Política

Ciência ainda no cargo, governadores ainda na mira

Governadores conferiam apresentação do Comitê Científico

Bolsonaro e TeichBolsonaro e Teich - Foto: José Dias/PR e Foto: Marcello Casal JrA

Quando o presidente Jair Bolsonaro iniciou o pronunciamento para anunciar o oncologista Nelson Teich como novo titular do Ministério da Saúde, o, ainda ministro, Luiz Henrique Mandetta, estava prestes a terminar a coletiva na qual comunicou sua demissão. Nas palavras do presidente, o que houve foi um "divórcio consensual". Disse que "a questão do emprego não foi da forma como eu achava, como chefe do executivo, que deveria ser tratada".

Sobre a conversa com Teich, resumiu: "O que conversei com o dr. Nelson é que temos que abrir o emprego no Brasil gradativamente". Teich, por sua vez, avisou que "não vai haver definição brusca, radical" e defendeu "decisões tomadas com base em informação sólida, uma vez que quanto menos informação você tem, mais (o problema) é discutido na emoção". Falou em "grande programa de testes". Enquanto isso, os governadores do Nordeste estavam reunidos em uma videoconferência. Na pauta: o novo coronavírus. Os gestores, que já assinaram várias cartas, afirmando que vão seguir defendendo o caminho da ciência e as recomendações da OMS, acompanhavam, exatamente, uma apresentação do Comitê Científico do Consórcio e faziam algumas discussões de cenários. Bolsonaro, no pronunciamento, não deixou de mirar os chefes de executivos estaduais. Reclamou que "não foi consultado" e alertou que o "o preço vai ser alto", referindo-se às medidas restritivas adotadas pelos gestores.

“O excesso não levará à solução", advertiu Bolsonaro e voltou a terceirizar o problema : "Se, porventura exageraram, não botem essa conta, não no Governo Federal, mas nas costas do nosso sofrido povo brasileiro”. A linha de enfrentamento com os governadores não é fato novo, o novo ministro já optou por não incorrer em método "radical". Diante da desafiadora pandemia da Covid-19, no entanto, não há cenário com final feliz.

"Problema é demitir política pública"
Diante da demissão de Luiz Henrique Mandetta, o deputado federal Tadeu Alencar, vice-líder da Oposição, avalia o seguinte: "O problema não é demitir o ministro, é demitir a política pública". Para Tadeu, tecnicamente, Mandetta "acerta ao seguir o protocolo internacional de enfrentamento à pandemia”.
Matrimonial > Diante da expressão usada por Bolsonaro ao falar da demissão, o "divórcio consensual", Tadeu Alencar, à coluna, pontua: "parece que tem obsessão por casamento. Com Regina Duarte, foi noivado, é divórcio, namoro, casamento...".
Sem chance > Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, telefonou para presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ontem. Relatou que discorda "veementemente dos critérios fixados pela Câmara" para o projeto de socorro aos Estados 149/2019.
Arquivo > Ao democrata, FBC defendeu um entendimento, Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7 ontem, o líder avisou que o "seguro-receita não prospera", alegou que "não é justo do ponto de vista federativo". Disse que o destino da proposta é “o arquivo!".
Goela ABaixo > Rodrigo Maia disse que a Câmara está disposta a ouvir. Mas alfinetou: "O problema é que o governo não queria dialogar, queria impor a posição do ministro da Economia". E advertiu: "Aprovar projeto do Senado e esquecer a da Câmara não vai gerar equilíbrio entre as duas casas" . Mais apontou "fake news" da equipe econômica do governo para desqualificar projeto da Câmara.

 

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