai efetivamente apresentar qual é sua proposta para Previdência”, disse ao deixar o ministério.

Câmara disse que é preciso fazer a reforma e acrescentou que o déficit na Previdência dos estados é “muito forte”. Segundo ele, em Pernambuco, o déficit da Previdência no ano passado chegou a R$ 2,6 bilhões. “Todos nós sabemos da necessidade de fazer a reforma. O meu partido [PSB] tem objeções a alguns pontos que foram colocados lá atrás - a preocupação com a questão da aposentadoria dos trabalhadores rurais, do BPC [Benefício de Prestação Continuada]. Tudo isso a gente precisa conhecer”, disse.

Segundo o governador, na reunião também foi debatido sobre a necessidade de maior repartição de recursos com estados e municípios, atualmente “concentrados” na União, além da liberação de crédito para o estado.

Comandante Militar do Nordeste, General do Exército Freire Gomes.
Comandante Militar do Nordeste, General do Exército Freire Gomes.Foto: Juliano Muta

Durante a solenidade de recepção a 158 militares do Comando Militar do Nordeste que atuaram em missão humanitária com imigrantes venezuelanos, em Roraima, realizada na tarde deste sábado (26), no angar do CINDACTA III, o comandante militar do Nordeste, General do Exército Freire Gomes, destacou que as forças armadas já enviaram um contingente de 1.000 militares para atuar junto à população afetada pelo rompimento de uma barragem da empresa Vale, em Brumadinho.

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Os militares ajudarão na logística e no apoio humanitário no desastre que vitimou centenas de pessoas."Foram mobilizados para apoiar na tragédia que está acontecendo em Brumadinho, Minas Gerais. É o exército, a Marinha e a Força aérea, já desdobrados num trabalho humanitário, desta vez, infelizmente, com irmão brasileiros", comentou o general Freire Gomes. 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, deve receber título de cidadão do Recife. É o que propõe vereadores da Casa de José Mariano.
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, deve receber título de cidadão do Recife. É o que propõe vereadores da Casa de José Mariano.Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Marcelo Montanini
Ulysses Gadêlha


Decidido desde a campanha eleitoral a não aderir ao "toma lá, dá cá" que predomina no Congresso Nacional, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem adotado a tática de nomear seus futuros ministros a partir das indicações técnicas, das bancadas temáticas, ou políticas, sem o aval de lideranças partidárias, além de ter investido na escolha de expressivo número de militares. As nomeações para os Ministérios da Agricultura, com Tereza Cristina (DEM), e Educação, com Ricardo Vélez Rodríguez, ilustram bem a postura do futuro chefe do Executivo. Para analistas, o gesto favorável às bases ideológicas - como o segmento das Forças Armadas e a bancada evangélica - em detrimento dos partidos - configura um jeito diferente de "presidencialismo de coalizão" e, na iminência de iniciar o governo, enche de expectativas os atores políticos em torno do Planalto.

O presidencialismo de coalizão está, essencialmente, baseado numa política de barganhas, de trocas entre o Executivo e o Legislativo. Os pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Frederico Bertholini e Carlos Pereira apontam que o modelo brasileiro em vigor desde a redemocratização é formado por um presidente constitucionalmente forte, multipartidarismo, eleições no Legislativo com voto em lista aberta, representação proporcional, fragmentação partidária, federalismo e polarização ideológica.

Os pesquisadores perceberam que nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi predominante uma coalizão de centro-direita, enquanto nos governos do PT, tanto de Lula quanto de Dilma Rousseff, o que predominou foi um ajuntamento heterogêneo de partidos. Seguindo esse raciocínio, quanto maior a necessidade de contemplar aliados, mais custosa será a governabilidade. A ex-presidente Dilma, no auge de sua impopularidade, no segundo mandato, possuía 39 ministérios. A sua coligação contava com PT, MDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB, PRB - alguns identificados com a bancada evangélica, como o PRB e o PR, que destoavam da pauta progressista e identitária empunhada pelos petistas.

 De acordo com o cientista político da UFCG, Leon Victor de Queiroz, Bolsonaro fez diferente, se elegeu com dois partidos na coligação, PSL e PRTB, tendo como trunfo a conexão direta com o eleitorado através das redes sociais. “Ele foi eleito não dependendo dos partidos. Logo, pode imprimir uma nova forma de governar”, explica. O presidente eleito deverá se amparar nas suas bases ideológicas, como a bancada evangélica, o segmento dos militares e um conjunto de parlamentares de menor expressão.

O deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, partido de Bolsonaro, destaca que o futuro chefe do Executivo está focando em quadros técnicos e não político-partidários. “O Ministério não está sendo feito em cima de repartições de partido, mas eminentemente técnicos, o que ele falou durante a campanha”, diz Bivar, acrescentando que o futuro presidente conversará com os partidos também. “Tenho certeza que vamos ter maioria e as propostas que serão feitas serão em prol da sociedade”.

Oriundo das Forças Armadas, Bolsonaro tem priorizado os militares na composição dos ministérios: ao todo, sete, além do vice-presidente eleito Hamilton Mourão (PRTB). Nesta lista estão os generais Augusto Heleno, que assumirá como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Fernando Azevedo e Silva, na Defesa; Carlos Alberto Santos Cruz, que vai ser secretário de Governo; Wagner Rosário, na Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) e Tarcísio Gomes, ex-oficial do Exército, na Infraestrutura. O almirante Bento Albuquerque, único da Marinha, será o futuro ministro de Minas e Energia, e o tenente-coronel Marcos Pontes (PSL), foi indicado para o Ministério de Ciência e Tecnologia.

