Campanha do governo gera polêmica

O anúncio, que também será exibido no rádio, na televisão e na internet, não cita diretamente o nome de Dilma, mas afirma que o governo Temer “encontrou uma situação muito grave nas contas públicas”.

Han Solo: Uma História Star WarsHan Solo: Uma História Star Wars - Foto: divulgação

 

Um dia depois da publicação da pesquisa CNI/Ibope, que aponta forte desconfiança da população com relação ao presidente Michel Temer (PMDB), o Governo Federal lançou uma campanha publicitária com o slogan “Vamos tirar o Brasil do vermelho para voltar a crescer”. Veiculada em diversos veículos de comunicação do País, o anúncio elenca 14 pontos negativos da economia que, na visão do Palácio, foram herdados do governo Dilma Rousseff (PT). A ofensiva, desta forma, traduz a tentativa do peemedebista de se diferenciar do governo petista para legitimar o seu mandato. Além disso, simboliza a mudança de comportamento do próprio PMDB, que deixou de lado sua preferência histórica pela neutralidade ideológica.

O anúncio, que também será exibido no rádio, na televisão e na internet, não cita diretamente o nome de Dilma, mas afirma que o governo Temer “encontrou uma situação muito grave nas contas públicas”. Nele, o governo defende que “equilibrar as contas públicas é mais do que necessário” para “nunca mais ter pedaladas”, “para nunca mais ter R$ 170 bilhões de contas públicas no vermelho” e para “definitivamente nunca mais ter 12 milhões de desempregados”. Porém, ques­tionado sobre o custo total da campanha, o governo informou que não tem um valor porque ainda não fechou negociações com todos os veículos.

Na visão do cientista político Rudá Ricci, a estratégia pode ser prejudicial para Temer. “Governos incompetentes gastam muito dinheiro com publicidade. Isso aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor, em 1992, pouco antes de sofrer impeachment. Ele criava um fato político atrás do outro, para tentar superar a queda de sua popularidade. E Temer faz a mesma coisa, pois os indicadores não estão ao seu favor. Ao todo, 68% da população brasileira não confia no presidente”, avaliou.

Para o cientista, a frase “Vamos tirar o País do vermelho” é uma provocação arriscada e contraditória, pois o PMDB fez parte dos governos de Lula e Dilma. “Ele tenta radicalizar e provocar as organizações de esquerda, como os movimentos sociais. Mas, assim, está contribuindo para a onda ultraconservadora no País. O PMDB nunca se prestou a isso. No final das contas, Temer está levando o partido para uma aventura política arriscada. Quem faz caça às bruxas é a direita e ele embarcou nessa, contradizendo o histórico do seu partido, que sempre ficou em cima do muro”, colocou.

Líderes do PT e do PCdoB recorrerão à Justiça para retirar a peça de circulação. Para o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, a propaganda é crime eleitoral, uma vez que destaca a cor pela qual o partido é conhecido em meio à campanha municipal.

 

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