Bolsonaro prepara saída da Câmara e deixa vaga para suplente 'pingue-pongue'

Sua vaga ficará com Zé Augusto Nalin (DEM-RJ), um suplente "pingue-pongue": esta será a oitava vez que tomará posse desde 2015

Presidente eleito Jair BolsonaroPresidente eleito Jair Bolsonaro - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Funcionários do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), na Câmara já começaram a preparar a desocupação do gabinete parlamentar. Sua vaga ficará com Zé Augusto Nalin (DEM-RJ), um suplente "pingue-pongue": esta será a oitava vez que tomará posse desde 2015. Bolsonaro deixará o mandato como deputado federal até o dia 31 de dezembro, para tomar posse como presidente da República no dia 1º de janeiro.

A reportagem visitou a sala de número 482 no prédio conhecido como Anexo 3 da Casa nesta quarta-feira (26). Apesar de ainda estar funcionando, os pertences já começaram a ser encaixotados e empilhados nos cantos. Além disso, os adesivos que recobriam as divisórias de vidro também foram retirados no meio de dezembro.

De acordo com um dos servidores, no entanto, o gabinete deve ser desocupado totalmente apenas no dia da posse, após a renúncia de Bolsonaro ao mandato.
Como a nova Legislatura se inicia apenas em fevereiro, Nalin ficará no lugar do presidente durante o mês de janeiro. Antes, já foi suplente (entre outros) de Marco Antônio Cabral (MDB-RJ), filho do ex-governador Sergio Cabral, e de Leonardo Picciani (MDB-RJ), filho do ex-presidente da Alerj Jorge Picciani.

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A última vez que o dono de uma rede de shoppings no Rio de Janeiro assumiu foi em maio, quando ficou pouco mais de um mês na vaga de Celso Jacob (MDB-RJ), condenado a 7 anos de prisão.

Depois, quem ocupará a sala do presidente eleito pelos próximos quatro anos será uma correligionária: a deputada eleita Carla Zambelli (SP) solicitou à Câmara para ficar com o gabinete.

É pouco comum que mulheres montem seus gabinetes no Anexo 3, onde as salas são menores e não há banheiro privativo. Ela disse, no entanto, que escolheu a sala por "simbolismo". De acordo com ela, a ideia era impedir que um deputado que não apoia Bolsonaro ficasse com o gabinete.

O gabinete ao lado do do presidente eleito também está vazio: seu filho Eduardo decidiu trocar de sala. Ele agora ocupa um gabinete no Anexo 4 da Câmara.
Mais isolado -é preciso percorrer um longo corredor para chegar às comissões ou ao plenário- o local foi escolhido para evitar o assédio dos visitantes que muitas vezes se aglomeram na porta do deputado federal mais votado de São Paulo em busca de uma selfie.

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