Bolsonaro atribui crise entre Brasil e França à disputa entre esquerda e direita

Macron é considerado um centrista liberal que foi eleito com o discurso de unificar a polarização entre esquerda e direta

Presidente francês, Emmanuel Macron e Jair BolsonaroPresidente francês, Emmanuel Macron e Jair Bolsonaro - Foto: Charles Platiau, Mauro Pimentel / AFP / POOL

Em mais um episódio do embate entre Brasil e França, o presidente Jair Bolsonaro classificou nesta quarta-feira (28) o francês Emmanuel Macron como um político de "esquerda".

No país europeu, contudo, ele é considerado um centrista liberal que foi eleito com o discurso de unificar a polarização entre esquerda e direta. Em 2017, ele venceu a candidata de direita Marine Le Pen. Em encontro com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, no qual voltou a fazer ataques ao francês, Bolsonaro disse que tem diferenças com o Macron por sua posição política.

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"Essa inverdade do Macron ganhou força porque ele é de esquerda e eu sou de centro-direita. Deixo bem claro isso aí para vocês", disse. Na verdade, Bolsonaro, pelas bandeiras políticas que defende, é um político de direita, não de centro. Após a declaração, o presidente foi perguntado pela Folha de S.Paulo se Macron não é de centro, como é considerado na França.

"Para você, para mim não", respondeu Bolsonaro. "A gente sabe que é de esquerda por causa do comportamento", acrescentou. No passado, Bolsonaro também já disse que o nazismo foi um movimento de esquerda, apesar de historiadores alemães o considerarem de direita. O presidente se reuniu com Piñera, no Palácio do Alvorada, para o anúncio do empréstimo de quatro aviões e 40 brigadistas para combater as queimadas na floresta amazônica.

Em pronunciamento à imprensa, Bolsonaro afirmou que Macron tem tentando se cacifar perante o mundo com um discurso em defesa da Amazônia. Segundo ele, essa bandeira não é dele, mas do Brasil. "No meu entendimento, houve um aproveitamento por parte do senhor presidente Macron para se capitalizar perante o mundo como aquela pessoa única, exclusiva e interessada em defender o meio ambiente", disse. O presidente voltou a dizer que só aceitará a oferta de US$ 20 milhões dos países do G7 se o francês se retratar sobre crítica feita ao brasileiro de que ele é mentiroso.

"Quando vocês olham pro tamanho do Brasil, a oitava economia do mundo, parece que US$ 20 milhões é o nosso preço. O Brasil não tem preço. US$ 20 milhões ou US$ 20 trilhões é a mesma coisa para nós", disse. Bolsonaro afirmou também que Macron ofendeu a ele e relativizou a soberania do Brasil. Ele acrescentou ainda que o francês "desrespeitou o sentimento patriótico do povo brasileiro".

"Somente após ele se retratar do que falou no tocante à minha pessoa, que representa o Brasil como presidente eleito, bem como o espirito patriótico do nosso povo", disse. "Havendo isso aí, sem problema, voltamos a conversar", ressaltou. Após o encontro, Bolsonaro disse que no dia 6 de setembro os presidentes de países da região amazônica irão se reunir em Leticia, na Colômbia, para discutir políticas ambientais.

"Nós estaremos reunidos com esses presidentes, exceto o da Venezuela, para discutirmos uma politica única de preservação do meio ambiente, bem como de exploração de forma sustentável", afirmou. Piñera defendeu a ajuda financeira, inclusive dos países do G7, para o combate aos incêndios criminosos na região amazônica. Ele ponderou, no entanto, que a soberania dos países sul-americanos precisa ser respeitada.

"A Amazônia do Brasil está sob a soberania brasileira e isso tem de reconhecer e respeitar sempre. Mas é também certo que muitos países querem colaborar com um país amigo e irmão como o Brasil", disse. Segundo ele, cada país saberá que colaboração quer ou não quer receber, mas o esforço de ajudas bilaterais pode crescer e é bem-vindo.

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