Política

Brasil é um dos piores em ranking ambiental, social e anticorrupção

Em uma lista com 19 países, o Brasil ficou na terceira pior posição

Desmatamento na amazôniaDesmatamento na amazônia - Foto: Ricardo Oliveira/AFP

Os investidores internacionais e as grandes empresas se preocupam cada vez mais com indicadores que vão além de emprego e inflação de um determinado país, mas o Brasil está entre os piores emergentes também nesses outros critérios, que incluem resultados sociais, ambientais e de governança.
 
Segundo levantamento exclusivo da consultoria MB Associados, em uma lista com 19 países, o Brasil ficou na terceira pior posição, com pontuação de 60% (quanto mais próximo de 100%, pior). Só Filipinas e África do Sul tiveram desempenho pior, enquanto Coreia do Sul (2%) e Chile (24%) ficaram com o topo.
 
É a primeira vez que a MB faz uma lista desse tipo, que aponta critérios ESG (Meio Ambiente, Social e Governança, na sigla em inglês) e usa como critérios o ranking ambiental da Universidade Yale, nos Estados Unidos, o índice de Gini (medidor de desigualdade) e os dados do Banco Mundial para mapear indicadores de governança, como estabilidade política, eficiência do governo e controle da corrupção.
 
Nos critérios sociais e de governança, o Brasil se sai pior, com 71% e 72% nesses indicadores, respectivamente. O país só vai bem no cumprimento de regras ambientais, com 39%.
 
"Entretanto, a gestão Bolsonaro tem sido tão precária no manejo da questão ambiental, que será muito provável ver a posição do país piorar no ano que vem", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB.
 
Em abril, durante fala na Cúpula do Clima, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um giro em seu discurso, prometendo duplicar recursos para fiscalização ambiental, destacando o Brasil na "vanguarda do enfrentamento do aquecimento global" e pedindo contribuições internacionais para preservação.
 
"Todo o mundo sabe fazer discurso, o que o investidor quer são ações concretas", diz Vale. Ele ressalta que não há um esforço por parte do governo no sentido de mudar as práticas ambientais. "Justamente por isso, o risco de o Brasil passar vergonha no indicador ambiental de Yale é grande, caso o país não mude a trajetória dos últimos dois anos."
 
O economista considera, ainda, que a piora dos indicadores de desigualdade durante a pandemia de Covid-19 e a piora de governança do país nos anos recentes devem se manter, o que também deve conservar o Brasil nas piores posições entre os emergentes no ranking ESG.
 
"Não estamos fazendo o esforço necessário para mudar essa trajetória. Pelo contrário, o governo Bolsonaro tem piorado sistematicamente essas variáveis."
 
Vale alerta para um entrave importante para o Brasil, sobretudo em um momento de recuperação da economia após os efeitos danosos da pandemia: a dificuldade de atração de investimentos pelo desempenho fraco em ESG. Esses indicadores podem ser usados, inclusive, para reverter acordos comerciais importantes para o país.
 
Reportagem publicada pela Folha apontou que o acordo entre o Mercosul (bloco do qual o Brasil faz parte) e a União Europeia corre risco. De acordo com legisladores europeus e integrantes dos governos envolvidos, o acerto, comemorado pelo governo brasileiro, se tornou um "espantalho" e está parado à espera de compromissos ambientais complementares.
 
"A agenda dos candidatos a presidente em 2022 deveria focar nesses criterios: melhora nos indicadores macroeconômicos e sociais, melhora no ranking ambiental (especialmente após o estrago de imagem que tem sido feito nos últimos dois anos) e melhora na governança", diz Vale.
 
Ele avalia que esses temas não aparecem nos discursos dos candidatos à Presidência em 2022 que mais se destacam hoje nas pesquisas -o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro-, mas um nome de terceira via poderia apoiar compromissos ambientais e de governança.


Em relação aos outros países dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), os problemas principais se dividem entre os diferentes indicadores. Enquanto a África do Sul peca na desigualdade de renda e a Índia falha em meio ambiente, a Rússia tem sérios problemas de governança.
 
Já os chineses praticamente empatam com os brasileiros no ranking, com 60%, tendo governança (devido ao sistema de governo autoritário do país) e a questão ambiental como pontos fracos.
 
BRASIL EM 2021
2,6%
é a estimativa para crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil este ano, após uma queda de -4,1% no ano passado
 
14,7%
é a projeção da taxa de desemprego para este ano, alta de 2,2 pontos ante 2020
 
88,6%
é a expectativa para a dívida pública bruta, em percentual do PIB, para 2021
Fonte: MB Associados

Veja também

Projeto que cria comissão de enfrentamento ao racismo será votado
Câmara do Recife

Projeto que cria comissão de enfrentamento ao racismo será votado

STF decide que Censo deverá ser realizado em 2022
Justiça

STF decide que Censo deverá ser realizado em 2022