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Governador do Rio

Castro diz que denúncia contra Bolsonaro deve se basear em "provas concretas"

Governador do Rio afirma que o caso 'precisa ser analisado com responsabilidade' e destaca que o ex-presidente 'tem direito à ampla defesa'

Cláudio Castro, governador do Rio de JaneiroCláudio Castro, governador do Rio de Janeiro - Foto: Rogério Santana/Governo do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta quarta-feira (19) que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que imputou a ele por tentativa de golpe de Estado, "precisa ser analisada com responsabilidade e baseada em provas concretas".

Segundo o chefe do Executivo estadual, o Brasil "precisa de estabilidade e respeito às regras do jogo".

"O Brasil já viveu tempos sombrios em que delações sem provas eram tratadas como sentenças definitivas. A história mostrou o quanto isso pode ser perigoso para a democracia e para o Estado de Direito. Todo cidadão tem direito à ampla defesa – e com ele não pode ser diferente!", escreveu Castro nas redes sociais.

Mais cedo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Fretas (Republicanos), afirmou que Bolsonaro "jamais compactuou com qualquer movimento contra o Estado democrático de direito", e chamou o ex-chefe de Estado de "presidente".

"Jair Bolsonaro é a principal liderança política do Brasil. Este é um fato. Jair Bolsonaro jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do estado democrático de direito. Este é outro fato. Estamos juntos, presidente", escreveu em suas redes sociais.

Tarcísio foi o primeiro governador alinhado ao ex-presidente a comentar sobre a denúncia. Outro a fazer isso foi Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina.

"Eu tô do lado certo. E Santa Catarina também. Golpe é tirar o maior nome de oposição à esquerda das eleições. Já vimos isso em países vizinhos que se transformaram em ditaduras falidas", declarou nas redes sociais. Romeu Zema (Novo) e Ratinho Júnior (PSD), por outro lado, evitaram o assunto.

A denúncia assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça-feira (18), e além de Bolsonaro, foram denunciados também o ex-ministro Braga Netto e mais 32 pessoas por participação em uma trama golpista para manter o ex-presidente no poder após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.

A Primeira Turma da Corte vai decidir se aceita a denúncia ou não após ela ser liberada pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a acusação, Bolsonaro cometeu os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do estado democrático de direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

A defesa de Bolsonaro afirmou, em nota, que recebeu a denúncia com "estarrecimento e indignação" e se referiu a ela como "inepta".

"O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam. A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que questiona a sua própria voluntariedade. Não por acaso ele mudou sua versão por inúmeras vezes para construir uma narrativa fantasiosa", destacou a defesa.

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