Destes, os mais cobiçados pelos partidos do Centrão eram os Ministérios de Minas e Energia e de Infraestrutura, responsável por Transportes, Portos e Aviação Civil, que possuem orçamento conjunto de R$ 35,7 bilhões. Cobiçados pelo MDB e PR, por exemplo, Bolsonaro preferiu deixar os dois nas mãos dos militares, dando um caráter mais técnico a elas, e subvertendo a lógica usual.

O cientista político Leon Victor Queiroz recorda, ainda, que a indicação de pares é uma prática comum entre os presidentes. “Fernando Henrique, sociólogo, indicou o cientista político Bresser-Pereira da Reforma Administrativa. Lula, líder sindical, tinha sindicalistas entre seus auxiliares, como Paulo Bernardo, que era bancário. Então é natural que Bolsonaro traga militares para a Esplanada”, diz.

Custo operacional
O fato é que existe um custo operacional para fazer o Congresso funcionar, com a distribuição de cargos e recursos, mas, diante da dureza do quadro fiscal do governo, é provável que Bolsonaro esteja de mãos atadas. "Sempre vai haver troca, não tem como ser diferente. Impossível que haja qualquer trato na política que não seja troca. O que determina o acerto ou erro é exatamente o que você está trocando".

O cientista político Sérgio Praça, da FGV, atenta que o problema de negociar apoio com as bancadas temáticas pode fragilizar o apoio do presidente no Congresso. “As bancadas não são e não têm poder formal dentro do Congresso, como os partidos políticos. Elas são informais, com dezenas de deputados, portanto, a negociação é muito incerta”, avalia. Diferente dos partidos, os blocos temáticos não têm como “fechar questão” na votação de determinadas propostas e cobrar fidelidade partidária, o que garante certa disciplina aos parlamentares durante o exercício legislativo.

O deputado federal André de Paula (PE), futuro líder do PSD na Câmara, pondera sobre a efetividade do resultado da estratégia do presidente eleito. “As frentes parlamentares se unem em torno de uma ideia ou bandeira, mas com partidos antagônicos”, afirma. Outro problema latente na falta de interlocução com lideranças partidárias é a ausência de convergência acerca de um nome. Exemplo claro do que ocorreu na pasta de Cidadania. Bolsonaro pediu à bancada evangélica três indicações. O grupo apresentou os deputados Marco Feliciano (Podemos-SP), Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS). O pastor Silas Malafaia, que exerce influência na bancada, sugeriu ainda o senador Magno Malta (PR-ES), não reeleito. O escolhido pelo futuro presidente, porém, foi Osmar Terra (MDB-RS), o que gerou crítica dos evangélicos.

 Ao saber da indicação, Malafaia gravou um vídeo sugerindo que Bolsonaro foi ingrato com Malta. “Gratidão é memória do coração”, diz o pastor. O presidente eleito respondeu prontamente. “Não fiz campanha prometendo absolutamente nada para ninguém. Não temos como dar ministério para todo mundo. Gostaria, mas não seria producente”, avisa.

Parlamento
A palavra chave de qualquer diálogo com parlamentares é “expectativa”. Nos bastidores, comenta-se o incômodo gerado pelo modus operandi do presidente eleito na escolha dos seus auxiliares, queimando etapas, pulando as lideranças. Bolsonaro tem dado atenção às bases e bancadas temáticas em detrimento de líderes e presidentes de partidos nas indicações. Mas todos evitam criticar abertamente. Afinal, há expectativas em relação a conversas e ao novo governo. “(Bolsonaro) não está valorizando a instituição ‘partido’, mas desde o primeiro momento, os presidentes de partido e parlamentares já sabiam que ele buscaria outra relação com o Congresso”, comenta um deputado, em reserva.

Há críticas, também, pelo fato de Bolsonaro estar buscando fortalecer lideranças partidárias ligadas a ele, em detrimento das dos partidos. Um exemplo é o DEM, com o empoderamento de Onyx Lorenzoni, em detrimento do presidente nacional do partido, ACM Neto (BA), e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). A legenda, apesar de não oficializar apoio ao futuro governo, tem três ministros - Onyx, Tereza Cristina (MS) e Luiz Henrique Mandetta (MS). Nenhum deles indicação do partido.

A própria equipe de transição do governo Bolsonaro já emitiu sinalizações diferentes, na última semana, quando o futuro chefe da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni, reuniu-se com o presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, numa churrascaria em Brasília. Na próxima semana, algumas conversas estão agendadas. Onyx vai à mesa com a bancada do PRB na terça-feira e com as do PR e do MDB na quarta-feira, separadamente. Ele deve ir, também, a um encontro da bancada do PSD na terça à noite.

Mesmo sem ouvir o MDB, duas indicações - Gustavo Canuto para Desenvolvimento Regional e Terra, na Cidadania - foram recebidas como sinalizações ao partido. O primeiro é ligado a Helder e Jader Barbalho e o segundo é deputado federal com bom trânsito na Câmara. Eles, todavia, também não partiram de indicações partidárias.

Diante da expectativa, o presidente nacional do PRB, deputado federal eleito Marcos Pereira (SP), descarta qualquer desconforto. “Respeitamos a forma com a qual o presidente eleito tem conduzido suas escolhas”, diz. “Natural que ele busque dentro da bancada os interlocutores mais ligados a ele”, acrescenta o deputado Eduardo da Fonte (PP). Aliás, o PP, partido ao qual Bolsonaro foi filiado por uma década, não teve qualquer espaço ou sinalização de conversa.

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