Foram encontrados 3 resultados para "Crise política":

José Patriota (PSB) é prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da Amupe
José Patriota (PSB) é prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da AmupeFoto: Peu Souza/FolhaPE

"Todo o fim de mês é um Deus nos acuda para fechar as contas". O desabafo do prefeito de Ouricuri, Ricardo Ramos (PSDB), no Sertão do Araripe, revela a situação de desespero dos gestores para lidar com os efeitos do aprofundamento da crise econômica. Uma dor de cabeça que se aprofunda com a proximidade do fim do ano, quando batem na porta a responsabilidade de fechar as contas e pagar o décimo terceiro salário dos servidores. Uma obrigação que leva prefeitos do interior do Estado a tomar medidas drásticas e promover demissões em massa nas máquinas municipais.

O anúncio com dos cortes nas gestões municipais será feito pela Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE) na próxima terça-feira. Segundo o presidente da entidade, José Patriota, o número de gestões que tiveram que aderir ao contingenciamento radical chega a casa das dezenas.

Os casos mais drásticos se concentram nas prefeituras do interior, em especial, do Sertão e Agreste. Em Afrânio, no Sertão do São Francisco, o prefeito Rafael Cavalcanti (PMDB) tomou uma decisão radical e cortou todos os comissionados da gestão. Ao todo, foram 200 demissões. As secretárias municipais serão diretamente afetadas. Ficarão apenas as secretarias ordenadoras de despesas das áreas de Obras, Educação e Saúde. "Estamos cortando da energia ao cafezinho. Já estávamos cortando os comissionados desde o início do ano, mas não teve jeito", desabafou. Nos municípios vizinhos de Santa Maria da Boa Vista e Orocó os cortes também alcançaram centenas de servidores comissionados e temporários.

Leia também:
Crise dos municípios provoca demissões em massa

Em Cabrobó, o prefeito Marcílio Cavalcanti (PMDB) terá que fazer novos cortes na gestão. No início do seu governo, foram 200 cargos de comissionados e temporários fechados. Desta vez, serão mais 100 servidores. Gratificações e bonificações foram eliminadas. O administrador espera, com a medida, economizar R$ 30 mil na folha de pagamento. Atualmente, a máquina municipal está acima do limite de gasto de pessoal e compromete 58% da sua receita. O teto legal é 54%. O peemedebista não descarta o corte de efetivos.

"Vamos fazer ajustes e cobrar mais dos funcionários para não ter descontinuidade dos serviços. Também pretendemos aumentar a arrecadação para incrementar a receita", afirmou. A dificuldade é ainda maior para prefeituras que dependem do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo Ricardo Ramos, somente a prefeitura de Ouricuri teve uma queda de R$ 700 mil nos repasses.

Visando amenizar os efeitos, os gestores se reuniram nesta semana com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para pleitear o aumento de 1% no FPM. O pleito, contudo, não foi atendido. Segundo os gestores, o valor da parcela do programa permaneceu estável, mesmo com o aumento da inflação. "Fomos para Brasília cheios de esperanças e voltamos ainda mais desiludidos", lamentou Ricardo Ramos.

“Passei a ser incentivado a montar uma ampla frente”
“Passei a ser incentivado a montar uma ampla frente”Foto: Arthur de Souza

Desde que publicou um duro artigo sobre a persistência dos escândalos de corrupção no Brasil, no mês de maio, o empresário Jorge Petribú passou a ser incentivado a entrar para a política. Mas, apesar de ter iniciado conversas, em busca de soluções para a crise vigente, garante que não irá encarar as urnas em 2018.

O que lhe motivou a publicar o texto intitulado "Desabafo de um trabalhador brasileiro"?
O artigo foi um desabafo, porque achei que precisávamos dar um grito de basta. Eu estava muito triste com toda aquela situação. Antes, achava que o Brasil havia aprendido com a Lava Jato, mas vi que isso não aconteceu. Houve uma decepção minha. Foi muito forte. Quis publicar aquele texto para mostrar que nem todo mundo concordava com aquilo. Muitos empresários de bem, profissionais liberais e operários não participam disso e estão sofrendo com tudo isso. Por outro lado, alguns agem como se nada estivesse acontecendo. 

