Caixa 2 “era três quartos das campanhas”, diz Marcelo Odebrech

Segundo ele, tanto os candidatos não queriam declarar tudo o que gastavam, quanto as empresas não gostavam de mostrar que apoiaram mais um candidato que outro

Marcelo Odebrecht Marcelo Odebrecht  - Foto: Cicero Rodrigues/World Economic Forum

 

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou que o pagamento a políticos em caixa dois era recorrente na empreiteira. Em uma de suas planilhas, as doações eleitorais oficiais eram identificadas como "bônus". "Três quartos do custo estimado das campanhas era caixa dois. Então, o pessoal precisava de caixa dois", disse o executivo, em audiência realizada na segunda e tornada pública ontem.
Segundo ele, tanto os candidatos não queriam declarar tudo o que gastavam, quanto as empresas não gostavam de mostrar que apoiaram mais um candidato que outro. "Eu limitava o valor de doação oficial. O grupo vai doar oficialmente 70, 80, 90, 100 milhões. Ponto. Fora isso, a decisão de fazer o resto era pelo interesse do candidato, disse.
Marcelo também admitiu que a Odebrecht estruturou um departamento de propinas no início da década de 1990, simultaneamente ao escândalo dos Anões do Orçamento, em 1993, e à internacionalização da companhia. A ideia era acabar com o "descontrole total" da contabilidade e continuar atendendo às demandas dos políticos. Com isso, passou a pagar propinas no exterior - chamadas pelo empreiteiro de "pagamento não contabilizado".
Segundo o delator, qualquer pedido que ele fizesse a um político no Brasil, mesmo que de um pleito legítimo, gerava uma "expectativa de retorno financeiro". "Infelizmente, em toda relação empresarial com um político, por mais que o empresário peça pleitos legítimos, no fundo, tudo gera uma expectativa de retorno", afirmou.

 

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