Bloco de Oposição provoca 'guerra virtual' com Bolsonaro

Pouco depois do anúncio da criação do grupo, o futuro chefe do Executivo publicou no Twitter que se essas legendas resolvessem o apoiar "preocuparia o Brasil"

Presidente eleito Jair BolsonaroPresidente eleito Jair Bolsonaro - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A formação de um novo bloco de oposição na Câmara Federal já estreou com um embate com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Pouco depois do anúncio da criação do grupo, o futuro chefe do Executivo publicou no Twitter que se essas legendas resolvessem o apoiar "preocuparia o Brasil". As declarações deram um ponta-pé a uma troca de farpas virtual entre o próximo comandante do Palácio do Planalto e as lideranças antagonistas.

"PDT, PSB e PCdoB confirmam bloco de oposição a Bolsonaro na Câmara. Se me apoiassem é que preocuparia o Brasil!", alfinetou. Em uma segunda postagem, o líder do PSL intensificou a provocação: "Não darei a eles o querem! Boa tarde a todos!", criticou.

A declaração do presidente eleito provocou uma reação imediata dos integrantes do bloco antagonista. O líder do PDT na Câmara Federal, André Figueiredo, pediu respeito aos opositores. "Lamentável o presidente eleito desdenhar de uma oposição responsável no parlamento. Democracia exige respeito à posições divergentes", cobrou, em resposta ao futuro chefe do Executivo, também pelo Twitter.

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Outra liderança que também respondeu a provocação de Jair Bolsonaro nas redes sociais foi o ex-ministro e deputado federal Orlando Silva (PCdoB). "Ser oposição ao próximo governo é papel que nos foi dado pelas urnas. Vamos representar 60% do povo brasileiro, que é a soma dos que se recusaram a votar no eleito. No Parlamento, vamos apontar os caminhos para o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento", rebateu.

A página oficial do PSB na Câmara Federal também entrou na "guerra virtual". "Enquanto nos preocupamos em exercer a oposição de maneira madura e responsável, o presidente eleito faz troça, reafirmando seu despreparo. O que nós queremos, você não tem pra dar", respondeu. Postura semelhante foi adotada pelo líder da bancada do PSB na Câmara, Tadeu Alencar. "Reafirma o seu despreparo. O filho quer fechar o Supremo Tribunal Federal (em referência à declaração do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro de que bastaria um cabo e um soldado para fechar a Corte Suprema) e o pai quer fechar a oposição. Vão dar com os burros n'água", bateu.

O deputado federal Danilo Cabral (PSB) cobrou uma postura republicana do futuro chefe do Executivo. "O presidente tem que descer do palanque. Nosso papel como oposição será cobrar os compromissos que ele terá com o povo", destacou.
O deputado federal eleito Túlio Gadêlha (PDT) também reagiu à provocação de Jair Bolsonaro e prometeu resistência na oposição. "Não sabe ele que os brasileiros já estão preocupados com o que pode sair da cabeça e da caneta do novo presidente. O bloco está formado. E, por aqui, retrocessos não passarão", criticou.

Pelo twitter oficial, Jair Bolsonaro não ficou surpreso com posicionamento do bloco de oposição na Câmara Federal

Pelo twitter oficial, Jair Bolsonaro não ficou surpreso com posicionamento do bloco de oposição na Câmara Federal - Crédito: Divulgação


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