Bolsonaro envia a Toffoli mensagem em tom conciliatório em meio a tensão com STF

O texto, enviado pelo presidente por meio do aplicativo WhatsApp, não tem indicação de autoria e cita Bolsonaro em terceira pessoa

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Flickr / Palácio do Planalto

Na tentativa de apaziguar a relação com o STF (Supremo Tribunal Federal) após participar de manifestação que pedia intervenção militar e flexibilização do isolamento social diante do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou um texto ao presidente da corte, ministro Dias Toffoli.

O texto, enviado pelo presidente por meio do aplicativo WhatsApp, não tem indicação de autoria e cita Bolsonaro em terceira pessoa. Nele há um pedido para que as pessoas não ataquem o Congresso e o Supremo, mas apenas aquilo que julguem que "deve ser mudado".
Leia também:
 
Pauta econômica da crise preocupa STF, e ministros têm até aula de contas públicas
Bolsonaro perde a paciência na crise do coronavírus e dá respostas ríspidas a apoiadores

Além disso, há a afirmação de que o atual presidente não seguiria no poder caso houvesse uma mudança no atual regime democrático. "Aqueles que pedem Intervenção Militar (Art. 142) ANTES, devem decidir qual General ocupará a cadeira do Capitão Jair Bolsonaro. Aqueles que pedem AI-5 ANTES, devem mostrar onde está na Constituição tal dispositivo", diz a mensagem, publicada pelo BR Político, do jornal O Estado de S. Paulo, e confirmada pela reportagem.

O chefe do Executivo tem uma boa relação com Toffoli, que ficou incomodado com a presença de Bolsonaro no protesto de domingo (19) pró-golpe em Brasília, diante do QG do Exército, e externou a posição a ministros do governo. Um dia depois, por pressão de auxiliares, inclusive os que tinham conversado com o presidente do STF, Bolsonaro modulou o discurso e defendeu que Supremo e Congresso sigam abertos e trabalhando.

A manifestação da militância bolsonarista foi palco de duras críticas ao Supremo, com xingamentos e acusações de corrupção contra os ministros da corte.A mensagem enviada nesta quarta-feira (22), um dia depois de o ministro do STF Alexandre de Moraes autorizar abertura de inquérito para investigar os protestos pró-ditadura, foi interpretada como uma tentativa de pacificar a relação entre os Poderes.

O texto ressalta que toda manifestação é justa e garantida pela Constituição, mas pede para a militância ir às ruas com "uma pauta real, objetivo, com foco na missão". "Exijam ações, cobrem votações, critiquem sentenças, vocês atingirão seus objetivos. O próprio presidente tem dito que deve lealdade ao povo, assim como as Forças Armadas. Unam esforços, o povo quer um Brasil diferente do que temos ainda, mas para isso deve escolher suas pautas, e também suas armas democráticas", afirma a mensagem.

Também nesta quarta-feira o plenário do Supremo começou a julgar um pedido do Palácio do Planalto para suspender por 30 dias o prazo de tramitação de medidas provisórias durante o estado de calamidade decretado em decorrência do novo coronavírus.

Os nove ministros que votaram foram contra a solicitação do Executivo e afirmaram que não há previsão constitucional para estender a validade das MPs, mesmo em meio à pandemia. Toffoli, no entanto, pediu vista (mais tempo para analisar), e o julgamento não foi concluído.

A maioria dos magistrados também havia se posicionado pela manutenção de atos das mesas diretoras da Câmara e do Senado para que, enquanto o Congresso esteja trabalhando remotamente, as comissões mistas que discutem as MPs sejam substituídas por pareceres de um parlamentar em cada Casa.

Veja também

Brasil antecipou mais de 16 milhões de doses de vacinas, diz Queiroga
IMUNIZANTE

Brasil antecipou mais de 16 milhões de doses de vacinas, diz Queiroga

Barroso se reúne com deputados da comissão do voto impresso
TSE

Barroso se reúne com deputados da comissão do voto impresso