Bolsonaro nega praticar censura, mas defende valores cristãos na cultura

As declarações de Bolsonaro ocorrem um dia depois de a Folha revelar que a a Caixa Econômica Federal criou um sistema de censura prévia a projetos culturais realizados em seus espaços em todo o país

Jair Bolsonaro Jair Bolsonaro  - Foto: Reprodução/ Instagram

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou neste sábado (5) que esteja promovendo "censura" na área da cultura, mas disse que pretende preservar os "valores cristãos" e da família no setor.

Em uma videoconferência transmitida no 3º Simpósio Nacional Conservador, em Ribeirão Preto (SP), Bolsonaro disse que está preparando mudanças na Funarte e na Ancine (Agência Nacional de Cinema) e reclamou que nesses órgãos há pessoas empregadas em cargos de confiança desde o governo Lula.

"A gente não vai perseguir ninguém, mas o Brasil mudou. Com o dinheiro público não veremos mais certo tipo de obra por aí. Isso não é censura. Isso é preservar os valores cristãos, tratar com respeito a nossa juventude, reconhecer a família como uma unidade que tem que ser saudável para o bem de todos. Essa é nossa linha", disse o mandatário.

As declarações de Bolsonaro ocorrem um dia depois de a Folha revelar que a a Caixa Econômica Federal criou um sistema de censura prévia a projetos culturais realizados em seus espaços em todo o país.

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Novas regras implementadas neste ano exigem que detalhes do posicionamento político dos artistas, o comportamento deles nas redes sociais e outros pontos polêmicos sobre as obras constem de relatórios internos avaliados pela estatal antes que seja dado o aval para que peças de teatro, ciclos de debates e exposições já aprovados em seus editais entrem em cartaz.

Funcionários da Caixa Cultural de diferentes estados relataram à Folha de S.Paulo que essas novas etapas no processo de seleção de projetos patrocinados pelo banco permitem uma perseguição aberta a determinadas obras e autores. Os relatórios já eram uma prática de anos anteriores, mas agora ostentam os tópicos "possíveis pontos de polêmica de imagem para a Caixa" e histórico do artista e do produtor "nas redes sociais e na internet". Procurada, a Caixa diz não haver restrições a temas.

Não é a primeira ação do governo Bolsonaro na área da cultura vista como interferência pelo setor.

Bolsonaro já defendeu que o presidente da Ancine deveria ser um evangélico que conseguisse recitar de cor "200 versículos bíblicos", que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a Bíblia debaixo do braço.

O presidente também chegou a dizer que pretendia extinguir a agência caso não pudesse implantar um "filtro de conteúdo", uma intenção encarada como censura por profissionais da área.

Em declarações anteriores, ele também ressaltou que a Ancine não liberaria recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) para projetos com a temática de sexualidade.

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