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Caso Marielle: Major, preso há cinco anos, é apontado por Ronnie Lessa como "construtor da milícia"

Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado por comandar a milícia que atua na Muzema, Zona Oeste do Rio

PM Ronald Paulo Alves PereiraPM Ronald Paulo Alves Pereira - Foto: Reprodução/X

Em novos trechos da delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, divulgados pelo RJ2 da TV Globo, o ex-policial militar dá detalhes sobre o funcionamento da milícia que era comandada pelo major Ronald Paulo Alves Pereira até sua prisão em 2019.

Segundo Lessa, Ronald é o responsável por grande parte das construções irregulares da Grande Jacarepaguá, uma espécie de empreiteiro.

“Eu não sei se ele tem isso no papel, mas o Ronald é um dos maiores construtores daquilo ali. Todos aqueles prédios de Rio das Pedras, Muzema, Tijuquinha, tem que passar pelo crivo do Ronald. O Ronald é o construtor”, diz Lessa.
 

Lessa afirma ainda que o major seria o responsável por construir os condomínios Medelín 1 e 2 pretendidos pelo grupo no bairro do Tanque, em Jacarepaguá. Caberia a Ronald, inclusive, o serviço de pavimentação e esgoto. O terreno, onde seriam construídos os prédios, fica atrás do haras que pertence aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Tudo seria feito de maneira organizada e com ajuda de um topógrafo profissional.

“O Ronald estaria na incumbência de fazer a parte que ficaria pra eles, que é Medelín 1, tá? Atrás do haras. O nosso lá, se quiséssemos os serviços de pavimentação, de urbanização em geral, de esgoto, de tudo, seria com o Ronald. Porém, teríamos que esperar ficar pronto o Medelín 1, os 500 lotes prontos lá, tudo calçado, iluminado, ruas prontas, calçadas prontas, e loteado pelo topografo, tá? Tudo isso aí não é feito assim, não é uma coisa desorganizada, eles tentam organizar o máximo pra que? Pra depois que eles aproveitarem os projetos de lei que eles vão fazer”, falou o delator.

Lessa dá detalhes a respeito da documentação para legalizar os empreendimentos.

“Então, se eu cismar de entrar numa terra hoje, e não houver resistência, em 15 dias eu já mando fazer um documento. Não tem resistência, ninguém apareceu, primeira coisa, limpa o terreno. Quando limpar o terreno, se existe um dono e ele não mandou limpar, esse dono vai mandar alguém ver ‘quem é que tá mexendo no meu terreno?’ Isso é óbvio. Então, quando você limpa, primeiro passo da grilagem, limpou o terreno. Ninguém mexeu, ninguém botou a cara? Tu continua. Aí tu começa a botar cerca de arame farpado.”

De acordo com a reportagem do RJ2, o papel de Ronald como construtor da milícia não foi alvo das investigações, porque como a própria Polícia Federal diz que nada foi construído no terreno apontado por Lessa.

O oficial da PM foi investigado por ter sido uma das pessoas que monitoraram os passos da vereadora Marielle Franco, semanas antes do crime. Mas a participação dele nos assassinatos ainda não foi esclarecida pela Polícia Federal.

Quem é major Ronald
O militar foi condenado em 2021 duas vezes pela Justiça, uma delas a 17 anos de prisão pela acusação de ser um dos chefes da milícia da Muzema e de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, e em outra a uma pena de 76 anos e oito meses pelo sequestro e morte de quatro jovens, em 2003, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Ronald está preso em uma penitenciária federal, desde 2019, quando foi deflagrada a Operação Intocáveis, que apurou envolvimento de policiais com a milícia da Muzema e de Rio das Pedras, e ainda com assassinatos ocorridos no Rio de Janeiro.

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