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Presidente Nacional do PDT, Carlos Lupi
Presidente Nacional do PDT, Carlos LupiFoto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Entrevista - Carlos Lupi - Presidente do PDT Nacional


O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, concedeu entrevista ao programa Frente a Frente, com o jornalista Magno Martins, transmitida na Rádio Folha FM 96,7, e expôs o desejo da direção nacional da legenda em ter o deputado federal Túlio Gadêlha como candidato à Prefeitura do Recife no ano que vem. Lupi ainda abordou a questão dos oito deputados federais que serão punidos pelo PDT por conta de votos a favor da reforma da Previdência. Confira a entrevista abaixo.

Diferentemente do PSB, que abriu processo de punição dos deputados que votaram a favor da reforma da Previdência através do Conselho de Ética, o senhor foi direto com a bancada, ou seja, com a Executiva Nacional. Isso era para o processo andar mais rápido?

Não, esse é trâmite do nosso estatuto, do programa do partido. Nós fizemos uma reunião hoje com os 35 membros da Comissão da Executiva Nacional, conjuntamente com os cinco membros da Comissão de Ética e fizemos algumas deliberações. A primeira, de abrir o procedimento da Comissão de Ética para apurar o comportamento de traição aos princípios partidário, às decisões democraticamente tomadas pelo partido, desses oito deputados federais. A partir desse momento, a Comissão de Ética dá um amplo direito de defesa a cada um, ouve, aceita defesa por escrito, oral, através de advogado, como cada um queira, e vai preparar o seu parecer. Depois de preparar o seu parecer, ela envia para a comissão da Executiva Nacional, que lê, avalia e faz uma convocação do Diretório Nacional, que é órgão maior do partido, o mais importante, pra fazer a deliberação final da punição ou não de cada um deles. Foi isso que fizemos hoje (quarta-feira), a abertura do processo.

O resultado pode ser de expulsão do partido?

Pode. As três punições previstas no estatuto são advertência (no caso de infrações mais leves), suspensão (nos casos de maior gravidade) e expulsão (nos casos de extrema gravidade). Nós, como Executiva Nacional, também tomamos a decisão preventiva de fazer a suspensão de todas as atividades políticas dentro do PDT, na nossa representação, de todos esses oito parlamentares, ou seja, nenhum deles pode falar em nome do PDT, pode representar o PDT em qualquer instância existente no Brasil, quer seja nas direções partidárias, quer seja nas representações do Congresso Nacional. Estão suspensos de utilizar qualquer tipo de vinculação com o PDT durante esse período.

Isso já é uma posição dura, não é, presidente?

É uma punição dura. Nós somos um partido democrático, nós fizemos uma reunião onde tinham mais de 500 membros do Diretório Nacional, onde deliberamos sobre o fechamento de questão contra essa reforma, principalmente porque ela atinge a camada mais pobre da população. Oitenta por cento do sacrifício da reforma é em cima de quem ganha até R$ 3 mil, eles vão ter quer pagar mais tempo para poder se aposentar, vão perder em média 30% das aposentadorias e pensões, e nosso partido existe para atender essa camada mais pobre da sociedade. Por isso houve essa deliberação.

Depois, tivemos mais de dez reuniões com a bancada, entre a bancada e o líder da bancada, com a executiva, com o nosso pré-candidato a presidente, Ciro Gomes, e nunca nenhum desses parlamentares manifestou o desejo de votar a favor dessa reforma. Só no dia da votação, na terça-feira passada, procuraram para dizer que iriam votar sim. Então para nós isso é comportamento que desvirtua a linha partidária, que agride a decisão de todo o colegiado partidário e agride, inclusive, as decisões que eles participaram e votaram. Então daí vem as nossas sanções previstas no estatuto para quem descumpre as deliberações dos órgãos partidários.

Uma decisão dessa enfraquece o partido e desmoraliza o Diretório Nacional.
Com certeza. Nós temos que levar para a população, mesmo com a desmoralização que está a política, os partidos, todos nós, ou nós encaramos com seriedade, fazemos a população entender que nós temos uma diferença com esses outros partidos que não tem posição, ou que fazem papéis de coadjuvantes no processo. Um partido como o PDT, que tem 40 anos de história a ser completada ano que vem guarda uma coerência, uma linha de defesa dos trabalhadores, que está no nosso estatuto, no nosso programa e não abrimos mão que os nossos deputados representem essa linha de pensamento.

