Briga de listas no MDB precedeu a derrocada no governo Dilma

Briga de listas no PSL expôs o próprio presidente

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Alan Santos/PR

O movimento que colocou em trincheiras opostas aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, numa briga pela liderança da sigla na Câmara Federal remete a outro episódio, ocorrido em 2015, que também envolveu uma guerra de listas. Em dezembro daquele ano, um movimento que teve o respaldo do, então presidente da Casa, Eduardo Cunha, resultou na destituição do deputado Leonardo Picciani, aliado da, então, presidente Dilma Rousseff, do posto líder do MDB. Na ocasião, um grupo favorável ao afastamento da petista protocolou um abaixo-assinado na secretaria-geral da Câmara, pedindo a troca da liderança. A ala reuniu 35 assinaturas de um total de 66 deputados e indicou como novo líder o deputado Leonardo Quintão. Uma semana depois, Picciani protocolou uma lista com 36 assinaturas e reassumiu o posto.

Dois deputados chegaram a ser exonerados de suas funções na Prefeitura do Rio de Janeiro para, retornando à Câmara, colaborarem com a vitória de Picciani. Na época, o vice-presidente Michel Temer foi acusado de fazer "tabelinha" com Cunha. O episódio se deu em meio à degeneração do governo Dilma Rousseff. Agora, na gestão Bolsonaro, briga de listas no PSL, por sua vez, incluiu o vazamento de áudio do próprio presidente Jair Bolsonaro. A gravação expôs a interferência do chefe do Planalto em corpo a corpo que previa destituir o líder do PSL, Delegado Waldir, e transformar seu filho, Eduardo Bolsonaro, em líder. Ontem, a Câmara validou a lista de deputados que apoiaram a manutenção de Delegado Waldir, consolidando o fracasso da articulação que guardou a digital do próprio presidente, exposto pelo próprio partido, em sinal de que o divórcio parece cada vez mais iminente e traumático. No caso do MDB, a briga das listas pela liderança se deu quando a ferrugem já corroía o comando e a articulação do Planalto e precedeu a derrocada. Parlamentares já comparam os dois casos. O detalhe é que o governo Bolsonaro nem completou o primeiro ano ainda e já é alvo de corrosão e, dessa vez, quem fala em "implodir" o presidente é o próprio líder do partido dele.


 

Dedicação... 
Pré-candidato a prefeito de Petrolina, o deputado estadual Lucas Ramos reconhece o que define como "dedicação do Governo Federal em destinar recursos para Petrolina, autorizando, inclusive, a tomada de empréstimos". No entanto, questiona "o custo" para que esses recursos cheguem.
...versus..> Como quem já carrega a tiracolo o discurso para 2020, Lucas faz as seguintes anotações: "Pernambuco teve que abrir mão de R$ 200 milhões da cessão onerosa para que Fernando Bezerra Coelho pudesse articular a chegada de recursos em Petrolina, tivemos que ver Fernando Filho articular votos favoráveis à reforma trabalhista e da previdência para que Petrolina pudesse acessar esses recursos...".
...custos > O deputado prossegue com a relação e defende o seguinte: "Então, não acho que esse custo deva ser pago e prorrogado para que os petrolinenses saiam ainda mais prejudicados”.
Revisão do... > Na presidência da comissão especial que apresentará a proposta de revisão do Regimento Interno da Alepe, a deputada Priscila Krause prevê que a apresentação da proposta base deve acontecer em novembro, quando se abrirá o prazo para emendas e discussão.
...regimento > As reuniões prévias ocorrem quase que diariamente e discutem ponto a ponto do atual Regimento, que será adequado para modernizar o funcionamento do Legislativo. Entre as possibilidades, discute-se a garantia de participação igualitária nas instâncias parlamentares dos deputados independentes - não vinculados formalmente nem à oposição nem ao governo. 

 

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