Contemplados por Bolsonaro, resistem em apoiar ações do PSB

Socialistas esbarram em resistência de aliados à CPI

Jair Bolsonaro e Paulo CâmaraJair Bolsonaro e Paulo Câmara - Foto: Evaristo SA- AFP / Arthur Mota-Folha de Perna

Em meio às costuras encaminhadas e as consolidadas entre o centrão e o Governo Federal, nos bastidores do Governo do Estado, uma questão começa a ser levantada: como os deputados federais pernambucanos, contemplados com espaços em órgãos da gestão Jair Bolsonaro, vão se comportar diante de movimentos encabeçados pelo PSB no plano nacional. Trata-se do partido do governador Paulo Câmara, em cujo administração esses mesmos parlamentares também possuem cotas. E, nacionalmente, o PSB fez quatro movimentos recentes mirando a gestão Bolsonaro. Entre eles, está um pedido de CPI, em fase de coleta de assinaturas, de autoria do deputado federal Aliel Machado (PR). Para a referida Comissão Parlamentar de Inquérito ser instalada, ela precisa de 170 assinaturas. O detalhe é que a Oposição (PT, PSB, PCdoB, PDT, Rede e PSOL) só alcança cerca de 130 deputados. E, naturalmente, os socialistas têm esbarrado em dificuldades para conquistar signatários do centro, que soma algo em torno de 230 nomes. Motivo: as amarrações que envolvem cargos em troca de apoio no Congresso criaram uma barreira.

Nas coxias, se comenta que nomes do centrão, quando instados a assinar a CPI, têm devolvido: "Me peçam tudo, mas não para assinar CPI". Segundo parlamentares pernambucanos, estaria havendo orientação explicita do governo na direção dos deputados, cujos partidos foram contemplados. No caso de Pernambuco, alguns aliados das gestões Paulo Câmara e Geraldo Julio, agraciados pelo governo Bolsonaro são: Sebastião Oliveira (indicou para o Dnocs) e Silvio Costa Filho (teve indicação consolidada para a Secretaria Nacional de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional). O Solidariedade, que também está na base da gestão socialista no Estado, chegou a abrir diálogo com o Governo Federal. O deputado Augusto Coutinho, vice-presidente nacional da sigla, no entanto, à coluna, informou que Paulinho da Força, presidente nacional da sigla, terminou optando por não fechar o acordo. Além da CPI, o PSB, que tem em Paulo Câmara seu vice-presidente nacional, também protocolou pedido de impeachment na Mesa Diretora da Câmara, entre outras iniciativas.

 

De CPI a pressão por impeachment
Além dos pedido de CPI e de impeachment, o PSB também entrou com representação na PGR para que fosse investigada a possível prática de crime por parte do presidente com base nas declarações de Sérgio Moro. E, mais uma vez, o partido protocolou projeto para mudar regimento e obrigar Rodrigo Maia a ter prazo de 30 dias para se manifestar sobre pedido de impeachment.
Contra o tempo > Como a coluna cantara a pedra, para o rodízio passar a valer no sábado, a Alepe precisa aprovar o referido projeto de lei até hoje. O governador deve sancionar amanhã. Diante da movimentação do deputado Antônio Coelho, no entanto, a votação que se daria, na última terça, na CCLJ, ficou para hoje, às 9h. Será uma sessão conjunta: Justiça, Administração e Finanças.
Reserva > Líder da Oposição, Marco Aurélio Medeiros solicitou, através do ofício 3035/2020, que o deputado Antônio Coelho seja substituído, na vaga que ocupa de suplência, por Alberto Feitosa na Comissão de Legislação, Constituição e Justiça.
Bingo! > Antônio Coelho pediu sorteio da relatoria na Comissão de Finanças. Caiu para Isaltino Nascimento, líder do governo.
Embaralha > Romero Sales Filho, por sua vez, pediu sorteio na Comissão de Administração. O relator será Erick Lessa, do PP. 

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