Câmara distribui gabinetes e deputada do PSL ocupará sala de Bolsonaro

A sala número 482 no Anexo 3 da Casa será repassado a uma correligionária: a deputada Carla Zambelli (SP)

Câmara FederalCâmara Federal - Foto: internet

Após polêmica, a Câmara dos Deputados definiu nesta sexta-feira (21) os gabinetes dos 513 parlamentares para a próxima legislatura.

Ocupado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) até o final do ano, o de número 482 no Anexo 3 da Casa será repassado a uma correligionária: a deputada Carla Zambelli (SP), ficará com a sala.

Ela não participou do sorteio realizado nesta sexta, já que por uma regra da Câmara as deputadas mulheres podem escolher o gabinete que quiserem ocupar.

É incomum que mulheres fiquem instaladas em salas deste prédio, já que não possuem banheiro privativo e têm divisórias de vidro, que garantem menos privacidade.

Zambelli, no entanto, diz que escolheu a sala por uma questão de simbologia. "Esse foi o gabinete mais visitado da Casa nos últimos tempos. Era importante que ficasse com uma pessoa honesta e que apoia o Bolsonaro", afirma.

Um documento que circula pelo WhatsApp elenca os melhores gabinetes da Casa e quais evitar. Por exemplo, as salas do prédio conhecido como Anexo 3 são consideradas indesejadas, já que não menores e não possuem banheiro próprio.

Listado como o melhor gabinete da Casa, a sala de número 516 ficará com a Dra. Vanda Milani (SD-AC). Ela, que também não participou do sorteio, é cunhada de Hildebrando Pascoal, o "deputado da motosserra" condenado por liderar um esquadrão da morte no Acre nos anos 1990.

O segundo melhor espaço ficou com Pedro Westphalen (PP-RS), que por ser maior de 60 anos também é considerado prioridade pela Casa.

Outro que não entrou na disputa pelas vagas remanescentes foi o deputado eleito Alexandre Frota (PSL-SP). Alocado no gabinete 216, considerado um dos 15 melhores, ele se declarou portador de necessidades especiais.

De acordo com sua assessoria, Frota tem problemas nos joelhos causados durante a época em que foi jogador de futebol americano.

Nem todos os parlamentares tiveram a mesma sorte, porém. Deputado eleito conhecido como "príncipe", Luís Philippe de Orleáns e Bragança (PSL-SP), por exemplo, não se encaixou em nenhuma das categorias de prioridade e participou do sorteio das vagas remanescentes com os colegas plebeus. Acabou ficando com uma sala no sétimo andar do prédio conhecido como Anexo 4.

No andar de baixo, deputados do PSOL conseguiram montar um bloco de gabinetes quase unidos. As deputadas eleitas Talíria Petrone (RJ), Sâmia Bonfim (SP) e Áurea Carolina (MG) se juntarão a Jean Wyllys (RJ) e Luiza Erundina (SP) entre as salas 617 e 646.

A formação de uma "trincheira" do partido foi planejada, diz Sâmia. "Soubemos que alguns do PSL pediram para ficar colados conosco. Queremos evitar qualquer constrangimento para poder trabalhar", afirma.

As regras de distribuição dos gabinetes causaram polêmica entre os novatos.
Um ato publicado em 2010 garante que não participem do sorteio, por exemplo, deputados reconduzidos ao posto e parentes de parlamentares não reeleitos. Para a próxima legislatura, 17 deputados herdarão os gabinetes de seus parentes.
A ex-prefeita de Florianópolis Angela Amin (PP), por exemplo, ficará na sala do marido, o senador eleito Esperidião Amin (PP-SC).

Na manhã desta sexta-feira (21), o deputado federal eleito Marcelo Calero (PPS-RJ) ingressou com um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal), com pedido de liminar, para suspender o sorteio dos gabinetes parlamentares.

Ele solicita que o processo seja realizado sem preferências regimentais. "Isso é totalmente contra qualquer norma republicana. Com isso, estão oficializando uma oligarquia política", critica Calero.

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