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Bruno Araújo é presidente estadual do PSDB
Bruno Araújo é presidente estadual do PSDBFoto: George Gianni/Divulgação

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy (PP), revogou portaria de seu antecessor, Bruno Araújo (PSDB), que autorizou a contratação de 55 mil unidades habitacionais em todo o Brasil pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo informações do próprio ministério, Pernambuco estava contemplado com 2.687 novas moradias para a Faixa 1 do programa. Encarado com desgosto por tucanos, o gesto contraria o que Bruno havia cravado na época de sua saída da pasta, em novembro de 2017, quando disse que os recursos que ele assegurou para Pernambuco eram “prego batido e ponta virada”.

A informação da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, é de que o ato foi mal recebido nos partidos da base de Michel Temer. Houve reclamação de que Bruno Araújo teria beneficiado cidades governadas por correligionários. A justificativa de Baldy para desfazer a portaria do antecessor, porém, foi “ineficiência”. Técnicos das Cidades apontaram que parte das unidades anunciadas em novembro nem sequer tinha celebrado contrato com a Caixa, por falta de projeto ou licença. A ideia agora é priorizar propostas mais adiantadas. Baldy deu prazo de 30 dias para a contratação das novas selecionadas.

Integrante da base governista que preferiu não se identificar alega que o critério utilizado pelo tucano para a distribuição das unidades habitacionais foi meramente político. “O governo viu que não estava atendendo ninguém, que era preciso fazer uma readequação técnica”, afirmou a fonte.

Procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco, o deputado federal Bruno Araújo não atendeu as ligações. Quando ainda era ministro, a comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou a convocação de Bruno para prestar esclarecimentos sobre os critérios utilizados pela sua gestão para decidir quais estados receberiam unidades do Minha Casa, Minha Vida. No seu balanço, na saída da pasta, o tucano mencionou um total de R$ 3 bilhões pagos em obras para Pernambuco, alegando que o Estado nunca recebeu tanto recurso do Ministério das Cidades.

O deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE) saiu em defesa do correligionário, classificando a medida tomada por Baldy de “hostil” e “equivocada”. “Evidentemente, me parece que esse movimento foi pra agradar a base do Governo Temer. Considero um gesto de hostilidade, acho equivocado desfazer coisas que já foram anunciadas. Isso gera insegurança nos municípios, nos fornecedores e nas próprias pessoas. É um erro de Temer, um erro grave”, avalia o parlamentar, que costuma adotar posturas contrárias ao Palácio do Planalto.

Já o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que tem uma linha mais governista, ressaltou a contribuição de Bruno Araújo para o soerguimento administrativo do Ministério das Cidades.
“O ministro Bruno Araújo teve passagem marcante pelo Governo. Ele fez um ordenamento estrutural da gestão, entregou o Cartão Reforma, regularizou pagamentos da pasta, adequando sua disponibilidade orçamentária. Por isso, pretendo conversar com o ministro Alexandre Baldy. Ele já foi do PSDB, é um amigo nosso”, comentou o deputado mineiro, que afirmou “não ver muito sentido na medida” tomada pelo auxiliar de Temer. “Bruno foi absolutamente correto, conseguiu colocar nos trilhos o plano de investimentos na área habitacional e foi reconhecido por isso. Espero que não haja (critérios políticos na medida), porque não faz o menor sentido”, confessou.

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