Aquela atitude gerou especulações em torno das suas pretensões políticas?
Aquilo agregou muita gente. Fui procurado por muitos empresários e profissionais liberais. Passei a ser incentivado a montar uma ampla frente contra isso tudo. Quero participar como brasileiro, mas não como político. Não tenho nenhuma pretensão política, porque trabalho em uma empresa que atua em um setor que desde o governo Dilma vem sofrendo muito.

Como poderia, desta forma, dar a sua contribuição?
Fui procurado por partidos e lideranças e comecei a criar um movimento com amigos e pessoas próximas. Posso dar minha contribuição, pela experiência que tenho. Muitas vezes, o político de carreira, que não vem do ramo empresarial, não sabe as dificuldades que a gente enfrenta. No entanto, tenho uma empresa que foi machucada durante anos. Então preciso que ela se recupere. Ela precisada minha presença, pois tenho compromisso com os funcionários. Se estivéssemos em um momento mais tranquilo, não teria problema de me desligar da empresa para me dedicar à política. Mas este ainda não é o caso. Estou apto a contribuir como puder. Um dia, quando estivermos em outra situação, pode ser que eu pense em dar este passo.

Como avalia a atuação do governo Michel Temer?
Aquela história da JBS foi como um balde de água fria, apesar de termos bons ministros pernambucanos. Mendonça Filho (Educação) pegou um ministério difícil e conseguiu dar a marca dele, organizar. Acho que Temer conseguiu escolher bons ministros, como Bruno Araújo (Cidades). Fernando Filho (Minas e Energia) também se mostrou bem competente e tem surpreendido muito, inclusive com suas iniciativas para privatização de alguns setores importantes, em um momento de crise como este. Tem muita gente bem intencionada e a gente tem que se unir a elas.

Acha possível a relação saudável entre o setor público e o privado?
Sei que muitas vezes você é vítima do excesso de burocracia e, por isso, não são poucas as oportunidades para se corromper. Mas se temos uma pena severa para quem corrompe, isso serve de exemplo. Senão, a prática termina se banalizando. Se houvesse uma lei mais dura contra a corrupção, estaríamos em outro patamar. Se o Governo Federal quiser cuidar da educação, podemos mudar esta realidade, a longo prazo. Este é o principal investimento que deve ser feito para mudar esta cultura sistêmica. As máquinas públicas também possuem muitos cargos comissionados, que são usados para acomodar indicações políticas. Isso tem que ser revisto imediatamente, pois termina incentivando essa relação de interesse e o cuidado com o público fica em segundo plano.

Senador Humberto Costa (PT)
Senador Humberto Costa (PT)Foto: André Corrêa/Divulgação

O líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), utilizou os números dos divulgação de levantamentos feitos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mostram que o Brasil deve fechar 2017 com a pior tava taxa de investimento dos últimos 15 anos, para defender mais investimentos públicos para catapultar a economia.

De acordo com os dados, o volume de investimento público deve chegar apenas a 0,39% do Produto Interno Bruto (PIB). Com a economia parada, a tendência é o desemprego continuar a crescer.

“O governo Temer vem transformando o Brasil num cemitério de obras. Um país que está com a economia em frangalhos como o nosso deveria investir, incentivar a economia, para que a roda volte a girar. Mas esta gestão ilegítima parece determinada a afundar o país num poço sem fundo”, afirmou o senador.

Segundo ele, os cortes já têm prejudicado diversas ações em todo o Brasil. Obras que deveriam ser concluídas este ano, como a Transposição do Rio São Francisco, só devem ser encerradas no ano que vem.

O senador também voltou a defender a saída de Temer e a realização de eleições diretas como solução para resolver a crise.

“Esta gestão nunca teve legitimidade porque não foi eleita e nunca apresentou sua plataforma à população. E mesmo que Temer saia e este Congresso Nacional desmoralizado escolha um nome, é claro que vai ser alguém que siga nesse mesmo jogo. Que seja mais do mesmo. Por isso, precisamos ouvir os brasileiros, escutar o que as ruas têm dito e definir um nome pelo voto. Só assim o país voltará a crescer”, afirmou.

comece o dia bem informado: