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Chefe da Força Nacional escalado por Moro elogiou coragem de PMs amotinados no Ceará

A paralisação de policiais é proibida pela Constituição Federal

Antônio Aginaldo de Oliveira é casado com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Antônio Aginaldo de Oliveira é casado com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).  - Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em discurso durante assembleia a PMs amotinados em Fortaleza, no domingo (1º), o coordenador da Força Nacional, coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, elogiou os policiais e disse que eles eram "gigantes". A paralisação de policiais é proibida pela Constituição Federal.

"Acreditem, vocês são gigantes, vocês são monstros, vocês são corajosos e demonstraram isso nesses 10, 11, 12 dias que estão dentro desse quartel em busca de melhorias da classe. E vão conseguir, tenham certeza disso".

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A paralisação da PM do Ceará foi encerrada naquele dia, após acordo entre amotinados e o governo de Camilo Santana (PT). "Isso que os senhores estão fazendo não é para todo mundo. É aquela coisa: os covardes nunca tentam. Os fracos ficam pelo meio do caminho. Só os fortes conseguem atingir seus objetivos, e vocês estão atingindo", disse Oliveira aos policiais. "Os senhores se agigantaram de uma forma que não tem tamanho."

Coronel da Polícia Militar cearense, Oliveira assumiu a coordenação da Força Nacional em janeiro de 2019, no governo Bolsonaro. Ele é casado com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). O ministro da Justiça, Sergio Moro, foi padrinho do casamento, celebrado em fevereiro.

O discurso aconteceu pouco antes de uma votação em que os amotinados decidiram voltar ao trabalho, encerrando a paralisação. O coronel fez um apelo pelo retorno dos policiais às ruas, elogiando a coragem dos PMs.

"Encerrando essa paralisação hoje, podem ter certeza, os senhores vão sair daqui do tamanho do Brasil. Já são grandes, já são corajosos. É muita coragem fazer o que os senhores estão fazendo", disse Oliveira.

"A sociedade cearense clama pela presença nossa de policiais nas ruas nesse momento. São centenas de mortes nesses últimos dias. Se os senhores não voltarem essas mortes não cessarão e atingirão os nossos amigos, os nossos familiares e pessoas inocentes. Acredito que nenhum de vocês quer isso", afirmou o coronel.

O motim, que teve início no dia 18, contabilizou 241 assassinatos de 19 a 27 de fevereiro -média de 27 por dia. Em nota enviada pelo Ministério da Justiça, a Força Nacional disse que Oliveira "fez um discurso interno para os policiais, parabenizando-os pelo fim da paralisação e por não condicioná-lo à exigência de benefícios, como a anistia."

No dia 19, o senador licenciado Cid Gomes (PDT) foi baleado por amotinados em Sobral, no interior do estado, após tentar invadir um batalhão com uma retroescavadeira. Cid levou dois tiros, mas passa bem.

Mais cedo naquele dia, homens encapuzados haviam circulado pelo centro da cidade em viaturas da PM dando ordens a comerciantes para que fechassem as lojas. No estado, houve episódios de batalhões atacados por mascarados, que roubaram viaturas e esvaziaram pneus de carros e motos.

A Força Nacional chegou ao Ceará no dia 20 para reforçar a segurança. O envio foi autorizado Sergio Moro após pedido do governador. Pouco depois, o presidente Jair Bolsonaro determinou a realização de operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que enviou membros das Forças Armadas.

Nesta segunda (2), Moro disse, em referência à paralisação da PM, que "prevaleceu o bom senso, sem radicalismos". No sábado (29), o ministro havia dito que, embora o movimento fosse ilegal, os policiais não podiam ser tratados como criminosos. "Claro que o policial tem que ser valorizado, claro que o policial não pode ser tratado de maneira nenhuma como um criminoso. O que ele quer é cumprir a lei e não violar a lei, mas de fato essa paralisação é ilegal, é proibida pela Constituição", disse Moro.

Também nesta segunda a Justiça mandou soltar 46 PMs que estavam presos desde o primeiro dia do Carnaval, 22 de fevereiro, por não aparecerem para trabalhar em operação especial no interior do estado. Eles foram considerados desertores. Outros três continuam detidos por esvaziarem pneus de viaturas, segundo o Comando Geral da Polícia Militar. A Justiça deve analisar o caso deles nos próximos dias.

Foram afastados por 120 dias 230 policiais que são alvo de investigação. Eles entregaram armas e distintivos e ficarão fora da folha salarial pelo período. O acordo assinado entre os PMs e uma comissão especial criada para negociar o fim da paralisação não contemplou a anistia geral pedida pelos amotinados.

As investigações, porém, terão a supervisão de uma comissão externa formada por representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da Defensoria Pública, do Ministério Público do Ceará e do Ministério Público Federal. A oferta do governo prevê reajuste de 30% (de R$ 3.475 para R$ 4.500) para soldados.

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