Ciro Gomes chegou a defender que os deputados, para evitar maior constrangimento, deveriam se antecipar e sair do partido. Mas não há uma janela para as eleições do ano que vem. A janela do ano que vem é para vereador.

É verdade. Eu acho que quem sair tem que medir as suas consequências porque nós vamos pedir o mandato. Vamos entrar com processos judiciais como a lei faculta que o mandato pertence ao partido. Nós vamos à última consequência, porque todo mundo quando comete um ato tem que avaliar as consequências do seu ato. Então, nós vamos às últimas consequências para exigir esse mandato para o PDT.

O senhor não teme perder, assim de uma vez, oito deputados? A bancada já é pequena.

Não é tão pequena assim. Somos 28. Hoje tem dois partidos maiores: um lado a extrema-direita pelo PSL, com 54, 53, do outro lado o PT, com 56 e o resto oito partidos do mesmo tamanho, de 25 a 33. Aí está o PDT, PSB, PSDB que caiu pela metade, MDB que caiu pela metade, DEM. Então, nós estamos hoje com um partido médio disputando com esses outros oitos partidos o tamanho. Agora, não é tamanho de bancada, somente isso, que mede a quantidade, a qualidade e a importância do partido. É a sua causa. Nós somos um partido democrático trabalhista, como está no nosso nome. Como é que um partido trabalhista vai votar a favor de punição a trabalhador, a aposentado, a pensionista? Isso é inaceitável. E todos quando se filiam ao partido , têm conhecimento e consciência pública e notória desta nossa postura e do nosso papel.

No caso de Tabata Amaral, que comunicou antes ao partido, ao senhor também diretamente, ela pode ter uma punição mais branda?

A punição será igual para todos. A comissão de ética, como já falei, abriu processo e aqui a gente não pode ter dois pesos e duas medidas. Não é o número de votos que qualifica o parlamentar, é a sua atuação, é a sua coerência, sua lealdade a uma causa. Todos serão avaliados pela comissão de ética e depois terão uma decisão do diretório nacional.

O senhor não lamenta perder um bom quadro, inclusive já ventilado para disputar a prefeitura de São Paulo?

Amigo, feliz eu não estou, porque perda dói em qualquer um de nós. Agora, não adianta também querer contar com aquilo que não nos pertence, com o que não está com a consciência dentro do trabalhismo, com alma dentro do trabalhismo, que defenda os interesses nacionais, que defenda o trabalhador porque é só contar número como quem conta gado. Nós não queremos gado. Nós queremos seres humanos que tenham convicções do seu papel e o que estão fazendo dentro do PDT que é um partido, como eu já falei, que defende o trabalhador brasileiro.

Em relação aqui a Pernambuco, especialmente as eleições do Recife do ano que vem, há quem defenda a candidatura do Túlio Gadêlha, que é deputado federal e teve uma votação muito boa no Recife e há quem diga que o PDT não dará legenda a ele. Como é que o senhor vê essa situação aqui do Recife?


Em primeiro lugar, existe uma determinação do diretório nacional do partido de ter candidato em todos os municípios que tenha segundo turno, isso já é uma deliberação. Então, a candidatura do Túlio, eu pessoalmente estou incentivando. Eu acho que o Túlio Gadêlha é um homem preparado, é uma cria do partido, já ocupou várias funções públicas, dentro de vários órgãos que ele trabalhou, é um jovem competente, preparado. Se depender do meu desejo, da minha capacidade de convencer os companheiros, ele será o nosso candidato a prefeito do Recife ,porque eu acho que tem qualidade e competência para exercer essa função.

Mas o presidente Wolney e o pai Queiroz não veem com bons olhos a candidatura do Túlio.

Bem, eu nunca ouvi deles isso. Eu apenas estou te falando o que o partido em Recife, a nacional incentiva, patrocina e gostaria de ter a candidatura de Túlio como prefeito. Porque um partido como o nosso, que tem um projeto nacional, que pretende ter candidatura nas 27 capitais, não pode abrir mão de uma Capital como Recife, da importância, do peso histórico, da quantidade de eleitores que teve em Recife, abrir mão de ter candidatura própria. Nós vamos incentivar, nós estamos fazendo todos os esforços possíveis para que Túlio aceite ser o candidato do PDT em Recife.

