Operação Calicute

Cabral longe do luxo, a realidade do Bangu

Segundo o procurador regional José Antônio Vagos, o fato de suspeitos no mesmo caso ficarem juntos na cela não é um problema.

TRE-PETRE-PE - Foto: Divulgação

 

Com cabelo cortado e uniforme de presidiário, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) passou, ontem, seu primeiro dia no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ainda que não fosse dia de visita, Cabral teria direto a uma, de caráter extraordinário. No entanto, ele não recebeu ninguém. De manhã, tomou um café da manhã de pão com manteiga. À tarde, almoçou. Preso na quinta, Cabral divide cela com seus ex-secretários e ex-assessores José Orlando Rabelo, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, Hudson Braga, Luiz Paulo Reis e Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves, todos alvos da Operação Calicute, da força-tarefa da Lava Jato.
Segundo o procurador regional José Antônio Vagos, o fato de suspeitos no mesmo caso ficarem juntos na cela não é um problema. “O depoimento deles foi tomado após a operação (antes de irem para a mesma cela). Não vimos necessidade para que ficassem em celas diferentes”, disse. O ex-governador é acusado de desviar mais de R$ 220 milhões de recursos públicos federais em obras realizadas no Estado, que passa por uma crise fiscal. Procurada, a defesa de Cabral não se pronunciou sobre as acusações.
CADEIA VIP
Apelidada de “cadeia dos VIPs”, a Cadeia Pública Pedrolino de Oliveira, conhecida como Bangu 8, é reservada para pessoas que têm nível superior. Cabral é formado em jornalismo. Há 130 detentos na unidade, que tem capacidade para 154 presos. A cela onde Cabral está preso tem 16 m², três camas tipo beliche, um chuveiro, uma pia e um vaso sanitário, que é um buraco no chão ligado à rede de esgoto.
No almoço e no jantar, o cardápio é composto por: arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne, legumes, salada, sobremesa e refresco. Já o lanche é um guaraná e pão com manteiga ou bolo.
A Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) diz que cortar os cabelos dos detentos é um protocolo por questão de higiene. Segundo a pasta, Anthony Garotinho (PR), também levado para Bangu, não passou pelo procedimento por ter ficado em uma unidade hospitalar e não ter feito a triagem.

 

Veja também

Fux abre fórum de combate à violência contra a mulher
justiça

Fux abre fórum de combate à violência contra a mulher

Boulos diz que teve celular clonado, que estão pedindo dinheiro em seu nome e aciona Justiça
política

Boulos diz que teve celular clonado, que estão pedindo dinheiro em seu nome e aciona Justiça