Citando França, Marina diz: "Aprendi com Eduardo"

"Márcio França avaliou que era melhor não ter candidatura em São Paulo e não teve", recorda Marina

Cafezinho com Marina SilvaCafezinho com Marina Silva - Foto: Divulgação

Não foi a primeira vez que o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, subiu o tom na direção da presidenciável Marina Silva. Em 2014, um dia após o PSB formalizar a candidatura de Marina Silva ao Planalto, Siqueira , enquanto coordenador-geral da campanha de Eduardo Campos, anunciou seu desligamento do posto e disparou: "Ela que vá mandar na Rede dela”. Essa semana, Siqueira tachou de "fake news" uma declaração de Marina e descartou negociação com a Rede. Indagada se ficaram rusgas de 2014, a ex-ministra, que deixa o Recife hoje, nega que tenha guardado mágoa e, entre outras coisas, assinala: "Tem uma frase que eu sempre digo: ´Eu prefiro sofrer a injustiça do que praticar a injustiça e isso é o meu lema, é a minha vida". E pondera: "As pessoas caminham do jeito que elas acham melhor. Lembro que, em 2014, Eduardo (Campos) lutou muito para a gente ter uma candidatura do PSB em São Paulo. O PSB de São Paulo entendeu que não. E não teve. A gente, que é democrata, não pode obrigar o partido a fazer sempre como você quer que faça. É difícil? É. Mas isso a democracia". Marina recorre a episódio envolvendo Márcio França, hoje governador de São Paulo e defensor da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Realça, assim, o seguinte ponto: nem Eduardo Campos que tinha o controle do PSB e capitaneava processos de decisão, sem deixar vácuo de liderança - como passou-se a apontar na sigla após seu falecimento - conseguiu impor sua vontade à ala paulista. "Eu, inclusive, aprendi muito, naquela época, com atitude de Eduardo. Márcio França avaliou que era melhor não ter candidatura em São Paulo e não teve", recorda ela e completa: "Nos estados, onde houve a compreensão de que o melhor caminho era sair de uma forma respeitosa do governo, as pessoas saíram do governo. Porque, para nós, não é uma questão dos cargos, é o programa". Em Pernambuco, a Rede deixou a gestão Paulo Câmara, rompimento que foi citado por Carlos Siqueira junto aos casos do Distrito Federal e da Paraíba. Marina fez as considerações em entrevista a esta colunista e ao titular do Blog da Folha, Daniel Leite, na coluna digital No Cafezinho, que vai ao ar, hoje, no Blog da Folha e nas redes sociais da Folha de Pernambuco.

Tenha calma! São dois turnos

Na última terça-feira, Siqueira afirmou que uma aliança com a Rede "não passará de um sonho". Marina lembra que a eleição é dois turnos. E observa: "É por isso que eu quero fazer uma campanha em que, ao ganhar para o governo, eu não tenha que ficar constrangida para conversar com PSB, para conversar com PDT, para conversar com as pessoas de bem para ajudar a melhorar o Brasil".

De cor > A última vez que a presidenciável Marina Silva tomou refrigerante foi em 1986. Tem a data de cor. Entrou na lanchonete com um amigo e avisou a ele que aquela seria a última vez.

Disciplina > Marina tem algumas restrições alimentares devido a alergias. Água, só toma natural. Durante a gravação do No Cafezinho, ontem, preferiu um chá, porque não pode tomar cafeína.

Ou vai ou vai > Ex-prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio não arrodeia quando o assunto é sua pré-candidatura ao Governo do Estado. À coluna, ele crava: "Eu sou candidato de todo jeito, a não ser que a Rede não queira. Ou se eu morrer".

Fim do Foro > Líder do PSB na Câmara Federal, Tadeu Alencar solicitou, à Casa, a realização, no Recife, de um seminário para debater a Proposta de Emenda Constitucional nº 333, de 2017, que visa a restringir o foro especial por prerrogativa de função.

Jato de água fria > Foi referendada, por 6x5, no STF, liminar do ministro Gilmar Mendes proibindo as conduções coercitivas no País.

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