José Patriota (PSB), presidente da Amupe
José Patriota (PSB), presidente da AmupeFoto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

Prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota (PSB) comemora a presença recorde de gestores municipais na Marcha em Defesa dos Municípios, a popular Marcha dos Prefeitos, que acontece de hoje a quinta, em Brasília. Nesta entrevista à Folha, Patriota também fala da pauta municipalista a ser tratada com o presidente Jair Bolsonaro e governadores, durante o evento. Também comenta a escolha de Pernambuco para sediar, em 2020, a Cúpula Hemisférica de Prefeitos, maior evento desta categoria na América Latina.

Qual a expectativa para a Marcha?


Como presidente da Amupe, reforço a grande importância dos gestores municipais pernambucanos estarem presentes neste evento, que ocorrerá no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília, a partir de hoje. Este ano, batemos o recorde de prefeitos inscritos: mais de 100 aqui do estado. Para avançar, precisamos nos unir ainda mais em prol de um novo Pacto Federativo, que tire um pouco do peso das costas dos prefeitos. Que equilibre a correlação de forças e de responsabilidades entre as esferas de poder. Não podemos, por exemplo, ficar com as maiores obrigações na Educação e na Saúde enquanto os governos estaduais e a União abocanham a maior parte dos recursos. A Marcha vai tratar dessa e de outras pautas, como a questão do Fundeb, da reforma da Previdência e o impacto nas previdências municipais, entre outros assuntos.

Como foi conquistada a participação recorde de prefeitos?

O municipalismo pernambucano, graças a Deus, está unido em prol de melhorias para o conjunto das cidades. No ano passado, tivemos 96 prefeitos presentes. Este ano, mais de 100 gestores já confirmaram presença. Ainda há aqueles que só registrarão hoje, mas que já nos comunicaram que irão. Nacionalmente, também tivemos uma ampla adesão. A Marcha em Defesa dos Municípios terá mais de oito mil pessoas, entre prefeitos, secretários, vereadores, parlamentares e outros servidores públicos. É um grande espaço para troca de experiências de boas práticas. Reforço a importância de que todos estejam presentes neste evento; para que possamos ser ouvidos.

E qual a programação?

Hoje, teremos um momento interno de organização da pauta com os presidentes das associações e federações municipalistas junto ao comando da Confederação Nacional Municipalista. Aliás, quero saudar o presidente da CNM, Glademir Aroldi, pela excelente gestão. Amanhã, o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros vão à Marcha. Vamos entregar a ele a “Cartas dos Prefeitos do Nordeste”, um documento com as prioridades da nossa região.

Do que trata a Carta dos Prefeitos do Nordeste?

Essa carta mostra o nosso comprometimento com o desenvolvimento da região. Ela contém as principais reivindicações de todos os gestores municipais. Sugerimos que algumas ações sejam concluídas e algumas outras sejam iniciadas, em áreas que vão desde o acesso à água, energia renovável, até a habitação popular. Conclusão da Transposição do São Francisco e retomada das obras da Transnordestina. Também queremos a aprovação do repasse de 1% extra do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de setembro de cada ano.

Qual a agenda da quarta-feira?

Será outro dia muito importante. Às 15h, teremos um fórum com todos os governadores na Marcha. Vamos tratar de pautas convergentes entre os estados e o municipalismo. A questão da nova Previdência Social e o reflexo nos Regimes Próprios de Previdência dos Municípios; bem como o novo Fundeb, a divisão dos royalties, e, ainda, o papel dos consórcios públicos na gestão, entre outros temas. Em seguida, teremos o lançamento da Cumbre 2020.

Será o lançamento da Conferência dos prefeitos?

Exato. A Cúpula Hemisférica de Prefeitos, que será realizada em Pernambuco, no Recife, em março de 2020. Trata-se do maior evento do tipo na América Latina, que reunirá prefeitos e autoridades municipais de todo o continente. E nós conquistamos esse grande evento para o nosso estado. É mais uma prova de que nosso municipalismo, quando se junta, é imbatível. Teremos os maiores especialistas em diversas áreas que abrangem os serviços das prefeituras debatendo soluções para os problemas que encaramos todos os dias em nossas cidades. Gente de toda a América Latina virá a Pernambuco para participar da Cumbre. Este ano foi em Santiago, no Chile.

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